18/10/17
 
 
Ana Sá Lopes 16/06/2017
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

O país que mistura alhos com bugalhos é muito pobre

Tivemos um primeiro-ministro que viveu de “empréstimos” num bairro luxuoso de Paris, o mesmo que passava férias a que apenas milionários teriam acesso perante o “deixa andar” de uma certa elite lisboeta, muito complacente com a corrupção, o tráfico de influências et coetera. 

Tivemos a implosão do banco do regime e do banqueiro do regime, incensado até à véspera de ser constituído arguido pelos do costume. A PT implodiu. Na EDP há constituição de arguidos. E em quem se centrou o indigente debate político por estes dias? Numa miúda de 25 anos chamada Inês César, que concorreu a um concurso da Gebalis, foi submetida a entrevista mas que tem o azar de ser sobrinha de Carlos César. Quando Inês trabalhava no Mac Donalds enquanto fazia o curso de Sociologia ninguém lhe veio falar do tio.

Quando se mistura tudo, perde-se o o sentido das proporções e da responsabilidade. Horácio do Vale César e Patrocínia César são meus amigos. Isto é uma declaração de interesses. Se todos os jornalistas fizessem declarações de interesses isto ficava mais despoluído. Horácio é um dos jornalistas mais cultos que conheço. Foi assessor de Jaime Gama por causa de Carlos César? É mesmo não conhecer Jaime Gama. João Soares foi buscar Horácio do Vale César à reforma – que pediu quando o irmão foi para líder parlamentar – por causa de Carlos César? É para rir. Patrocínia conheceu Horácio em casa de Jaime Gama nos anos 80.

Passado uns tempos casaram. A Patrocínia já na altura era do PS, muito antes de casar com o irmão do outro: foi durante muitos anos braço-direito de Manuel Alegre, trabalhou com Miranda Calha no Bloco Central, quando Carlos César era ainda uma criança. É verdade que Carlos César cometeu muitos erros. Quando era presidente do Governo Regional dos Açores, nomeou a mulher coordenadora dos palácios da Presidência do Governo. O seu filho, Francisco César, teve uma ascensão meteórica dentro do PS-Açores. Que seja a Inês César o alvo da indignação mostra como o debate político bateu no fundo. 

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