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Administrador do grupo #IMASOLDIER: "Eu nunca partilhei um post com mulheres"

Administrador do grupo #IMASOLDIER: "Eu nunca partilhei um post com mulheres"

Ana Carvalho 20/05/2017 19:06

O Semanário SOL teve acesso ao grupo #IMASOLDIER durante esta semana. Trata-se do grupo secreto do Facebook, com mais de 45 mil membros que ficou conhecido por partilhar conteúdos de teor sexista, com vídeos e fotografias sexuais explícitas. 

 

No grupo existiam comentários a insultar uma jornalista e exposição de mulheres que passavam na rua, ou que estavam nos seus postos de trabalho. Quisemos ouvir quem está por trás do movimento e o que pensam sobre as mulheres. Haverá qualquer tipo de explicação para que num grupo secreto se partilhem esse tipo de conteúdos? Quem se responsabiliza? 

Fique a conhecer a entrevista telefónica exclusiva ao SOL com um dos administradores do grupo, um jovem de 28 anos, da zona do Porto. 

Como surgiu a criação deste grupo? Quais são os vossos lemas?

Isto tudo começou por uma brincadeira que era o “Interdito a Mulheres”, não sei se já ouviste falar, mas é exatamente igual ao vosso que se chama “Interdito a Homens”. Era uma cópia chapada daquilo, se calhar não daquilo que se passa dentro do grupo das mulheres, porque os homens funcionam de forma diferente no que toca a falar sobre as mulheres, e as mulheres falam dos homens de uma forma mais suave, nós levamos as coisas mais para, pronto, outros lados. Este grupo foi fechado, eu nem sequer fazia parte da administração do grupo, fazia parte como um membro normal e depois, entretanto, surgiu o #IMASOLDIER.

Porquê esse nome?

Olha, esse nome surgiu comigo, aqui em casa, numa brincadeira com o meu primo. Depois em conversa com o administrador e em comentários, num vídeo, em que havia um rapaz que se estava a ver aflito numa troca de mensagens com uma rapariga. Ele postou no antigo grupo a dizer que precisava de ajuda. E, por brincadeira, que é a coisa mais irónica, estava a dar o “Resgate do Soldado Ryan” e nós dissemos: “Vamos fazer o resgate do soldado” e aquilo colou nos comentários de uma forma incrível. Esse grupo fechou, não sei porquê, ainda não entendo porquê. Mas acho que aquele grupo nas definições era fechado, dava para ver o que se escrevia lá. 

Quantos membros tinha, tens noção?

Trinta e cinco mil, ou quarenta mil. Claro que não tem nada a ver com o grupo que as mulheres têm. Eu tenho informação que o das mulheres tem para aí 120 mil mulheres, podes ver no Facebook. Este grupo foi fechado, não sei quando nem sei como, foi bloqueado das redes sociais. Entretanto, a administração desse, criou o tal grupo #IMASOLDIER. A partir daí ficou o nome e a administração do grupo, da qual eu não fazia parte antes, convidou-me para moderador.

Isso foi mais ou menos quando?

Esse grupo deve ter sido fechado em Dezembro. 

As vossas primeiras publicações são em janeiro, certo? Como é que se tem 45 mil pessoas num grupo que surgiu em janeiro? Como é que angariam os membros?

É assim, a partir do momento em que entras no grupo secreto como membro, podes fazer pedidos para que outras pessoas entrem. Adicionas membros ao grupo. Depois, vai à administração (como há vários grupos cada um tem as suas regras, ok?) da parte da administração e moderação, e faz-se uma seleção dos perfis para ver se são verdadeiros. 

Vocês fizeram a seleção de 45 mil pessoas?

É assim nós não fizemos a seleção a 45 mil pessoas, mas temos regras que são o mínimo para se conseguir dar a entrada.

Quais são essas regras?
  
O perfil tem de ter mais de um ano e meio, tem de ter fotos de perfil válidas, vamos ver comentários, vamos ver likes, para ver a veracidade dos perfis, para ver se realmente eles são perfis verdadeiros ou não, à medida que o grupo começou a evoluir, começou a crescer de uma forma, como vês, estão 45 mil pessoas lá dentro.

Mas quais são as regras deste grupo em termos de publicações? O que é que pode ser publicado e o que é que não pode ser publicado?

Tudo pode ser publicado desde que tenha a ver com o sexo feminino, com mulheres, nada pode ser publicado se identificar qualquer tipo de pessoas, de forma alguma, isso faz parte das regras. 

