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Empresas. Apenas 17% da riqueza produzida no país vem do interior

Empresas. Apenas 17% da riqueza produzida no país vem do interior

Shutterstock Sónia Peres Pinto 11/06/2018 16:42

O litoral continua a cativar pessoas e empresas, em detrimento do interior, que continua a ver a localização como um entrave ao aparecimento de novos negócios e ao desenvolvimento das atividades já existentes. Ainda assim, existem vários casos de sucesso e a estes podem-se juntar outros quando começarem a ser aplicadas as medidas anunciadas pelo governo: redução do IRC e desconto nas portagens das ex-Scut. Mas empresários querem mais para melhorarem a sua competitividade económica

Só na faixa litoral está localizada 83% da riqueza produzida no país, deixando para o interior apenas 17%, que continua a surgir em segundo plano em termos de tecido empresarial. As contas são do Movimento pelo Interior. O fator localização continua a ser apontado como um dos principais entraves ao crescimento de algumas dessas empresas e, como tal, também se torna pouco atrativo para o aparecimento de novos negócios. Aliado a isso há que contar ainda com os custos extra de transporte que, para muitos, é visto com um gasto que asfixia a sua tesouraria.

E os números falam por si: se formos para a Beira Baixa, encontramos pouco mais de 16 mil empresas. O número sobe ligeiramente se analisarmos o tecido empresarial do Alto Alentejo, que se fixa nas 20 mil. Já o Baixo Alentejo conta com 23 mil empresas, enquanto a região das Beiras e serra da Estrela contabiliza 43 mil empresas. Já Viseu ultrapassa as 57 mil, de acordo com os últimos dados da Pordata.

A verdade é que estes números ganham outra dimensão quando comparados com regiões do litoral. Por exemplo, só a Área Metropolitana do Porto conta com mais de 434 mil empresas, mas, se falarmos em Lisboa, são mais de 664 mil.

Mas apesar de todos os obstáculos que existem para se desenvolver uma atividade numa região interior de Portugal, também é possível encontrar verdadeiros casos de sucesso no mercado português (ver casos ao lado). Aliás, a saída de alguns destes grupos para outras zonas do país iria representar uma espécie de “bomba atómica”, já que muitas dessas empresas são os únicos empregadores da região.

Descontos nos transportes Depois de muitas reivindicações e a pensar nos custos elevados de transportes, o governo anunciou no início deste mês que irá avançar com um desconto de 30% nas portagens nas ex-Scut para os veículos pesados de mercadorias. O objetivo da medida é simples: contribuir para a competitividade da atividade económica no interior. O valor da redução no custo de portagem – que começou por ser de 15% – foi estudado nos últimos meses pelo Ministério das Finanças e pelo Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.

No entanto, ainda não parece convencer os empresários, que já vieram dizer que lamentam que os descontos não sejam também aplicados aos ligeiros de mercadorias. “O governo prepara-se para anunciar uma medida que só beneficia, e mesmo assim pouco, as empresas de transportes”, reagiu o presidente da Associação Empresarial da Beira Baixa, José Gameiro. “E os empresários que não tenham pesados mas apenas ligeiros de mercadorias, que são a maioria daqueles que aqui existem? A redução ou eliminação de portagens é a medida que traria impactos imediatos nestes territórios”, afirmou o responsável.

Também a administradora da alfaiataria Dielmar, Ana Paula Rafael, afirmou que todos os anos pagam cerca de 110 mil euros em portagens por estarem sediados no interior. “Todas as semanas vamos buscar clientes a Lisboa e Porto. Temos um custo de contexto brutal”, admite. E a esta voz juntam-se muitas outras que apresentam contas semelhantes ou até mais elevadas.

Esta medida surge na sequência de um conjunto mais alargado de medidas destinadas a beneficiar o interior que será aprovado a seguir às férias. Uma delas já foi anunciada: trata-se da redução de IRC para as empresas que se instalem no interior. Feitas as contas, as empresas localizadas em regiões de baixa densidade populacional podem beneficiar de “reduções substanciais do IRC, podendo chegar até a uma coleta de zero, em função do número de postos de trabalho criados”.

Ao mesmo tempo, o executivo apresentou uma linha de crédito no montante de 100 milhões de euros, destinada exclusivamente a pequenas e microempresas situadas no interior, para financiamento de projetos de criação, expansão ou modernização de unidades produtivas.

E as medidas não ficam por aqui. Está ainda previsto na reprogramação do Portugal 2020 e no âmbito dos sistemas de incentivos ao investimento empresarial exclusivamente dirigidos aos territórios do interior que haverá um programa de 1700 milhões de euros para apoiar investimentos no interior entre 2019 e 2021.

Mas o executivo tem acenado com uma série de medidas que tem vindo a aplicar neste domínio. António Costa já referiu que “logo em dezembro de 2015 foi constituída a Unidade de Missão para a Valorização do Interior, aprovando-se em outubro de 2016 o Programa Nacional de Coesão Territorial, em fase de avaliação, com 74% de medidas já executadas”. “Entre outras medidas, incorporámos nos sistemas de incentivos ao investimento empresarial critérios de discriminação positiva para os territórios de baixa densidade que nos últimos dois anos captaram 1840 milhões de euros de investimento privado, geradores de 8500 postos de trabalho. Apostamos na atração de investimento estrangeiro, com programas específicos dirigidos ao interior que já atraíram 375 milhões de euros de investimento”, acrescentou.

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