O aumento do IVA foi uma das medidas impostas pelos credores que já está em vigor na Grécia, depois de ter sido aprovada no passado dia 15 de Julho pelo Parlamento helénico. Quando acordaram, esta manhã, os gregos tinham as portas dos bancos novamente abertas – ao fim de três semanas – mas tinham também vários bens e serviços mais caros.
Várias carnes, coco, vinagre, sal, flores, insecticidas e mesmo papel higiéinco passam agora a ter uma taxa de IVA de 23% ao invés dos anteriores 13%. A subida de dez pontos percentuais atinge também restaurantes e cafés, táxis e explicações, por exemplo.
A taxa sobre os transportes públicos deverá subir no próximo mês de Agosto.
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Entretanto, as vozes contra este programa de austeridade – e também contra o governo de Alexis Tsipras – vão ganhando volume. Paul Krugman, o Nobel da Economia, afirmou-se esta noite absolutamente chocado – e desiludido – com o facto de Alexis Tsipras não ter um plano B para o caso de os credores não cederem nas suas exigências.
“Nem sequer me ocorrou que eles [o governo do Syriza] tivessem tomado uma posição sem terem um plano de contingência…surpreendentemente, eles acreditaram que podiam apenas pedir melhores condições sem terem qualquer backup plan. Então obviamente isto é um choque”. No entanto, salienta Krugman, “é indiferente em qualquer dos casos…não é como se as condições que lhes foram oferecidas antes fossem realizáveis. Quero dizer, as novas condições são ainda piores, mas as que lhes foram oferecidas antes também não iam resultar. Portanto, talvez tenha sobrestimado a competência no Governo grego”, lamenta o economista em entrevista à CNN.
Também Wolfgang Münchau, colunista do Financial Times, afirma que a saída da Grécia do euro continua a parecer o cenário mais provável. O colunista critica também a falta de planos de contingência do Governo grego aquando das primeiras negociações com os credores. Münchau afirma que Tsipras não devia ter demitido Varoufakis, que tinha um plano razoável – na opinião do colunista – de introdução de uma moeda paralela no mercado – que basicamente serviria para as compras de bens e serviços internamente – o que ajudaria a aliviar a pressão do euro. Ou, no caso de o demitir, era suposto ele próprio ter um plano que não implicasse ceder em toda a linha aos credores internacionais.
Para Münchau, Tsipras falhou e fez um acordo “tão mau quanto os dos seus antecessores”. E, “a menos que a economia se comporte de forma totalmente diferente do que tem acontecido no passado”, diz Münchau, também este plano vai falhar, com a economia presa a um ciclo vicioso de financiamento e dívida.