Mas há publicações no grupo em que estão caras destapadas, que dizem os sítios onde as pessoas param, as redes sociais, os nomes. 

Eu depois não consigo controlar toda gente nos comentários, como é lógico, é impossível. Nós, a partir do momento que alguém faz uma coisa destas, convidamos à saída do grupo. Mas caras de mulheres, sim aparecem. Fotos que são postadas em perfis delas, fotos que são postadas no Instagram, nós tentamos ao máximo filtrar nomes, caras, tatuagens, filmagens, por aí fora, em tudo o que tenha algo explícito. É muito difícil controlar tantos homens, não há hipótese, é extremamente difícil, mas nós tentamos controlar da melhor maneira.

Vocês têm merchandising, assumem as vossas identidades, têm um hashtag, tinham um grupo com 45 mil membros. Porquê um grupo secreto?

O grupo é secreto porque ninguém precisa de saber o que se passa lá dentro, para além dos 45 mil que estão lá dentro. Se o grupo for fechado, é possível aceder às publicações, mesmo sem fazer parte do grupo. Conseguem ver minimamente o conteúdo que tem lá dentro. Qualquer pessoa, sendo grupo fechado, consegue encontrar (o grupo) no Facebook e consegue denuncia-lo ou bloqueá-lo. Sendo secreto, só fazendo parte do grupo é que o consegues fazer. Daí passar a secreto este. Por isso é que o outro foi bloqueado, acho que era fechado.

Alguma vez consideraram a hipótese de que publicar fotografias de pessoas na rua, mesmo que não tenha a cara delas, se não consentido é um crime punido por lei?

Claro que já considerei isso, mas eu não sou responsável pelos atos de quem posta. É verdade que sou um dos administradores do grupo, mas eu não me vou responsabilizar por aquilo que os outros fazem. Isso eu não vou fazer, porque eu não faço essas publicações.

Das publicações que fizeste tiveste sempre consentimento das mulheres das fotografias que partilhaste?

Eu nunca partilhei um post com mulheres.

Nunca partilhaste nada com mulheres?

Não, e se partilhei alguma coisa, com alguma pessoa por perto, essa pessoa tinha o consentimento tanto da minha parte quanto eu da parte dela. Porque eu nunca na vida ia expor uma pessoa que me fosse familiar, que eu conheça, por quem eu passe na rua, eu nunca vou expor uma pessoa num grupo com 45 mil homens porque eu tenho dois dedinhos de testa. 

Era mesmo isso que eu gostava de perceber. Tu como administrador, no fundo, és responsável pela oportunidade que esses homens têm de partilhar isso. 

Sim, sim. Quer dizer, eu não sou o responsável sozinho. Atenção. 

Há mais administradores? Quantos são?

Somos 3 administradores e há mais moderadores.

Então há todo um trabalho de equipa.

Há um trabalho de equipa, como é lógico não sou o responsável na totalidade. Eu não vou responder pelos atos de alguém que tira uma fotografia na rua que pode ter sido na China, na Alemanha, em qualquer sítio do mundo, pode ter sido tirada da net, até por outra pessoa, entendes? Eu não me vou responsabilizar por quem fizer isso, não posso de forma alguma. As pessoas são maiores de idade, vacinadas, responsáveis pelos atos que fazem. O grupo simplesmente é gerido por nós. 

Mas alguma vez pensaste que podes estar a alimentar predadores sexuais, ao ter um grupo em que é possível denunciar os locais onde as mulheres param, a forma como se vestem. Eu lembro-me de ver posts, por exemplo, sobre duas polícias na Caixa Geral de Depósitos com um comentário a serem assediadas com “marchavam a cima da lei”.

Isso foi uma coisa infeliz que alguém deixou passar, infelizmente. Tens noção que há dias que são não sei quantas publicações pendentes e isso deve ter passado sem querer. Porque o botão de aprovar e eliminar estão mesmo ao lado um do outro. 

Eu consigo perceber que para vocês é muito difícil gerir e que alguns até podem não ter a intenção de partilhar esse tipo de conteúdos. Mas o que é certo, é que são vocês os moderadores e os administradores e esse conteúdo chega a ser partilhado no grupo. 
 
