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Praia fluvial de Loriga. As Maldivas da Serra da Estrela

Praia fluvial de Loriga. As Maldivas da Serra da Estrela

Marta F. Reis 17/08/2017 22:45

Só as filas de carros parados nas bermas da estrada tiram um pouco de encanto a esta praia fluvial-postal no coração da serra da Estrela. Encontrado lugar para deixar a viatura é arranjar um recanto para estender a toalha com vista para as piscinas em socalcos ou experimentar as trutas de escabeche do bar

Perdoe-se o exagero, mas água tão cristalina como a desta praia fluvial na serra da Estrela não é propriamente fácil de achar, sobretudo para quem dá com este paraíso depois de passar uns dias a olhar para o mar revolto da praia da Costa de Santo André e a tentar ganhar coragem para um mergulho em senhoras ondas no meio de uma ventania impossível de aguentar. Chegados à praia fluvial de Loriga, com os termómetros bem acima dos 30 graus e vento abaixo do patamar detetável, está encontrado o destino balnear que conquistará o coração de qualquer pessoa que ainda não tenha visto o seu sonho de verão concretizado e já não tenha muitos cartuchos para gastar.

Vamos diretamente ao problema antes de abrir um pouco mais o apetite para este destino “fora de rota” na Beira Interior. Quem está perto de Seia e é de pesquisar pontos de paragem na internet antes de se fazer à estrada percebe logo, pelas imagens, que vai ter de passar por Loriga.

Juntem-se os locais, que devem conhecer este segredo de ginjeira, e os emigrantes a viver o querido mês de agosto, e as bermas da N231 que serpenteiam pela serra até este enclave depressa se revelam demasiado pequenas para tanta viatura – o que não só é chato para encontrar lugar, mesmo num dia de semana, como estraga um pouco a paisagem.

Esquecendo os carros que ficaram estacionados como deu, à espera que a GNR não decida dar um ar da sua graça, é descer pelas escadinhas e deliciar-se com as piscinas naturais que formam uma espécie de socalcos, com a tal água cristalina sempre a correr, e mais parece que estamos num destino tropical em versão água doce. E um bocadinho mais fria, seguramente, mas nada que não se aguente.

Os miúdos ficam rendidos com as “poças” de água onde podem chapinhar à vontade (aconselha-se, ainda assim, uns chinelos para aguentar as pedrinhas nos pés). Os graúdos conseguem dar um mergulho ou, se forem mais friorentos, podem molhar os pés e seguir diretamente para o bar. E aqui chegados há dois elementos da ementa que nos dizem ser o que mais atrai fregueses: as bolas-de-berlim, que esgotam logo pela manhã, e as trutas de escabeche, prato típico proveniente da truticultura de Carlos Jesus de Brito, ali a 16 km, no lugar de Aguincho.

O site da Câmara Municipal de Seia informa que esta praia fluvial, cortesia da ribeira de Loriga, tem mais uma particularidade além do que está à vista: é a única praia portuguesa num vale de origem glaciar, paisagem onde há 20 mil anos só havia gelo e agora há gente de todas as idades em traje de banho. Para os amantes de caminhadas experientes não vão faltar desafios. O vale de Loriga oferece atrações naturais como a Garganta de Loriga, a Penha do Gato ou a Penha dos Abutres, e há quem se aventure a subir da vila à Torre. Se não é dessas andanças, deixe-se estar com a cesta de piquenique à beira de água ou em cima de uma boia pelicano, só porque sim.

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