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Macron pondera avançar com referendo para acalmar protestos

Macron pondera avançar com referendo para acalmar protestos

AFP Ricardo Cabral Fernandes 04/02/2019 08:04

O presidente francês poderá convocar um referendo para o mesmo dia das eleições europeias em França, dia 26 de maio, avança o jornal francês “Le Journal du Dimanche”. Desconhecem-se ainda qual ou quais serão as questões a figurar nos boletins de voto.

Numa tentativa de acalmar os protestos dos coletes amarelos, o presidente francês, Emmanuel Macron, está a ponderar convocar um referendo para o dia 26 de maio, o mesmo dia das eleições europeias em França, segundo o jornal “Le Journal du Dimanche”.

Os franceses serão convidados a expressar a sua opinião num boletim de votos sobre se concordam ou não com a diminuição dos deputados da Assembleia Nacional – atualmente são 577 – e a imposição de mandatos dos deputados, uma das reinvidicações dos coletes amarelos. Todavia, o Palácio do Eliseu está a ser aconselhado, diz o jornal francês, por elementos de topo do seu partido, República em Marcha, a colocar várias questões numa estratégia para o plesbiscito não se virar contra Macron com perguntas concretas. Desta forma, o chefe de Estado poderia reivindicar vitória independentemente do seu resultado.

Para que o referendo se realize no dia das europeias, Macron terá de dar luz verde nos próximos dias. Em causa estão todas as dificuldades de logística, como a impressão dos boletins e a sua distribuição por todo o país, além da própria organização das mesas de voto e escolha dos seus membros. Entretanto, diz o jornal francês, as gráficas e os fabricantes de papel já foram colocados em pré-aviso, esperando apenas a luz verde do chefe de Estado.

O Palácio do Eliseu e o Ministério do Interior, responsável pelos boletins, recusaram-se a comentar, mas o “Le Journal du Dimanche” cita várias fontes próximas do chefe de Estado que estão por dentro da estratégia política.

A possibilidade de um referendo surgiu depois de o “grande debate nacional” para se redigir um “novo contrato para a nação” francesa, apresentado por Macron como abertura à contestação dos coletes amarelos, não teve a adesão esperada. À sua direita e à sua esquerda, são muitos os que a consideram “rídicula” e uma “farsa”, como é o caso da França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon, e da central sindical CGT.

Recorde-se que está convocada para esta terça-feira uma greve geral pela CGT em apoio aos coletes amarelos. Será a primeira grande ação em conjunto entre os coletes amarelos e os vermelhos, desconhecendo-se qual a sua intensidade e o impacto que terá. Esta ideia de referendo poderá ser uma iniciativa para desincentivar os franceses a irem para as ruas.

Há quase três meses que os coletes amarelos bloqueiam estradas e fazem todos os sábados manifestações nas principais cidades francesas. O movimento, ainda que tenha ora perdido força ora ganho conforme os desenvolvimentos de semana para semana, tem conseguido manter uma elevada pressão sobre o Palácio do Eliseu. A violência registada nas ruas a cada sábado tem dado azo a acusações de excesso de força por parte da polícia, abrindo um debate sobre como o governo está a lidar com os coletes amarelos e a forma como a polícia atua.

Os coletes amarelos começaram a protestar contra o aumento dos impostos dos combustíveis, mas rapidamente alargaram as suas reivindicações, demonstrando um elevado mal-estar entre a sociedade francesa quanto à governação de 19 meses de Macron.

 

 

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