Como digo, mais uma vez, não foi nenhum de nós o responsável por isso. As pessoas têm de ser responsáveis por aquilo que postam. Nós não somos responsáveis pelos atos dos outros. A ideia não é de forma alguma denegrir ou difamar as mulheres. Nunca na vida foi essa a ideia. Mas sim ajudar as pessoas que estão no grupo. Se precisarem de alguma dica ou de alguma coisa nossa, nós ajudamos. Mas não postar fotografias de mulheres, isso é problema deles. Eles podem sacar da net, tirar da net, desde que não tenha a cara.

Mas há uma cumplicidade da vossa parte, vocês estão a gerir o grupo, por muito que não queiram, a partir do momento que o grupo é gerido por vocês há uma cumplicidade. Como é que tu lidas com isso no teu dia a dia? Não sei se tens filhos, filhas. Não imaginas que no futuro podem ir parar a um grupo semelhante?

Vou-te ser sincero: claro que todos nós estamos sujeitos a isso. Agora, a educação que eu dou às minhas filhas é que nunca na vida uma filha minha enviava uma mensagem a mostrar o rabo, ou um seio. 

Como é que tu como pai consegues controlar isso? Não consegues.

Como pai? Consigo controlar a minha filha. Consigo dar-lhe educação ao ponto de ela não fazer isso. Nestas coisas há responsabilidade de parte a parte, não é? Se as pessoas enviam, mandam fotos destas, estão a pôr-se a jeito. 

Mas imagina: uma rapariga tem uma relação com um rapaz, não sabe que ele pertence a esse grupo e envia-lhe uma “nude” (foto com nudez). Ela não está a contar que esse “nude" seja partilhado com 45 mil homens. 

Não e a ideia não é ser essa. Nunca na vida nós temos esse propósito dentro do grupo. Cada um faz aquilo que quer. Agora é assim, se ela anda com um rapaz que a seguir vai postar a foto num grupo de 45 mil membros, oh pá ela tem de rever melhor os padrões. 

Mas ela não sabe, o grupo é secreto. As mulheres não chegam a saber que vão ali parar. 

Sim, ela não sabe, mas devia rever os padrões de com quem anda ao lado. 

Lembro-me que havia, na semana passada, uma discussão nesse grupo que há homens casados, pessoas com namoradas, que estão no grupo e não fazem a mínima ideia que estão a ser traídas.

Vou-te dizer uma coisa, metade daqueles posts e supostos membros que dizem ser os maiores e metem lá as coisas, posso garantir-te que são tudo grandes balelas, tudo grandes tretas, sabes porquê? Porque metade deles não o faz. Metade deles arranjam as imagens noutro lado qualquer e é só para irem para lá gabar-se e sentirem-se os maiores e aumentarem a autoestima. Há coisas que não cabem na cabeça de ninguém, há mensagens que são mandadas de uns para os outros, com fotografias e por aí fora. Eu aposto contigo em como metade daquilo são mensagens trocadas entre soldados com fotografias. Vem tudo com as caras tapadas mas só para se gabarem, só para se sentirem os maiores no meio de 45 mil homens, estás a entender? A maioria ali é letra, porque a ideia é postarmos cenas do Facebook, cenas sobre mulheres, algumas com biquini, outra mais reduzida, com uma cueca ou por aí fora, cenas que no “feed” normal do Facebook não são bem aceites na sociedade. Aí podermos estar ali e falar sobre isso. A maioria daqueles homens todos, acho que é tudo um bocado para aumentar o ego. A maior parte é tanga.
  
Há um vídeo de um dos vossos administradores a afirmar que a jornalista do Observador que escreveu sobre vocês, passo a citar “havia de ser violada pelos 45 mil membros”. O que é que tens a dizer sobre isto?

Tenho a dizer que foi uma parvalheira e uma brincadeira estúpida devido ao facto de ela ter feito isso, de ter tomado a decisão de partilhar ao mundo que o vídeo da Queima tinha estado no nosso grupo. E digo-te, é a coisa mais badalhoca que eu alguma vez vi, que acontece dentro de um autocarro, com não sei quantas pessoas a aplaudirem, mulheres e homens, a incentivarem que aquilo acontecesse. Garanto-te que o vídeo não começou aqui dentro, aquele vídeo já tinha estado em outras redes sociais, antes de estar no nosso grupo. Só que, como há muita gente a tentar perceber o nosso grupo, querem entrar à força, alguns membros que foram bloqueados devido às publicações que faziam que eram extremamente excessivas e nós que tivemos de os retirar do grupo ficaram chateados, porque não eram pessoas para estar lá, tal e qual como esse vídeo. E a pessoa que postou esse vídeo não estava no autocarro, encontrou-o no WhatsApp e também ele foi bloqueado do nosso grupo, porque não queremos pessoas assim lá. Aquilo não tem nexo nenhum.

