19/9/19
 
 
Marta F. Reis 29/07/2019
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

Aldeias mais seguras com brindes?

Uma consulta aos contratos referentes ao Aldeia Segura revela que as golas não foram os únicos brindes oferecidos pela iniciativa: perto de 30 mil euros foram gastos em esferográficas e bonés

Depois de uma primeira reação na sexta-feira, quando considerou que a notícia do Jornal de Notícias sobre as golas inflamáveis do programa Aldeia Segura era alarmista - e já era bem visível que havia um problema, pela tomada de posição de peritos e autarcas que não imaginaram que golas pagas pelo erário público eram meros exemplos de como cobrir a cara, e não para usar em caso de incêndio -, o ministro da Administração Interna fez saber, durante o fim de semana, que pediu esclarecimentos à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e determinou a abertura de um inquérito urgente à Inspeção-Geral da Administração Interna.
Era inevitável, sobretudo depois de se saber que o material foi comprado a uma empresa com ligações familiares a uma autarca socialista e que as golas não terão sido propriamente um bom negócio do ponto de vista financeiro. Agora que o programa vai ser passado a pente fino, aproveite-se para uma revisão completa.
Uma consulta aos contratos referentes ao Aldeia Segura revela que as golas não foram os únicos brindes oferecidos pela iniciativa: perto de 30 mil euros foram gastos em esferográficas e bonés.
Se não há dúvidas da necessidade de sensibilização e formação para medidas de autoproteção, e isso mesmo concluíram os peritos que se pronunciaram sobre os trágicos incêndios de 2017, perceber que parte significativa da despesa associada ao Aldeia Segura teve a ver com material de promoção e divulgação da medida em si levanta interrogações sobre o que de substancial tem sido feito e até que ponto tornará as comunidades mais resilientes - desde logo, se as verbas gastas em brindes não poderiam ter sido mais bem aplicadas.
Foi também encomendado um estudo de opinião sem que haja nota pública disso ou conclusões conhecidas. O ministro Eduardo Cabrita soube fazer ver que até os microfones dos jornalistas são inflamáveis, espera-se que por esta altura já tenha visto que é todo um programa que está em risco de se esfumar. 
 

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