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Rússia. Baixas na Síria escondidas para não afetar reeleição de Putin

Rússia. Baixas na Síria escondidas para não afetar reeleição de Putin

Vasily Maximov/AFP João Campos Rodrigues* 05/02/2019 20:42

Data nas certidões de óbito de mercenários russos foi falsificada para dar ideia que morreram mais tarde

O governo de Moscovo terá escondido durante algum tempo as mortes de mercenários russos que colaboram com as forças da Rússia na Síria, aparentemente para evitar que as baixas de guerra pudessem interferir na reeleição de Vladimir Putin, em março do ano passado. Na altura, a mensagem era que as operações contra os rebeldes na Síria tinham sido bem sucedidas e com custos baixos em vidas humanas.

Segundo uma investigação da Reuters, as autoridades chegaram ao ponto de falsificar as datas das mortes nas certidões de óbito. A agência descobriu seis casos idênticos de alteração da data da morte.

A ofensiva russa para tentar controlar a produção de petróleo de Deir Zor, no leste da Síria, terá esbarrado numa resistência muito forte das forças curdas estabelecidas na região, juntamente com os seus aliados norte-americanos, que lançaram fortes ataques aéreos contra as forças russas, que terão sofrido grandes baixas, mais de uma centena de mercenários, segundo disseram fontes à Reuters. O Ministério dos Negócios russo fala em apenas uma mão cheia de mortos.

As supostas baixas reduzidas na Síria ajudaram a conseguir apoio doméstico ao aumento da participação militar russa no país. Além de projetarem uma imagem de invencibilidade e eficiência das forças armadas russas sob o comando de Putin.

 Nos seis casos de mortes em Deir Zor que a Reuters encontrou, os restos mortais dos combatentes foram entregues às famílias depois das eleições, com certidões de óbito datadas de finais de fevereiro ou março. 

Vários familiares das vítimas dizem que foram avisados pela empresa paramilitar, Wagner Group, liderada por um amigo de Putin, Dimitry Utkin, para não discutir as circunstâncias das mortes. “Depois do presidente ser eleito, tudo veio ao de cima” diz Viktor Dumin, irmão de uma das vítimas.

*Editado por António Rodrigues

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