15/11/18
 
 
Vítor Rainho 08/06/2018
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Por que razão os ingleses gostam tanto dos angolanos?

Boris Johnson, que é o ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, embora a designação oficial seja secretário de Estado, e que tem a pasta da Commonwealth, a CPLP lá do sítio, anunciou no seu Twitter que acha “esplêndido” que Angola entre na comunidade de países que fizeram parte do império britânico. Para Boris Johnson não há dúvidas nem consta que alguém se tenha manifestado contra a entrada de mais um país convidado – já lá estão Moçambique, Ruanda e Namíbia.

 Pode dizer-se que é natural que assim seja, já que o governo de Luanda quer cimentar a sua importância no continente, onde não faltam nações pertencentes à Commonwealth. Em Moçambique, por exemplo, conduz-se à inglesa e parte da população usa expressões da língua de Shakespeare. Mas, na verdade, Angola quer dar um sinal ao governo português de que as suas prioridades não passam tanto agora por Portugal como acontecia no passado. Também não foi por acaso que o presidente angolano escolheu a França e a Bélgica para uma nova visita, depois de ter escolhido Espanha como o primeiro país que visitou depois de tomar posse.

O caso Fizz, em que o antigo vice-presidente angolano Manuel Vicente foi acusado pela justiça portuguesa de subornar o procurador Orlando Figueira, não foi esquecido e as autoridades de Luanda ainda aguardam que o processo chegue aos seus tribunais. Mas não foi só isso, seguramente, que fez Angola escolher outros parceiros comerciais. Que outro país no mundo viu os seus cidadãos serem tão questionados pela justiça portuguesa como Angola? As comunidades chinesa, brasileira, colombiana, entre muitas outras que têm negócios em Portugal, viram os seus cidadãos serem acusados de lavagem de dinheiro? Não me lembro de nenhum.

O mais estranho disto tudo é que temos uma grande comunidade de portugueses a trabalhar em Angola e há quem não pense nisso. Para Boris Johnson é, de facto, “esplêndido” que os angolanos queiram investir no Reino Unido e que os ingleses tenham a porta aberta para fazerem o mesmo em Angola...

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