16/2/19
 
 
Vítor Rainho 12/02/2019
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Carlos Costa e Vítor Constâncio, Lda.

A história da auditoria à Caixa Geral de Depósitos faz lembrar aqueles filmes de Hollywood que retratam lindamente o poder e em que as revelações, à medida que avançam, vão colocando muitas mais figuras em xeque do que se esperaria, havendo por isso uma necessidade de colocar um fim em tudo, arranjando uns culpados para não se chegar mais longe. Esperemos, pois, que as investigações à CGD não se assemelhem a um filme, pois a realidade é muito mais grave do que a ficção e é preciso apurar quem deixou os contribuintes em tão maus lençóis.

O BE diz agora que Carlos Costa não tem condições para continuar como governador do Banco de Portugal, até porque não pode nem consegue julgar os seus próprios atos enquanto administrador da CGD. Apure-se se é verdade ou não e tomem-se as devidas medidas corretivas. Mas se Carlos Costa terá de responder pelos seus atos, qual a razão para não se apurarem as responsabilidades do governador do Banco de Portugal de então? Vítor Constâncio tem conseguido passar pelos pingos da chuva, mas o atual vice-presidente do Banco Central Europeu não validou as operações que estão a ser discutidas? E o que dizer do que se passou no BPN, BCP e BPP, onde Vítor Constâncio não viu nada? Se viu, ainda foi premiado com o cargo no Banco Central Europeu. Já agora, em última análise, os fiscais da troika também não acharam estranho o banco do Estado ter emprestado tantos milhões sem quaisquer garantias?

Parece, pois, óbvio que esta trapalhada toda vai acabar por condenar peixe miúdo, enquanto os verdadeiros tubarões ficarão ao largo. É que, se levarem as investigações até ao fim, muito boa gente será arrastada para a lama e é bem provável que ninguém queira ver tal lamaçal.

Por outro lado, não deixa de ser curioso que só depois da revelação da auditoria à CGD feita pela consultora EY e divulgada por Joana Amaral Dias o BE se tenha enchido de brio e queira a cabeça de Carlos Costa. O qual, convenhamos, não tem mais condições para se manter à frente do Banco de Portugal, depois de dizer que não pode julgar um dos maiores escândalos da banca portuguesa. 

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