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Lítio. Há grande expectativa em Montalegre e na região envolvente

Lítio. Há grande expectativa em Montalegre e na região envolvente

DR Joaquim Gomes 21/03/2019 19:08

Reocupar as antigas aldeias é uma das grandes apostas das entidades locais que se deparam com o novo investimento na região por parte da Lusorecursos.

A exploração de lítio e os vários projetos associados – como os passadiços de dez quilómetros, a fábrica de cerâmica e a energia elétrica a partir de biomassa – estão a criar uma grande expetativa não só em Montalegre como na região envolvente, a zona do Alto Tâmega, sendo a reocupação das antigas aldeias uma aposta das forças vivas locais, preocupadas com o definhar de localidades outrora preenchidas e que agora poderão voltar a ter gente. 

Depois de ouvir autarcas e dirigentes associativos, foi possível constatar pelo i que as pessoas, em geral, acreditam na viabilidade do projeto da Lusorecursos e, como tal, estão a colaborar com os responsáveis daquela empresa. E, enquanto uns ainda esperam para ver, outros afirmam que é bom demais para ser verdade, mas ninguém esconde a esperança de que, muito em breve, a vila de Montalegre volte à pujança de outrora, quando foi potenciada pelas minas de volfrâmio, embora com outras condições de exploração muito atualizadas e não poluentes.

Fernando Rodrigues, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Montalegre e antigo presidente da Câmara Municipal de Montalegre, recordou: “Uma das missões básicas de uma instituição como a nossa é arranjar emprego às pessoas para o desenvolvimento social desta região, cujo concelho de Montalegre é dos mais envelhecidos do interior, sem nunca perder a identidade e respeitando as suas tradições, dinamizando a economia local”. 

E deixa uma uma garantia: “A nossa creche poderá servir para ajudar enquanto os pais trabalham. Se for necessário poderemos ampliar as nossas instalações para recebermos os filhos de todos, desde os mais qualificados até aos ditos indiferenciados, sempre em colaboração com a própria empresa e à medida que forem nascendo mais crianças”, acrescentou. 

Mais um desafio para Montalegre David Teixeira, o vice-presidente da Câmara Municipal de Montalegre e comandante dos Bombeiros Voluntários de Montalegre, começou por salientar: “Aqui sempre lidámos bem com as minas, desde os tempos dos romanos, por isso não nos faz confusão alguma este desafio. Graças ao volfrâmio, a nossa economia cresceu bastante, mas houve uma quebra após a ii Guerra Mundial, existindo agora esta possibilidade que nos dá a Lusorecursos, de forma a revitalizar e a repovoar o nosso concelho, especialmente através de recursos humanos qualificados e de uma extração de lítio que seja devidamente alicerçada”.

De acordo com o responsável, o impacto ambiental da extração será minimizado, “como não poderia deixar de ser, pois não vale a pena tentar dourar a pílula, há sempre impacto”. Ainda assim, garantiu que o concelho será inovador na criação de um fundo que vá ancorar investimentos a que possam ter acesso quer os privados, quer as entidades públicas da região. A ideia é simples: “Promover o desenvolvimento económico e social, criando uma dinâmica local e de atração de mais investimento”. 

“As pessoas das terras à volta querem algumas contrapartidas pelas atividades que terão de deixar a nível das suas tarefas agrícolas, mas sobretudo como forma de poderem recuperar as suas aldeias, em vez de se criarem novas aldeias ou aldeias de contentores, pegando no património que existe para revitalizar todo este espaço que precisa de ser potenciado”, salientou David Teixeira, confirmando “haver assim expetativa entre as pessoas da terra”.

O autarca não tem dúvidas: “A população vê isto como mais um desafio, uma oportunidade de desenvolvimento para a nossa economia local, porque estes projetos têm uma linha evolutiva que é boa não só para o investidor como para o concelho de Montalegre e para o Estado, com um espírito comunitário que sempre caracterizou a nossa região”, referiu.

Fixar novos habitantes entre trabalhadores Também para o presidente da Junta de Freguesia de Morgade, em Montalegre, José Luís Nogueira, “os investimentos são sempre bem-vindos para a nossa terra”. No entanto, admitiu que há sempre alguma preocupação com “aquilo que possa surgir no âmbito dos investimentos: “Vamos sempre acompanhar de perto o desenvolvimento de todo este processo, tentando conjugar com a habitabilidade da freguesia, sem mexer muito com a normal vivência entre estas pessoas”. 

Cauteloso, José Luís Nogueira destacou que, “por enquanto, ainda não está nada decidido”, mas considerou: “Vai ser uma mais-valia em termos de população, com mais emprego, não propriamente com o regresso de emigrantes, porque esses já são mais velhos e os seus filhos já não virão, porque a terra não lhes diz quase nada, não nasceram aqui. Poderão é aqueles que vêm inicialmente só para trabalhar acabar, mais tarde, por ficar aqui a viver, porque nós temos muito para dar a quem goste do campo e destas paisagens envolventes”.

Segundo Lúcia Jorge, presidente da Junta de Freguesia de Pitões das Júnias, ligada aos vários movimentos associativos, entre os quais a Associação de Baldios do Alto Barroso, “o mais importante neste projeto é estar assegurado o equilíbrio do agrossistema com este projeto de exploração do lítio, desde os terrenos baldios e lameiros até às linhas de água”. 

A responsável diz mesmo: “As pessoas por aqui estão ansiosas por ver o impacto positivo para a terra, sabendo-se de antemão, por exemplo, que depois de utilizados alguns terrenos para a exploração de lítio voltarão, ao fim de alguns anos, à sua função ancestral como baldios”. 

De acordo com Nuno Justo, presidente da Associação Empresarial Planalto Barrosão, “as melhorias com este projeto serão enormes, não só para Montalegre como para toda esta região envolvente do Alto Tâmega, desde logo pelos empregos que vai criar, mas também pela dinamização da economia local, nomeadamente em Montalegre, Boticas, Chaves e Ribeira de Pena, porque vai dar um passo decisivo para a revitalização do nosso tecido empresarial, ajudando a desenvolver de uma forma permanente uma zona que é interior”.

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