20/11/19
 
 
Carlos Carreiras 28/11/2018
Carlos Carreiras

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A grande farsa

Este Orçamento no papel é mau. O que será executado será ainda pior. Ao quarto Orçamento, ainda ninguém percebeu que, com o PS, estar escrito não é a mesma coisa que estar prometido.

1. Tenho muita dificuldade em perceber como é que o PSD e o CDS entram no leilão das esquerdas no Orçamento do Estado. Propor alterações ao documento é validar a estratégia económica, financeira e política que lhe subjaz. E se a estratégia da coligação das esquerdas é má, como o PSD e o CDS sempre disseram que era, não podem os dois partidos, no fim do dia, vir legitimar um mau OE com as suas propostas.

Pode argumentar-se, e bem, que é em nome do sentido de Estado que se avança para negociação. Problema: lidar com António Costa na base do sentido de Estado é como ir à guerra com o saudoso Raul Solnado.

Este OE no papel é mau. O OE que será executado será ainda pior. Ao quarto Orçamento, ainda ninguém percebeu que, com o PS, estar escrito não é a mesma coisa que estar prometido.

Venderam-nos um “milagre”, mas o crescimento futuro continua condicionadíssimo por uma dívida que galopa no presente. Esse é o maior garrote ao desenvolvimento do país.

O Orçamento do Estado do PS é como as touradas socialistas: é tudo a fingir.

Os socialistas fingem o investimento, fingem o pagamento da dívida, fingem o aumento de salários e pensões. E no fim sofrem os mesmos de sempre: os portugueses, que voltaram a pagar mais impostos.

A lógica de Centeno é só uma: cativar para cumprir o défice.

António Costa, na sua imensa graça, deu uma aula de finanças ao país. “Um Orçamento sem cativações é como um carro sem travões.” Quando a política se faz em verso, o campo é amplo. A história bem podia ser outra: um Orçamento sem cativações é como um PS que não vende ilusões. Ainda está para ser conhecido.

2. Eu ainda sou do tempo em que os animais podiam fazer parte das histórias para crianças sem que nenhum dos ditos se sentisse usado ou violentado nos seus “direitos de pessoa não humana”. Tenho poucas dúvidas de que os novos censores da linguagem e dos costumes não deixarão passar em claro tamanha atrocidade. E um dia, um dia, reinventarão as nossas histórias, fábulas e músicas infantis.

Mas, enquanto esse tempo não chega, uso a minha liberdade – valor que eles só conhecem de ouvir dizer – para lembrar a Dona Carochinha. A da fábula.

Esperando que não se sinta ofendida com a comparação, é ela que me vem à memória sempre que vejo António Costa.

Sonha com um casamento perfeito – a maioria absoluta. Mas o destino reserva-lhe outra coisa. Que se ponha à janela e avalie os dotes dos candidatos que lhe passem pelo beiral. Talvez aí, no leilão dos pretendentes, encontre quem lhe sirva para governar.

Passa o Bloco de Esquerda. Sabe cantar e dançar. Está cheio de vontade de casar. Mas a Carochinha não se enamora.

Passa o PCP. Mas a Carochinha socialista percebe que, com ele, a relação é mais por interesse do que por amor.

Passa o PAN. Que protesta contra os casamentos forçados.

Passa a Aliança. E não é claro o compromisso.

Passa o PSD. João em português, Ratão em alemão; umas vezes sim, outras vezes não.

Muito mal ficaria o PSD se entrasse no teatro político português protagonizado pelas esquerdas.

Gostava de dizer que, tal como a Carochinha, António Costa comprou um belo vestido de casamento com as duas moedinhas de ouro poupadas ao longo da vida. A sério que gostava. Mas o mais provável é que lhes tenha acontecido o mesmo que à maioria dos investimentos prometidos pelos socialistas ao país: acabaram cativadas por Mário Centeno.

Nesta história, com estes protagonistas, não há finais felizes: estão a dar ao país o mesmo destino que a fábula deu ao rato.

 

Escreve à quarta-feira

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