Em que consistia a #MissãoQueimadasFitas? Havendo inclusive a foto de um dos vossos soldados supostamente a sodomizar uma rapariga. Qual é a vossa ação perante uma partilha destas com um hashtag Missão Queima das Fitas?

A única coisa que temos relacionado com a Queima das Fitas é o nome da marca, mais nada, porque fomos à Queima e viemos embora e não tinha nada a ver com missão nenhuma. Não comento essa publicação desse soldado.

Há umas publicações que vocês tinham no grupo com referência à “Missão Queima das Fitas cumprida” com a foto do ato sexual. 

É de um soldado que já tinha estado no grupo e como realmente fala e faz uns posts engraçados convidamo-lo. Mas eu nem me vou referir a esse post, porque não quero estar a falar de outras pessoas. 
Quanto à missão, era irmos representar a marca, falar com quem está no grupo, com quem lá está para se divertir, para se rir. A ideia do grupo não é “queimar” e difamar as pessoas, mas sim estarmos a divertirmo-nos com a situação, a rirmo-nos, dizermos coisas que não podemos dizer noutros sítios do Facebook.

Porque é que as mulheres são consideradas “inimigas” e “alvos a abater” ? No exército também trabalham mulheres. 

Como é lógico. Vou ser o mais sincero possível, é a brincadeira de estarmos na tropa e de termos um inimigo, simplesmente uma brincadeira. Imagina o Trump e a Coreia, são inimigos não é? Nós também consideramos as mulheres um exército, não tem nada de mal. É uma brincadeira com nomes, simplesmente. 

Compreendes que para as mulheres, sendo pertencentes a um género oprimido e vítima de um sistema e sociedade machistas, consideradas por muitos sempre inferiores aos homens, o porquê de reagirem mal a este grupo? Consegues pôr-te na situação de uma mulher e perceber que se sentem humilhadas com este tipo de conteúdos?

Consigo, consigo compreender por um lado, consigo. Tenho noção que elas têm grupos de quem ninguém fala, com conteúdos feministas, também falam mal de nós.

O que queres dizer com grupos feministas?

Da mesma forma que tu dizes que temos um grupo machista.

Mas o feminismo não é o contrário de machismo, atenção. Feminismo, embora tenha diferentes vertentes, é um movimento pela igualdade de direitos de todos os seres humanos. Consideras que um grupo com esse tipo de conteúdo é negativo? Femismo sim, é o contrário de machismo. 

Então expressei-me mal, estou a falar de femismo. Nós sabemos que esses grupos existem e alguns deles até com bastantes membros. Mas o nosso grupo era secreto precisamente para evitar situações destas, em que estou aqui a falar sobre o que se passa ou deixa de passar, ou das regras que tem ou não tem. A ideia é passarmos lá coisas que não possam passar no Feed de notícias, sim tem mulheres, algumas, com conteúdo mais explícito, mas a ideia era serem coisas da internet e não a nível pessoal, quando vem conteúdo pessoal é responsabilidade deles. Eu tento ao máximo limpar conteúdo do grupo, mas não imaginas como é ver as publicações pendentes de 45 mil homens.

Mas isso foi um risco que vocês sabiam que iam ter de lidar, não é? Quando começaram a aderir tantos homens já sabias que ias ter de passar por isso, certo?

Sim, sabia. Mas eu não criei o grupo, eu quero é criar uma linha de merchandising da marca, que ainda não está lançada. 

Então e tu como representante dessa marca, estás a cria-la associada a um grupo que, mesmo que vocês tentem controlar ao máximo o conteúdo, há efetiva partilha de mulheres na rua, de mulheres desprevenidas, de costas, mulheres em atos sexuais. Por muito que queiras controlar, esse conteúdo existe. Qual vai ser a mensagem dessa marca?

Sinceramente não pensei nisso. Eu quero criar a marca por brincadeira e porque vi a cópia dos nossos símbolos a ser lançada e comercializada num sítio, não gostei e foi por aí que fiquei com a marca. A linha de merchandising era para pensar mais tarde, simplesmente. Como não gostei e como sou administrador, vi pessoas a utilizarem o nosso símbolo e grupos parecidos em que fazem trinta por uma linha, tomei a decisão de pegar e fazer um registo da marca. Agora quanto a como vai ser lançada ou não, sinceramente, não pensei nisso. 
Vai representar roupa de homem, do exército, brincadeiras de homem, que os homens gostam de fazer tipo Paintball, despedidas de solteiro, sei lá, outras vertentes. O nome é apelativo e o nome do grupo não vai ter nada a ver com a marca. 

