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Cavaco Silva faz revelações sobre “má relação” entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho

Cavaco Silva faz revelações sobre “má relação” entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho

António Pedro Santos Jornal i 09/10/2018 17:01

Ex-Presidente da República diz que aceitou fazer o “papel de intermediário” durante negociação com a troika em 2011.

"Dada a má relação pessoal entre o presidente do PSD Pedro Passos Coelho e o primeiro-ministro José Sócrates, aceitei desempenhar o papel de intermediário entre os dois líderes políticos, de modo a evitar uma crise política que teria graves consequências económicas e financeiras para o País", escreve Aníbal Cavaco Silva no prefácio de um livro autobiográfico de Eduardo Catroga.

No decorrer do texto, o antigo chefe de Estado teve vários elogios ao seu antigo ministro das Finanças, e revela que Eduardo Catroga o manteve "regularmente informado" das negociações entre o Governo de José Sócrates, uma delegação do PSD e a troika, na altura em que se fechava o Programa de Assistência Económica e Financeira nos meses de abril e maio de 2011.

"As negociações prolongaram-se por uma semana e passaram por fases de impasse e de rutura. Eduardo Catroga, apoiado por Carlos Moedas, apresentou-se muito bem preparado, dominando ao pormenor as questões orçamentais, e revelou-se um negociador político hábil, mantendo-me regularmente informado do curso das negociações", pode ler-se ainda no texto citado pela agência Lusa. 

Aníbal Cavaco Silva conta que Catroga lhe enviou "cópias das quatro cartas que escreveu ao ministro responsável pelos contactos com os partidos, Pedro Silva Pereira, e delas deu conhecimento à troika”: "As desconfianças por ele manifestadas sobre a verdadeira situação das finanças públicas vieram a confirmar-se", diz de seguida o antigo Presidente da República.

Além disso, Cavaco Silva fala ainda sobre outros assuntos. Por exemplo, no prefácio do livro refere que Catroga recusou integrar o Governo de Nobre da Costa, em 1978, e que "o mesmo terá acontecido com Pedro Santana Lopes, na sua tentativa para que Catroga integrasse o Governo a que presidiu na sequência da nomeação de José Manuel Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, e com Pedro Passos Coelho, para que ocupasse a pasta da Economia do Governo de coligação PSD-CDS".

"Eu próprio, como primeiro-ministro, falhei na tentativa de o trazer em 1990 para o Governo, mas tive sucesso mais tarde, em finais de 1993",escreve.

Cavaco Silva fala também sobre a  nomeação de Catroga para ministro das Finanças, e como este "geriu bem as expectativas” e “restituiu a confiança aos agentes económicos”.

"Dos quatro ministros que ocuparam a pasta das Finanças durante os meus dez anos como primeiro-ministro, Eduardo Catroga foi aquele que, pela sua jovialidade, permanente boa disposição, talento de explicação e persistência, se revelou mais eficaz na aplicação do método da 'autoridade soft' nas relações orçamentais com os outros ministros", sublinha o ex-governante.

"Eduardo Catroga não se ficou pela defesa convicta e fundamentada do legado herdado pelo Governo de António Guterres. Empenhou-se também em demonstrar os erros de política económica cometidos pelo ministro Sousa Franco", termina o ex-Presidente da República.

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