24/02/2024
 
 

Web Summit. Adultos à beira de um ataque de nervos

Alguém acredita que uma Alemanha, França ou Espanha, por exemplo, deixariam a última coca-cola do deserto para Portugal? É óbvio que não. 

Ver adultos portarem-se como crianças histéricas que quase vão à loucura quando veem o seu ídolo é sempre engraçado. E foi o que se viu na abertura da Web Summit quando o criador do evento deu início à festa. Uma multidão em delírio esteve a pouco de atirar as gravatas ao ar e começar aos urros. É possível que a Web Summit traga mais-valias ao país – embora tenha sérias dúvidas de que, se esse dinheiro fosse gasto na investigação e na criação de mais bolsas de estudo no estrangeiro, não seria mais eficaz – e que os restaurantes e os hotéis faturem mais uns bons euros à conta dos milhares de visitantes.

Olhando para trás, para as outras edições, o que se constata é que, tirando uma ou outra empresa que se mostrou ao mundo, pouco mais vemos do investimento que foi feito. É óbvio que nestes encontros se fala sempre de tendências que haverão de ser uma realidade daqui a alguns anos e que quem tem conhecimento delas ficará mais habilitado para os desafios futuros. Não tenho a menor dúvida disso, mas tenho todas as dúvidas que, se a Web Summit fosse assim tão fundamental para o país que a organiza, nós tivéssemos prolongado o contrato por mais dez anos. Alguém acredita que uma Alemanha, França ou Espanha, por exemplo, deixariam a última coca-cola do deserto para Portugal? É óbvio que não. Veja-se o caso da melhor competição do mundo de vela, que nós nunca conseguimos atrair, pois os países mais fortes chegam-se à frente com dinheiro e nós ficamos a ver navios. Se a Web Summit fosse o que se diz, seríamos nós a ficar com ela?

P.S. Não deixa de ser estranho ver o Presidente da República a desmentir a toda a hora que tenha tido algum encontro com o ex-diretor da PJM. As imagens televisivas são muito claras e, aquando da visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Tancos, o Presidente esteve a falar longamente com o coronel Luís Vieira. Percebe-se o incómodo de Marcelo e dos outros atores políticos no tema. 

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