17/10/18
 
 
João Lemos Esteves 09/10/2018
João Lemos Esteves

opiniao@newsplex.pt

“Azerelho” Lopes: uma vergonha para Portugal e uma afronta para os militares portugueses

A última revelação sobre a trama do roubo de material militar de Tancos é gravíssima. Afinal, o ministro da Defesa terá (alegadamente) participado na encenação da recuperação do material, cirurgicamente colocado na Chamusca. Para quê? Para que o assunto ficasse encerrado, não deixando prolongar a discussão política em seu torno com o consequente desgaste político para o PS

1. Escrevemos no nosso último artigo aqui no i que os jornalistas e políticos portugueses são sempre deveras audazes na formulação de lições de cidadania e de decência política aos povos estrangeiros – esquecendo-se, no entanto, de praticar tal doutrina entre nós. Se exigem que os jornalistas brasileiros sejam especialmente implacáveis no escrutínio das posições políticas de Jair Bolsonaro, já preferem que a incompetência de António Costa seja tratada com especial reverência; se exigem uma revolta dos jornalistas americanos contra o presidente Donald Trump, já optam por manter um estilo de pura propaganda em benefício da geringonça cá no burgo. É o ancestral problema das elites portuguesas – falam muito, doutrinam demais; fazem muito pouco (ou mesmo nada). Esta realidade ficou (uma vez mais!) bem visível no passado fim de semana: enquanto os portugueses ficavam a saber que, afinal, o caso Tancos ainda pode ser mais tragicamente patético do que já é, os média portugueses divertiam-se a cobrir o convívio envolvendo os ícones do esquerdismo irresponsável europeu, António Costa e Pedro Sánchez.

 

2. Na verdade, temos dúvidas se o caso de Tancos deve ser qualificado como tragicamente patético ou pateticamente trágico. Temos, no entanto, uma certeza: Azeredo Lopes é a personalidade política mais desastrada que o Portugal democrático já conheceu. O Partido Socialista conseguiu bater um novo recorde: comparado com Azeredo Lopes, Mário Lino até se assemelha a algo parecido com um estadista. É assim: em países normais, com um mínimo de sentido de exigência e de rigor políticos, alguém que manipulou uma entidade reguladora (a ERC!) em benefício partidário seria excluído de qualquer cogitação para ocupar cargos públicos, muito menos de natureza ministerial. Pois bem, em Portugal, graças à cultura de impunidade e de prepotência que grassa no PS, Azeredo Lopes fez fretes a militantes socialistas e protegeu o PS, absolvendo-o de verdadeiros ataques ao Estado de direito democrático – logo, o PS só poderia agraciar tal personagem. Agora conhecemos a explicação para as inexplicáveis decisões da ERC, liderada por Azeredo, nos casos que envolveram a perseguição que o ex-primeiro-ministro José Sócrates moveu contra jornais e jornalistas livres (com destaque para o “Sol”): Azeredo Lopes queria ser ministro. E, aquando do regresso dos socialistas ao poder, a fatura política foi paga.

 

3. E que fatura! O PS – e o homem que nunca deixa de utilizar a máquina do Estado para agraciar amigos, frequentemente com estatutos jurídicos dúbios, António Costa – presenteou Azeredo Lopes com a liderança de uma pasta que se encontra no âmago da autoridade do Estado. Se há ministério que exige uma personalidade de respeito, com competência reconhecida e um passado imaculado, esse é o Ministério da Defesa – e isso é tudo aquilo que o atual ministro não tem. Aliás, Azeredo Lopes já é conhecido, nas esferas militares e do Estado, como o “Azarelho” Lopes: porque, de facto, o senhor é excessivamente azarado. Por onde passa, só acontecem tragédias. Efetivamente, Azeredo Lopes faz-nos lembrar aquelas pessoas que passam por um incêndio e julgam que nada está acontecendo – ou que se trata apenas de um barbecue mais animado. Azeredo Lopes tem uma capacidade singular para ignorar o óbvio – e permanecer na óbvia ignorância sobre tudo. E este senhor trata da proteção do território nacional contra ameaças externas – está tudo dito sobre a decadência política nacional em tempos de geringonça. Na nossa opinião, Azeredo é sobretudo um “Azerelho” Lopes – como dizia a minha avó, é um verdadeiro aselha. É a personificação da mais pura da aselhice política (não cuidaremos aqui de tratar dessa questão magna que tem dividido linguistas sobre saber se se escreve “aselhice” ou “azelhice” – por nós, nos tempos que correm, é claramente com “z”… de Azeredo).

 

4. Ora, a última revelação sobre a trama do roubo de material militar de Tancos é gravíssima. Afinal, o ministro da Defesa terá (alegadamente) participado na encenação da recuperação do material, cirurgicamente colocado na Chamusca. Para quê? Para que o assunto ficasse encerrado, não deixando prolongar a discussão política em seu torno com o consequente desgaste político para o PS. Estamos, pois, perante um novo nível de sofisticação de propaganda política: um ministro que tutela uma pasta crucial para a afirmação da autoridade do Estado aceita branquear um ato criminoso para evitar o ruído negativo para a imagem do Partido Socialista. Isto demonstra exemplarmente o modo de atuação do governo socialista: tudo se resume à gestão da sua imagem, à difusão da sua propaganda – e ao controlo absoluto da máquina do Estado. Um projeto de desenvolvimento sustentável para o nosso país? Absolutamente irrelevante para o PS. Para os socialistas, só interessa conquistar, manter e controlar o poder. E os privilégios próprios que só o poder proporciona.

 

5. Exige-se, de imediato, a demissão de Azeredo Lopes, sob pena de descrédito completo do Estado português. Como é que este senhor vai representar Portugal nas reuniões da NATO e mostrar que o nosso país é um parceiro confiável, competente e sério – quando este é o mesmo ministro que terá participado numa ação de encobrimento de roubo de material militar? Em vez de repor a autoridade, Azeredo Lopes agravou a desautoridade. Este episódio já circula nos meios diplomáticos internacionais e tornou Portugal uma paródia internacional. De aliado de confiança passámos a aliado da desconfiança (e da comédia!). Sempre que Azeredo abrir a boca em reuniões internacionais será tão cómico quanto ouvir George Costanza (a icónica personagem da série “Seinfeld”) discorrer sobre geoestratégia política e segurança.

 

6. No dia 5 de outubro, os jornalistas poderiam ter exigido uma explicação de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, como seria expetável numa democracia saudável e com vitalidade. Ao invés, quedámo- -nos pelas doutas apreciações do chefe de Estado (e comandante supremo das Forças Armadas) e do chefe de governo sobre um assunto central para a afirmação da autoridade do Estado e da sua competência funcional: a alegada violação de Cristiano Ronaldo em Las Vegas! Enfim, parece que os nossos políticos persistem é em violar, diariamente, a (pouca) decência que ainda resta à República Portuguesa… Os portugueses terão de decidir: ou querem uma República a sério, ou tornar Portugal uma República socialista, liderada pelos “Azerelhos” Lopes desta vida…

 

joaolemosesteves@gmail.com

Escreve à terça-feira

 

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