23/9/18
 
 
Secretas. PS chumba vice de Passos, PSD fala em “ferida aberta”

Secretas. PS chumba vice de Passos, PSD fala em “ferida aberta”

Diana Tinoco António Bilrero 12/05/2017 07:07

PS e PSD “descobriram” mais um motivo para litigar no parlamento. Socialistas recusam Teresa Morais para fiscalizar secretas

Na origem de mais este desencontro está o chumbo pelos socialistas do nome indicado pelos sociais-democratas para presidir ao conselho de fiscalização das secretas: a deputada Teresa Morais, uma das vice-presidentes de Passos Coelho no PSD.

A deputada foi proposta pelo PSD para substituir o social-democrata Paulo Mota Pinto como presidente do conselho de fiscalização do Sistema de Informações da República Portuguesa (CFSIRP) O PS, em abril último, tinha manifestado disponibilidade para apoiar a sua continuidade de Mota Pinto em funções. Só que agora, para o PS, Teresa Morais não tem o perfil indicado para as funções.

“Neste caso, o entendimento maioritário é que a pessoa em causa [Teresa Morais] não tinha o perfil adequado”, reagiu o líder da bancada, Carlos César. E reforçou: “A posição do PS é que a pessoa em causa não tem o perfil para o cargo e que é importante continuar a dialogar para que seja possível fazer essa eleição.”

As palavras de César dirigiram--se diretamente ao líder da bancada do PSD, Luís Montenegro, que horas antes tinha acusado os socialistas de terem aberto “uma ferida profunda no relacionamento interpartidário” com a recusa ao nome de Teresa Morais.

“O PS não é uma fotocopiadora” e por isso “não está obrigado na Assembleia da República a concordar com todos os nomes que lhe são propostos”, disse, em resposta ao PSD.

Esta é mais uma das eleições pela Assembleia da República onde são exigidos dois terços dos votos, o que tradicionalmente só é conseguido com a soma dos deputados socialistas e sociais-democratas.

Montenegro tinha acusado horas antes os socialistas de terem “uma visão sectária e totalitária” do regime e, com esta decisão, terem aberto “uma ferida muito delicada e profunda no relacionamento entre partidos políticos e no relacionamento institucional que gravita à volta da representação política” no parlamento.

Mas o líder da bancada do PSD não se limitou a criticar a decisão dos socialistas. Desafiou mesmo, “de forma muito séria e solene, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro a ponderar bem a gravidade da situação”, por forma a encontrar-se “uma saída para esta ferida agora aberta”.

Perante as palavras de Montenegro, César respondeu que o PS “não tem uma gestão totalitária da sua representação e cada deputado tem liberdade para avaliar aquilo que, no seu entendimento, é melhor a Assembleia da República designar em cada circunstância”.

E não deixou também passar em claro o apelo de Montenegro a António Costa. “Ao contrário do que acontece no PSD, o líder parlamentar do PS e o secretário-geral do PS articulam e coordenam eficazmente as suas posições”, atirou.

Lembrou ainda que o PS “é um partido de palavra e não subscreveria uma candidatura para que depois os deputados socialistas, no seu pleno exercício e com plena liberdade, não honrassem essa assinatura”, numa aparente alusão a um primeiro chumbo, registado há meses atrás, do nome de Correia de Campos para presidente do Conselho Económico e Social.

De acordo com a lei, o CFSIRP “é composto por três cidadãos de reconhecida idoneidade e no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, eleitos pela Assembleia da República”. A eleição dos respetivos membros é feita pelo período de quatro anos, tendo os dois atuais membros deste órgão tomado posse a 27 de janeiro de 2016, mantendo-se o seu presidente desde 13 de março de 2013. Integram o CFSIRP Paulo Mota Pinto, Filipe Neto Brandão e António Costa Rodrigues.

 

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×