20/9/17
 
 
José Cabrita Saraiva 14/08/2017
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Basílio e os encantos de ser presidente de câmara

A pré-campanha para as autárquicas de outubro está a revelar-se fértil em casos. Começaram em Loures, com André Ventura a pronunciar-se de forma polémica sobre os ciganos – o que levou o CDS a retirar-lhe o apoio. 

Em Oeiras, Isaltino viu a sua candidatura ser recusada por causa de uma alegada irregularidade; ficaremos hoje a saber se pode ou não avançar. Em Matosinhos, a família socialista está um verdadeiro saco de gatos, com três candidatos a disputar o mesmo espaço. Ali ao lado, no Porto, o PSD está a tentar impugnar a recandidatura de Rui Moreira, no que parece uma tentativa desesperada para evitar a sua reeleição.

Outro episódio que fez correr alguma tinta foi uma declaração de rendimentos de Basílio Horta ao Tribunal Constitucional, em que, por lapso, o atual presidente da Câmara de Sintra declarou 5600 euros em vez de... cinco milhões e 600 mil.

Basílio tem um percurso peculiar: outrora vice-presidente e secretário-geral do CDS (já lá vão mais de 25 anos), veio a ser nomeado presidente do AICEP pelo governo de José Sócrates, acabando por integrar, nas legislativas de 2011, as listas do PS, partido que apoiou a sua candidatura à Câmara de Sintra.

Há cerca de uma semana, deu ao “Observador” uma entrevista curiosíssima em que, sentado no lugar do pendura de um Smart, falou sobre os buracos na estrada e sobre as tentativas de fogo posto na serra. Questionado sobre o facto de viver em Lisboa e ser autarca de Sintra, esclarecia: “Durmo em Lisboa. Quase todos os dias trabalho 12, 13, 14 horas aqui”.

De facto, a vida de um presidente de câmara não deve ser fácil. É por isso ainda mais surpreendente que haja tantos candidatos não só dispostos a exercer abnegadamente o cargo, como capazes de o disputar com unhas e dentes – as guerras e guerrinhas por esse país fora são prova disso.

Ainda na mesma entrevista, Basílio Horta dizia: “É evidente que sou um homem que tenho dinheiro”. Com esse pé-de-meia tão avantajado, é de louvar que não deixe as chatices para outro e ainda esteja disposto a trabalhar às 13 e às 14 horas por dia... Ser presidente de câmara lá deve ter os seus encantos.

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