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Sem saída, May reúne-se com os líderes europeus

Sem saída, May reúne-se com os líderes europeus

AFP João Campos Rodrigues 10/04/2019 10:28

May vai pedir outra extensão de data para o Brexit, até 30 de junho, mas não sabe para quê. Eurocéticos avisam que Reino Unido será um “cavalo de Tróia” na UE

A primeira-ministra britânica, Theresa May, reuniu ontem com Angela Merkel antes de voar para Paris para se encontrar com o primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron. May procura a bênção dos líderes europeus, para estender até 30 de junho a data limite de saída do Reino Unido da União Europeia, com opção de saída antecipada. O pedido será feito hoje na cimeira de emergência em Bruxelas, tendo de ser aceite por todos os países-membros, que mais uma vez exigirão saber qual o plano de May para alcançar uma maioria no Parlamento britânico.

No entanto, uma solução para o impasse não podia estar mais distante. Como tem sido constante ao longo do processo do Brexit, as negociações entre May e o líder trabalhistas, Jeremy Corbyn, continuam bloqueadas devido à oposição dos dissidentes de ambos os partidos, que puxam para lados opostos.

May sabe que arrisca perder o apoio do seu próprio partido, caso aceite a proposta de Corbyn de acrescentar uma união alfandegária ao acordo de saída, mantendo laços económicos e comerciais ­com a UE – uma proposta com o apoio do negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, que vê nesta solução o único cenário que justificaria uma extensão mais prolongada do prazo de saída. Já Corbyn está sob pressão dos trabalhistas europeístas, que recusam qualquer hipótese de saída, defendendo um segundo referendo do Brexit. 

Numa entrevista à BBC, o líder trabalhista mantém que é fundamental “reconhecer que houve um referendo e resultado deste” – o “sim” ao Brexit – mas ao mesmo tempo “reconhece a responsabilidade do Parlamento em garantir que não haja uma saída desastrosa da UE”, ou seja, de evitar tanto uma saída não-acordada da União Europeia, com o corte de todos os laços com Bruxelas.

A proposta de uma união alfandegária enfrenta a oposição de Liam Fox, o secretário de Estado do Comércio Internacional de May. Fox garantiu, numa carta aos deputados conservadores, que este seria “o pior de dois mundos”, com o Reino Unido fora do processo de decisão europeu, mas sujeito à política económica da UE. No entanto, esta oposição feroz pode não ser representativa da opinião geral do Executivo britânico, dada a parcialidade do secretário de Estado, cuja atuação gira à volta de negociar acordos comerciais, tornando-se redundante com uma união alfandegária.

Contudo, as críticas de Fox dão munições aos conservadores eurocéticos, que exigem uma saída imediata e não negociada da UE, defendendo que isto permitiria estabelecer novos acordos de comércio, fora da UE, em particular no mundo anglófono. O executivo norte-americano já expressou anteriormente que seria melhor para o Reino Unido uma “saída limpa” – um eufemismo para um saída não negociada – e que estaria disposto a negociar com Londres nesse caso.

Os conservadores eurocéticos chegaram ao ponto de avisar que, caso seja concedida uma extensão do prazo do Brexit, o Reino Unido vai tornar-se num “cavalo de Tróia” dentro da UE – através das suas posições no Parlamento Europeu. Segundo Mark Francois, vice presidente do European Research Group (ERC) – visto como o ponto de encontro dos opositores internos de May – a presença britânica fará “descarrilar” todas as tentativas de federalização da União Europeia. E alerta que na hipótese de se seguir um Governo conservador eurocético o Reino Unido votará contra orçamentos e vetará uma maior integração militar em Bruxelas.

Todos estes cálculos estarão na cabeça dos líderes europeus, quer aprovem hoje uma extensão do prazo de saída até 30 de junho, quer proponham um prazo ainda maior ou recusem de todo. Dê por onde der, prevê-se uma posição comum dos líderes europeus, dado que qualquer país que vetasse uma extensão, à revelia dos restantes países membros, “não seria perdoado”, como explicou o primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, em declarações à RTÉ.

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