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Assédio Moral. Trabalhadora castigada por ter recorrido em tribunal de um despedimento ilegal

Assédio Moral. Trabalhadora castigada por ter recorrido em tribunal de um despedimento ilegal

Dreamstime Jornal i 14/09/2018 15:34

Depois ter sido despedida por extinção de posto, Cristina Tavares recorreu e ganhou o processo. Agora é obrigada a carregar e descarregar as mesmas paletes dia a após dia

Cristina Tavares foi despedida por extinção de posto, recorreu no Tribunal da Relação e ganhou o processo por despedimento ilegal. No entanto a reintegração está a ser um “castigo” para a trabalhadora. A corticeira Fernando Couto – Cortiças, S.A. colocou Cristina Tavares a carregar e descarregar repetidamente uma palete com os mesmos sacos, dia após dia.

Desde maio, data em que foi readmitida, Cristina Tavares empilha e desempilha sacos de rolhas. “Todos os dias faço paletes, empilho sacos – uns em cima dos outros – e depois quando estiverem empilhados torno a desfazer, sempre no mesmo sítio”, conta a trabalhadora à TVI24. “Faço e desfaço, sempre no mesmo sítio, durante nove horas”, reforça.

O caso foi denunciado pelo Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, tendo sido partilhado na página oficial da CGTP. Para além do trabalho “completamente improdutivo”, como o caracteriza a força sindical, Cristina Tavares foi também proibida de utilizar a casa de banho dos trabalhadores e o estacionamento. “Foi-lhe atribuída em exclusivo uma casa de banho com tempo de uso controlado e sem o mínimo de privacidade, de tal modo que a trabalhadora se viu obrigada a trazer de casa um pano preto para ocultar a visibilidade para o interior”, pode ler-se no comunicado. Tudo por ter recusado “ser despedida com o falso argumento da extinção do posto de trabalho”.

Cristina acredita que a empresa pretende cansá-la até que se demita. Já sofreu insultos, humilhações e o próprio patrão chegou a perguntar-lhe se não tinha vergonha de estar a roubar. “Eu não estou a roubar nada, simplesmente estou aqui integrada porque o juiz decidiu e achou que tinha trabalho para mim”, respondeu ao empregador.

A trabalhadora afirma estar “a lutar pelo posto de trabalho porque precisa de trabalhar”. Divorciada e com um filho de 21 anos com síndrome de Asperger a seu cargo, Cristina Tavares é o único sustento da família. “Eu sei que aqui há trabalho, não me metem a trabalhar porque está outra [pessoa] no meu lugar. Mudaram de setor mas o trabalho está lá. E pergunto porque é que não vou eu para lá?”, questiona.

Ao JN, Vítor Martins, diretor financeiro da corticeira, diz que as acusações são falsas. “É tudo falso e já encaminhamos o assunto para o nosso departamento jurídico”, disse acusando Cristina Tavares de mentir. O responsável acrescenta ainda que a ACT tinha informado a empresa que o processo por assédio moral tinha sido arquivado.

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