23/10/18
 
 
Mário Bacelar Begonha 10/01/2018
Mário Bacelar Begonha

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A lição de terminologia... desportiva

Seria bom que o Ministério da Educação tivesse a coragem de definir, primeiro o que é “Desporto”

Parece estranho que um Ministério da Educação peça pareceres, a vários especialistas, licenciados e doutorados, pagando verbas “apreciáveis”, e que ignore alguns que lhe são oferecidos, gratuitamente, na Imprensa,, por pessoas qualificadas.

Quando uma ciência já possui terminologia própria e até escrita abreviada, diz-se que já tem um certo grau de maturidade e, obviamente, investigação científica, pura e aplicada, tudo com o objectivo de servir melhor o conhecimento e através dele contribuir para a descoberta de novos rumos, que nos possam abrir novas portas no conhecimento desse “desconhecido”, como Alexis Carrel, classificou o “Homem”.

Temos para nós que quem só “sabe” uma matéria específica, de um só ramo do conhecimento, tem, fatalmente, uma visão parcial, e muito limitada do assunto sobre o qual se quer debruçar, sendo preferível, a nosso ver, uma visão multidisciplinar sobre uma questão específica, como, por exemplo, no caso do desporto, com o auxílio e contributo da Psicologia, da Sociologia, da Antropologia, da Medicina, da Física, da Química, da Hidráulica, etc. , etc. ...

Desta forma podemos ir mais longe porque temos a ajuda de pessoas que têm respostas para as nossas perguntas e assim podemos compreender o que os nossos avós não perceberam, por falta de informação.

Estivemos durante décadas em dois Conselhos Científicos de duas Escoas Superiores e até na Direcção de um Departamento de Ensino durante quase vinte anos, e vimos, e sentimos, a dificuldade que é a partilha de conhecimento numa discussão académica com diferentes personalidades de diversos ramos do saber , já que há pouca experiência no Ensino Multidisciplinar, ou seja, um só assunto, partilhado e discutido, sob diferentes pontos de vista, com um conhecimento final sendo este o somatório do contributo de vários docentes de especialidades diferentes, para uma visão mais alargada da questão em causa, no interesse dos alunos. A isto chamamos Universidade com Ensino Integrado e não aquele que é servido aos alunos em compartimentos estanques, ou em blocos separados, que só alguns, com esforço, e inteligência, conseguem juntar.

Seria bom que o Ministério da Educação tivesse a coragem de definir, primeiro o que é “Desporto”, como actividade curricular, ligada, legitimamente, ao Ministério da Educação e, depois, o que é o “Desporto Profissional”, que não é mais do que “Espectáculo”, e que por isso devia estar integrado na Direcção Geral dos Espectáculos, e não no Ministério da Educação, que este sim, tem uma missão de primeira importância que é a educação das novas gerações, que o mesmo é dizer, de preparar o futuro do País para todos os graus de ensino, numa visão, concepção e gestão integrada, de toda a Educação Nacional. Esta a primeira lição.

A segunda é a necessidade de o Ministério da Educação, através dos órgãos de informação pagos, e controlados pelo Estado, utilizar uma terminologia comum, com um significado, bem explícito, e esclarecido de modo a evitar más interpretações, ou até interpretações malévolas. ...

Assim, quando “abrimos a Televisão Pública para ouvir o noticiário, a certa altura o jornalista de serviço anuncia:E agora o Desporto, e começa a falar de futebol profissional que, como é sabido, não é Desporto.

A isto chama-se desinformação, e é evidente que as Escolas Superiores de Jornalismo são responsáveis por esta desinformação.

Depois o cidadão comum, com alguma escolaridade, quando tem intenção de praticar desporto diz que “vai fazer desporto”, como se fosse fazer qualquer necessidade fisiológica, ou fosse fazer um ovo estrelado, etc.. Isto diz bem do atraso terminológico em que o País está, e é evidene que a Escola é que é a culpada, ou seja, o Ministério da Educação.

A questão pior é que dizem que querem um Regime Político Democrático e depois na prática não facultam aos cidadãos conhecimentos suficientes, para que eles possam ser livres e escolher o caminho que querem trilhar.

Só é livre quem tem a possibilidade de escolher o seu caminho.. Isso é que é a Democracia.

E já agora uma “picadinha” política. Será inteligente aceitarmos na nossa Democracia pessoas, que manifestamente, estão contra a Democracia e querem implantar uma ditadura? Será razoável num Estado laico, numa cerimónia oficial, de estado, haver uma cadeira especial, para o Cardeal Patriarca? Será legítimo, numa República, convidar para uma cerimónia pública, o candidato a rei, ou seja alguém que quer a implantação da Monarquia?

Enfim será só um acerto de terminologia, ou falta de facto informação, ao Povo Português.

A culpa é do Ministério da Educação ... porque não educa o Povo....

Sociólogo, Escreve quinzenalmente

 

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