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Autoeuropa. Grupo de trabalhadores quer avançar com providência cautelar

Autoeuropa. Grupo de trabalhadores quer avançar com providência cautelar

Miguel Silva Sónia Peres Pinto 10/07/2018 09:28

Em causa está a laboração contínua que irá arrancar após as férias em agosto para atingir um volume de produção na ordem dos 240 mil veículos

Um grupo de trabalhadores da fábrica de Palmela, denominado Juntos pelos Trabalhadores da Autoeuropa, quer avançar com uma providência cautelar para impedir a implementação dos novos horários de laboração contínua após o período de férias em agosto, apurou o i. “Desde há mais de um ano que a administração da Autoeuropa tem adotado uma postura de intransigência para com os trabalhadores para resolver um problema que ela mesma criou. Esta intransigência tem resultado em várias imposições prejudiciais aos trabalhadores, algumas delas levantando várias dúvidas quanto à sua legalidade”, dizem numa comunicação divulgada aos trabalhadores a que o i teve acesso, acrescentando ainda que já que a Comissão de Trabalhadores (CT) e os sindicatos “não pretendem tirar isto a limpo na justiça, um grupo de trabalhadores está a organizar-se nesse sentido”.

Este grupo vai contratar um escritório de advogados para esclarecer se a administração pode ou não impor o novo modelo de laboração contínua sem o acordo dos trabalhadores e a satisfação das suas exigências quanto aos limites temporais e às compensações respetivas. Para isso, estão a recolher fundos e garantem que caso atinjam “uma quantia superior ao exigido ou na eventualidade desta não ser atingida, o grupo compromete-se a devolver o dinheiro a cada um”, diz a mesma comunicação.

Negociações retomadas As negociações entre a Comissão de Trabalhadores e a administração vão ser retomadas depois de não terem chegado a acordo na semana passada. A estrutura acusou a administração de querer condicionar as regalias adquiridas pelos trabalhadores a uma cláusula de denúncia, que poderia ser acionada face ao resultado das negociações anuais com os trabalhadores. Ou seja, pretendia fazer depender de negociações anuais, os transportes para os trabalhadores, a lavagem da roupa de trabalho, a política especial para grávidas.

A CT garantiu ainda que a administração da empresa manteve os valores que já tinha proposto pelo trabalho ao domingo: pagar apenas um dos cinco dias de trabalho por turnos durante a semana como trabalho extraordinário, que será remunerado a 100%, valor que será ainda acrescido de mais 25% do prémio trimestral, caso sejam atingidos os objetivos de produção estabelecidos pela fábrica. “A CT manifestou o seu desagrado pelo conteúdo apresentado. Estas propostas não acrescentam absolutamente nada e são claramente inaceitáveis”, diz num comunicado interno a que o i teve acesso.

A Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa lembrou também que, “as cargas de trabalho, o esforço acrescido que está a ser exigido aos trabalhadores e as alterações que os novos horários têm na vida pessoal de cada um e suas famílias não podem ser desvalorizadas e têm que corresponder a contrapartidas significativas”.

Os novos horários foram uma consequência direta do aumento das encomendas do novo SUV. A meta já foi anunciada: atingir até final do ano um volume de produção na ordem dos 240 mil veículos – a maioria dos quais, o modelo T-Roc.

 

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