21/10/19
 
 
Ana Sá Lopes 14/12/2017
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

O PS deixou ontem cair o ministro Vieira da Silva

O incómodo de Vieira da Silva, um ministro peso-pesado do governo PS, é público desde que a TVI divulgou o escândalo Raríssimas. 

Político experiente, o facies, as hesitações e o discurso aflito do ministro revelam que ele próprio já percebeu que a sua parceria com a presidente da associação foi, no mínimo, um estrondoso erro político. Um vice-presidente da assembleia-geral de uma instituição – cargo que Vieira da Silva ocupou entre 2013 e 2015 – é corresponsável pela aprovação das contas.

Ontem, o ministro disse nunca ter tido “conhecimento de qualquer dúvida sobre as contas” e que “obviamente que se isso tivesse acontecido teria agido em conformidade”. Agora, ordenou uma inspeção. Está certo. Mas, afinal, para que serve um cargo numa assembleia-geral? Para “dar o nome” ou para exercer controlo sobre os atos da direção? 

O PS já percebeu que a casa está (novamente) de pernas para o ar. Só que, ao contrário do que se passou em casos graves anteriores – incêndios e roubo de armas de Tancos –, o PS, ao mais alto nível, apressou-se a deixar cair o ministro Vieira da Silva.

Quando o presidente do PS e líder parlamentar, Carlos César, vem dizer, como disse ontem na TSF, que está “tranquilo” mas “não está satisfeito” com as explicações até agora dadas pelo ministro, é impossível ignorar que se trata, de facto, de um alerta vermelho. O PS, como insistiu César, pediu a “audição imediata do ministro de modo que lhe sejam feitas todas as perguntas e que lhe seja proporcionada a possibilidade de dar todas as respostas que tem o dever de dar”. O PS está, na realidade, a empurrar Vieira da Silva para a demissão. 

É possível que essa demissão já tenha acontecido quando este jornal chegar às mãos do leitor. A notícia que está aqui ao lado é mais uma prova de como a ligação entre Vieira da Silva e Paula Brito e Costa é uma violenta pedra no sapato do ministro e de todo o governo. E é verdade, como disse a deputada socialista Idália Serrão, que há “um alarme social”.

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