18/10/17
 
 
António Ribeiro Ferreira 10/04/2017
António Ribeiro Ferreira
Opiniao

antonio.ferreira@newsplex.pt

A melhor fotografia de Aznar

O ex-primeiro-ministro espanhol não tem dúvidas em destacar a cimeira das Lajes, em 2003, como um dos seus grandes momentos na vida política. Tem toda a razão

Numa grande entrevista televisiva, José Maria Aznar destacou o seu encontro nas Lajes em 2003 com Barroso, Blair e Bush como a grande foto da sua carreira política. O ex-primeiro-ministro espanhol recordou, no momento certo e com uma rara oportunidade, uma cimeira que marcou o início da invasão do Iraque pelos Estados Unidos e o Reino Unido. Uma guerra levada a cabo com grande profissionalismo que arrasou por completo as forças de Saddam Hussein em poucos dias.

A intervenção foi justíssima e só países como a França, para não falar do irrelevante poder político em Portugal, fizeram questão de ficar de fora por oportunismo e falta de coragem. Uma cobardia que lhes está a custar muito cara anos depois. Se o então presidente Chirac pensava que tirava a França do radar dos terroristas, a realidade dos dias de hoje mostra, mais uma vez, que não se combate o terrorismo e os seus patronos de cócoras.

Não se combate o terrorismo e os países que lhe servem de base de treino e fonte de financiamento com cedências criminosas em matéria militar, económica, social e cultural. A intervenção militar de 2003 visou destruir o regime criminoso e terrorista de Saddam Hussein e o objetivo foi alcançado. O que falhou foi a política, a estratégia para o Iraque sem Saddam.

Um Iraque que ficou de um dia para o outro sem forças armadas, serviços secretos, forças policiais, tribunais e qualquer estrutura do Estado, algo que poucos observadores e analistas anteviram nos dias anteriores ao começo da guerra.

Aznar, ao contrário de Blair, Barroso e, em certa medida, do próprio Bush, sempre defendeu a intervenção militar e o apoio de Madrid à guerra contra Saddam. Aznar sempre foi coerente e não tem medo dos politicamente corretos que o voltaram a atacar por ter lembrado esse momento histórico vivido nas Lajes, momento que serve em Portugal para Barroso e Sampaio andarem a trocar galhardetes e a sacudirem a água dos esfarrapados capotes.

Voltando ao que importa, a lembrança de Aznar surgiu numa semana em que houve mais um ataque com armas químicas na Síria e Donald Trump ordenou um ataque de retaliação com mísseis a uma base aérea do regime de Damasco. Armas químicas que, para os pacifistas e marchantes contra a guerra de 2003, nunca existiram no Iraque, e não foram encontradas no pós-guerra porque tinham voado para outras paragens da região. Armas químicas que dizimaram milhares de curdos no Iraque, como mataram em 2013 e agora na Síria.

Armas químicas usadas tanto pelas forças do regime de Damasco como pelos terroristas que transformaram a Síria, desde a Primavera Árabe de 2011, num inferno. Um inferno apoiado com muito dinheiro e armas por uma Europa sem coluna vertebral e política externa, inferno alimentado pela administração Obama, grande responsável pelo desastre humanitário que atingiu como um tsunami a União Europeia.

Agora, depois de mais um ataque atribuído a Assad, Trump deu um pequeno sinal ao mundo, à Rússia e à Coreia do Norte que a sua administração vai ser bem diferente do desastre Obama. A comunicação social liberal e democrata americana, principal fornecedora de fake news do planeta, é bem capaz de justificar este ataque com a falsa polémica nos EUA sobre as ligações de Trump com os russos.

É bem capaz, na sua prodigiosa imaginação para produzir fake news, de afirmar que o ataque serviu apenas para desviar as atenções internas do inquérito à interferência russa nas eleições presidenciais. Sim, é bem capaz disso, mas por uma outra razão muito especial que andam a tentar esconder com toda a força e empenho.

É cada vez mais evidente que Trump e os seus assessores foram alvo de escutas acidentais durante a campanha, escutas que uma conselheira nacional de Obama impediu que fossem mascaradas ou destruídas. Um escândalo bem maior do que o célebre Watergate de Richard Nixon que os produtores de fake news andam afanosamente a tentar esconder da opinião pública norte-americana.

A verdade verdadinha é que Trump não mentiu quando denunciou as escutas. Verdade verdadinha é que o senador David Nunes não mentiu quando afirmou estar estarrecido com as escutas ilegais a que teve acesso.

Não, Donald Trump não atacou a Síria para desviar as atenções. Atacou a Síria para mostrar um cartão vermelho a quem ousou matar pessoas com armas químicas. Atacou a Síria para lançar um sério aviso a Moscovo. Atacou a Síria para lembrar à Coreia do Norte que o tempo da impunidade acabou. Atacou a Síria para avisar o presidente chinês, seu convidado em Miami na hora do ataque, que os EUA não deixam os seus aliados Japão e Coreia do Sul à mercê de um regime de loucos assassinos. E atacou a Síria para mostrar aos norte-americanos que a América vai ser grande outra vez, dentro e fora de portas.

Com Trump na Casa Branca não haverá Primaveras Árabes, países destruídos, mergulhados em guerras civis com milhares e milhares de mortos e milhões de refugiados. Trump mostrou ao mundo, três meses depois da posse, que os EUA vão recuperar o seu estatuto de grande potência. Não de polícia do mundo e exportador de democracias. Mas de uma grande nação que marca as suas linhas vermelhas na defesa dos americanos e da humanidade. Homens como Aznar e, agora, Trump fazem toda a diferença neste mundo de medrosos de cócoras.

Jornalista

 

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