E não teve nada a ver com os grupos dos soldados americanos partilharem imagens humilhantes das colegas?

Não de forma alguma, até porque o grupo existia antes de se saber disso, há muito mais tempo. O grupo começou em janeiro, mas o “Interdito a Mulheres” já tinha um ou dois anos e o conteúdo partilhado lá ainda era pior que o dos soldados. Porque antigamente não se aprovavam as publicações, entrava tudo direto, entravas naquele feed e era horrível, só vias pessoas expostas e daí as regras terem sido criadas para este grupo de forma a confidencializar e não difamar mais. Fotografias de mulheres há em todo lado.

E qual é a tua opinião sobre os grupos secretos do Facebook como homem adulto? Vês isto como um perigo para a sociedade, tendo em conta a quantidade de coisas que se podem passar nesses grupos que não fazemos ideia?

Depende do conteúdo e do grupo. No nosso caso, como falamos de mulheres, futebol, carros, mas maioria mulheres, penso que não tem qualquer maldade. A parte de falar, agora expor, como falaste, pode sem duvida existir predadores e isso pode ser perigoso.

Então vamos deixar claro: se eu for uma mulher independente, que não tem problemas com o corpo, se me vestir de uma forma livre, a mostrar o que eu bem entender, tenho uma opinião que poder não ir de encontro à de muitos homens, isso faz de mim um alvo a abater no vosso grupo? 

Não de forma alguma, claro que não. 

Portanto não mereço que fotos minhas sejam vistas por milhares de homens e sujeitas a comentários de desconhecidos.

Claro que não e daí que tudo que entra no grupo tenha de ser tapado, caso possa identificar uma pessoa. Imagina que uma foto dessas entra no grupo, tudo tem de ser tapado, cicatrizes, cara, tatuagens, sinais, tudo que possa identificar a pessoa, porque aqui ninguém quer difamar ninguém. A ideia é mostrar o rabo, ou mostrar o seio, não é difamar a mulher.

E não achas que estás a sexualizar o corpo da mulher nesse sentido, a objetificar? Estás a partilhar rabos, estás a partilhar seios. Achas correto que se sexualize o corpo da mulher? 

Existem fotos de corpos de mulher em todo lado. Não acho correto nem deixo de achar, é melhor sexualizar o corpo da mulher, com uma foto recortada e a falar do que queremos falar do que mostrar a foto inteira. Se calhar ela até enviou assim. 

Mas independentemente do grupo, qual é a tua opinião sobre os vários movimentos como o #freetheniple, que lutam contra a objetificação dos seios? As mulheres querem sentir-se seguras. Se quiserem mostrar mamilos, como os homens também andam sem t-shirt sem problemas, as mulheres não podem porque os delas são sexualizados. 

São, mas isso é por causa da mentalidade portuguesa. É a realidade das coisas. No meu caso, quem quiser expor-se que se exponha da forma que quiser. Mas no grupo só podem expor conforme as regras que são decididas: ao partilhar conteúdos explícitos, sejam da internet, sejam pessoais, que eu não posso controlar a origem das fotos, nem sou o responsável. Elas não podem ter algo que identifique ou diga quem é. Se me postassem num grupo, toda gente saberia quem eu era pelas tatuagens e tudo isso terá de ser tapado, porque há coisas que identificam as pessoas como bilhetes de identidade e nós não queremos, de forma alguma, difamar ninguém e daí precavermo-nos com esta situação de que tudo tem de estar tapado ou recortado. Quero deixar bem claro que nós temos família, não estamos aqui para difamar ninguém, o grupo era apenas de sátira e partilhas de conteúdo com piada. 

E sobre os comentários que houve à outra jornalista? Vou correr o mesmo risco, de serem partilhadas fotos minhas pelos vossos membros com aquele tipo de comentários?

Eu fiquei muito chateado com o que foi escrito, porque não fomos nós a publicar aquele video, ele já circulava e os membros reagiram ao facto de isso não ter sido bem tratado. Mas, mais uma vez, nós não conseguimos controlar sempre o que as pessoas comentam.

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