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Clima. Hoje os estudantes fazem greve contra alterações climáticas

Clima. Hoje os estudantes fazem greve contra alterações climáticas

Joana Rito/Visual Hunt João Campos Rodrigues 15/03/2019 08:36

O movimento global #FridaysForFuture, iniciado pela sueca Greta Thunberg chega a Portugal e as organizadoras estão entusiasmadas. “Estamos a causar estragos”, considera Matilde Alvim - “mas no bom sentido”

Em escolas e universidades por todo o país os alunos organizaram-se para fazer greve pelo seu futuro, alinhados com o movimento global #FridaysForFuture, iniciado pela sueca Greta Thunberg (ver caixa ao lado). Os jovens ambientalistas manifestaram-se hoje, às 10h30, em quase 30 cidades do norte ao sul do país, exigindo medidas governamentais concretas contra as emissões de gases com efeitos de estufa e as alterações climáticas que daí resultam. Querem proteger um futuro que lhes pertence.

A organização da greve global criou novas redes de contacto entre os jovens ambientalistas portugueses. “A maioria das ligações que estabelecemos foram pessoas que vieram falar connosco através das redes sociais e perguntaram de que forma é que podiam aderir”, conta Sofia Oliveira, de 19 anos, estudante de sociologia na FCSH, Lisboa. A dispersão por todo o território nacional, muitas vezes difícil de conseguir nos movimentos sociais, mostra a importância da visibilidade dada greve internacional. Foi uma questão de dar aos grupos locais “as ferramentas de que precisavam”, e a partir daí “eles organizaram-se de forma independente”, formando um “movimento descentralizado”, explica Sofia. 

Além da ambição de despertar consciências para a urgência do combate às alterações climáticas, a greve estudantil climática pretende sobretudo pressionar a governação. Protestam contra a “inércia dos nossos representantes no governo”, no que toca a medidas concretas quanto às emissões de gases com efeito de estufa. “É o nosso futuro que está em risco”, diz Sofia. 

“É fantástico, é muito gratificante saber que não somos os únicos que estão preocupados”, considera Matilde Alvim, de 17 anos, estudante na Escola Secundária de Palmela. Já não é a primeira vez que a jovem ativista participa em protestos por causas ambientais, tendo sido o primeiro contra o furo para extração de petróleo em Aljezur.

Para Matilde, não se trata de estar a organizar a greve com “três ou quatro pessoas” - os organizadores “são dezenas, centenas”. E explica que os organizadores portugueses estão muito bem inseridos no movimento internacional #FridaysForFuture, onde diz já estarem pelo menos quarenta países representados. A jovem constata que o movimento global “está com bastante tração e a ter muito impacto”. “Estamos a causar estragos, mas no bom sentido”.

Matilde vê a partilha de experiência internacional como “muito positiva” para o movimento. “Vemos que não são só países europeus, o que é excelente, também temos pessoas noutros continentes, na América Latina, na Ásia e em África”, relata Matilde. Independentemente da distância geográfica, a ativista garante: “Nós estamos sempre em contacto, através de Skype, Zoom ou Whatsapp”.

“Usamos a tecnologia a nosso favor”, explica Bruna Lopes, de 17 anos, estudante do colégio Colégio Paulo Seixo. As novas tecnologias e redes sociais facilitam e tornam operacionais os protestos de uma geração cada vez mais comprometida com as mudanças ambientais. “A internet é uma das nossas maiores armas”, remata a ativista.

Bruna conta que em Portugal foi criado um grupo de Whatsapp para a greve, porque “nem sempre as pessoas podem estar disponíveis a deslocar-se a certos locais”. “Debatemos todos os dias, temos ideias novas todos os dias e toda a gente tem o seu momento para falar”, afirma a jovem. É claro que “às vezes há discordâncias, as pessoas não concordam sempre”, revela a ativista. “Somos apenas crianças, não temos muita experiência no assunto”.

Apesar da sua juventude, Bruna já esteve ligada a causas, em particular aos direitos animais, como contra as touradas e o abate de animais em canis. Foi uma das dinamizadoras da iniciativa no Porto e afirma com entusiasmo: “O arranque do grupo inicial foi uma surpresa, pelo menos para mim, nunca pensei que fosse ter tanto impacto como está ter”. No entanto, apesar dos bons resultados, a ativista reconhece que organizar a greve climática “não foi fácil”. “É difícil convencer os adolescentes a irem e depois ainda temos de convencer os pais a deixar os filhos ir”, explica Bruna. 

O que a mobiliza é a preocupação com o cenário ambiental catastrófico que enfrenta o planeta. Teme os efeitos negativos do “derretimento das calotes polares, o aumento do nível do mar, a perda dos corais e a morte da Amazónia”, causados pelas alterações climáticas. A ativista garante: “Não estamos aqui para faltar às aulas”.

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