12/11/18
 
 
Ana Sá Lopes 13/06/2018
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Viva Pedro Sánchez (mas não chega)

Pedro Sánchez era um líder do PSOE bem-intencionado a quem faltaram os votos.

Sánchez podia não ser, politicamente, a última coca-cola no deserto, mas foi seguramente vítima da tragédia que atingiu os partidos socialistas europeus obrigados, em consequência dos tratados assinados na Europa, a tornarem-se irmãos quase gémeos dos partidos da direita. A crise que se abateu sobre Estados Unidos e países europeus a partir de 2008 veio agravar as condições políticas dos socialistas, forçados a submeterem-se a regras ortodoxas que tendem a inviabilizar políticas de esquerda. 

A ascensão do Podemos – uma força populista de esquerda – e do Ciudadanos, de direita, encontrou terreno fértil numa Espanha minada pela corrupção e falta de alternativas. Cercado pelos barões do PSOE, Sánchez aguentou-se miraculosamente à frente do partido. E agora, num ato inédito em Espanha, fez cair o governo Rajoy e conseguiu alcandorar-se a primeiro-ministro, “copiando” a solução portuguesa. Como o povo, qualquer que seja, tende a apoiar vencedores – e agora, pela primeira vez em muitos anos, Pedro Sánchez encontra-se nessa posição –, a sua popularidade disparou, acompanhada da queda dos fenómenos Podemos e Ciudadanos. 

O que Sánchez fez agora com o navio de refugiados que Itália e Malta se recusaram a acolher é um ato de extrema dignidade, em contraste com o horror que é conviver, numa Europa que ainda julga viver com os velhos valores fundacionais, com o inenarrável Salvini. O problema é que atos isolados como o de Sánchez não resolvem de todo o problema das mortes em massa de cidadãos no Mediterrâneo, que já cada vez menos indignação suscita – ou porque nos dedicamos a policiar a língua, a discutir nomes de museus, casas de banho unissexo, etc., ou porque dirigimos a empatia que nos sobra para os animais. 

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