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Europeias. “Marcelo está claramente a prejudicar o PSD”

Europeias. “Marcelo está claramente a prejudicar o PSD”

Bruno Gonçalves Luís Claro 04/12/2018 17:14

João Montenegro reage à candidatura de Paulo Sande com críticas ao PR. Marcelo diz que ninguém pode ser prejudicado na sua atividade profissional por se candidatar 

O escolhido por Pedro Santana Lopes para encabeçar a lista da Aliança às eleições europeias deixou alguns sociais-democratas descontentes com Marcelo Rebelo de Sousa. Paulo Sande é assessor do Presidente da República e vai dar a cara pelo novo partido nas eleições para o Parlamento Europeu.

“Marcelo está a ser conivente com a estratégia de um partido político e isso é inaceitável no nosso sistema político”, diz ao i o ex-secretário-geral adjunto do PSD João Montenegro.

O candidato da Aliança foi apresentado este domingo e é um dos conselheiros de Belém para os Assuntos Europeus. João Montenegro, que foi diretor de campanha de Santana Lopes nas últimas eleições internas, considera que Paulo Sande tem “direito” a entrar na luta partidária, mas devia demitir-se das funções que exerce na Presidência da República. “Se não o fizesse caberia ao Presidente da República mostrar-lhe a porta de saída de Belém”. Montenegro considera ainda que esta situação “dá a entender” que Marcelo é “conivente” com a Aliança. “O Presidente da República está claramente a prejudicar o PSD, porque permite que um seu colaborador dê a cara por um partido político. O Presidente não se pode andar a meter assim na vida dos partidos. Nem tão pouco deve andar a dar as mãos a ninguém”, afirma o antigo assessor de Passos Coelho. 

Paulo Sande só deixará de colaborar com o Presidente da República se for eleito para o Parlamento Europeu. Marcelo Rebelo de Sousa esclareceu ontem que Paulo Sande continuará em funções até ao momento em que “ formalizar mesmo” essa candidatura. “A lei consagra, mais do que a possibilidade, a garantia de ninguém ser prejudicado na sua atividade profissional pelo facto de se candidatar”, afirmou o chefe de Estado.

O Presidente da República lembrou que não é a primeira vez que um assessor da presidência entra na corrida eleitoral. Nas últimas eleições autárquicas, Nuno Sampaio candidatou-se pelo PSD à Assembleia Municipal da Lourinhã e Helena Nogueira Pinto integrou uma lista do CDS a uma junta de freguesia lisboeta. “Há aqui uma grande amplitude, respeitando a lei, uma grande abertura, exceto naquele período de campanha eleitoral e formalização de candidatura que implica a suspensão de funções sem perda de vínculo. Até lá, tem o direito de continuar a exercer as suas funções como se estivesse a trabalhar no setor público ou no setor privado”, acrescentou o Presidente da República.  

“EUROLIVRES” Santana Lopes justificou a escolha de Paulo Sande por ser uma “pessoa credível, das que mais sabe de assuntos europeus” em Portugal. “Somos eurolivres, não vamos por cartilhas, por dogmas e trabalhamos no sentido de contribuir para que Portugal tenha uma outra atenção para a necessidade de maior coesão económica e social, para a convergência das economias”, explicou. Bloco de Esquerda e CDS também já anunciaram os seus cabeças de lista, sendo que Marisa Matias e Nuno Melo voltam a candidatar-se. No PS e PSD ainda existem dúvidas sobre os candidatos. João Ferreira deverá voltar a encabeçar a lista do PCP: 

O primeiro teste eleitoral da Aliança será nas eleições europeias e Santana Lopes vai entrar em força na campanha eleitoral ao lado dos candidatos, mas a aposta forte do novo partido será as eleições legislativas, que se realizam daqui a menos de um ano. O primeiro congresso da Aliança está marcado para 9 e 10 de fevereiro em Évora.

 

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