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Operação Marquês. Henrique Neto: "Não é normal que o PS faça de conta que não é nada com ele"

Operação Marquês. Henrique Neto: "Não é normal que o PS faça de conta que não é nada com ele"

Luís Claro 12/10/2017 21:56

O ex-deputado socialista Henrique Neto afirmou não achar normal "que o PS faça de conta que não é nada com ele". Líder do PS não comenta

São poucos os socialistas disponíveis para comentar a acusação a José Sócrates. O assunto não podia ser mais incómodo para o PS e António Costa distanciou-se, desde o início, do processo que envolve o ex-secretário-geral do partido. Carlos César, presidente do PS, admitiu que este processo é “desconfortável”. Nenhum socialista perdeu um segundo a defender o ex-primeiro-ministro. 

Henrique Neto tem a particularidade de ter sido um dos poucos, dentro do PS, que criticou duramente a governação de José Sócrates, entre 2005 e 2011. O empresário chegou a afirmar numa entrevista ao “Jornal de Negócios”, em 2010, que José Sócrates “está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto”. Sete anos depois, o ex-deputado socialista confessa, em declarações ao i, que “é bom verificar que a justiça também chegou a essa conclusão”. 

Henrique Neto, que se desfiliou recentemente do partido, não estranha o silêncio dos socialistas e pensa que alguns dos que o defenderam no passado acreditavam que “era possível, como já tinha acontecido, manipular o sistema de justiça”. Neto lamenta ainda que o PS não retire consequências deste caso: “As pessoas desta direção, sem generalizar, conviveram e governaram com José Sócrates. Não é normal que o PS faça de conta que não é nada com ele. É com ele, é um ex-secretário-geral que está a ser acusado. Isto teria de ter consequências.”

“Ficarei chocado” 

José Sócrates foi perdendo a solidariedade dos socialistas ao longo do tempo e já nem os mais próximos alinham publicamente com a teoria da cabala alimentada pelo ex-primeiro-ministro. Carlos César, presidente do partido, defendeu que “é evidentemente desconfortável no plano cívico, para a generalidade dos portugueses, que num processo desta natureza esteja em causa a inocência ou a culpabilidade de um antigo primeiro-ministro”. 

O socialista Jorge Coelho também admitiu, no programa “Quadratura do Círculo”, na SIC, que “se isto for verdade, é de uma gravidade brutal” para o país. “Ficarei chocado”, acrescentou o ex-ministro socialista. Coelho garante, porém, que “isto não cola com o José Sócrates” que conhece há 35 anos. 

António Campos foi um dos poucos socialistas que publicamente defenderam Sócrates. O histórico do PS escreveu, na sua página do Facebook, ter esperança de que o julgamento não demore “outros dez anos” porque, para “desprestígio total da justiça, já basta a forma como foi conduzido o processo”.

Costa não comenta

António Costa preferiu não comentar a acusação do Ministério Público contra Sócrates. “Como tenho dito, à justiça o que é da justiça e à política o que é da política”, afirmou o líder do PS, argumentando que um primeiro-ministro “não deve comentar o que vai acontecendo nos diferentes domínios judiciais”. 

José Sócrates já se queixou da falta de solidariedade do PS. Há menos de um mês, o ex-líder socialista acusou o atual secretário-geral de lhe ter “virado as costas” a partir do momento em que ele foi detido. 
 

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