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Espanha. Ministério Público converte rixa num bar em terrorismo

Espanha. Ministério Público converte rixa num bar em terrorismo

24/04/2018 16:56

Acusação pede penas para oito jovens que chegam a 62 anos de prisão por agressão a dois guardas civis e às namoradas num bar de Alsasua.

Aquilo que começou como uma altercação num bar de Navarra, entre dois guardas civis fora de serviço, que bebiam com as namoradas, e oito jovens de 19 a 24 anos, e que terminou com a agressão aos primeiros, poderá transformar-se num ataque terrorista se o Ministério Público espanhol conseguir provar em tribunal que se tratou de uso premeditado de violência terrorista contra os agentes e as suas namoradas.

Os factos aconteceram na madrugada de 15 de outubro de 2016, no bar Koxka, em Alsasua, localidade com muita presença da esquerda abertzale (independentista basca), e o julgamento está a decorrer até ao final desta semana em Madrid. Três dos acusados estão detidos preventivamente há quase dois anos (aqueles que as testemunhas de acusação dizem que atacaram o tenente e o sargento da guarda civil com maior violência e brutalidade).

O Ministério Público pede uma pena de prisão de 62 anos e meio para um deles, seis penas de 50 anos e outra de 12 anos e meio. A acusação atribui a sete dos oito acusados um total de quatro delitos de lesões com caráter terrorista, enquanto para Ainara Urkijo pede apenas uma pena de ameaça de lesão com caráter terrorista. E no caso da Audiência Nacional, onde o processo está a ser julgado, não considerar estes delitos, o MP pede pelo menos que os acusados sejam condenados por desordens públicas terroristas, atentado, lesões ordinárias e ameaças terroristas, com penas que oscilam entre 18 e 30 anos e meio. Justifica-se o MP que “ao longo dos anos na Comunidade Foral de Navarra se imbuiu num setor da população um sentimento de ódio à guarda civil”.

Até chegar ao tribunal máximo espanhol, o processo foi alvo de uma polémica sobre competências entre a Audiência Nacional e a Audiência Provincial de Navarra, já que o tribunal navarro considerava que não existia qualquer delito de terrorismo que justificasse a transferência do julgamento para Madrid. Acabou por chegar ao Tribunal Supremo, que decidiu a favor da juíza Carmen Lamela, da Audiência Nacional, que insiste estarmos perante um ato de terrorismo.

“Vivemos em Alsasua desde há muitos anos, aqui vive-se em paz, não entendemos as acusações”, dizem as mães dos acusados, citadas pelo eldiario.es. “Isto já se passou noutros sítios, houve julgamentos rápidos, quatro meses de prisão, multa para as duas partes”, acrescentam. Os advogados já lhes tinham dito para se preparem para que as penas pedidas fossem altas, mas nem eles mesmos esperavam que pudessem chegar a ser tão altas.

Ontem, para provar a ligação entre os autores do crime e o terrorismo, o representante do MP disse que dois dos jovens, Jokin Unamuno e Adur Ramírez de Alda, participaram a 3 de setembro de 2016, quando já estavam acusados e em liberdade provisória, na manifestação a favor dos presos da ETA, convocada por uma linha dissidente da organização basca. Unamuno foi também identificado como “responsável” do Ospa Eguna de 27 de agosto de 2016  – o Movimento Ospa é um movimento popular criado a partir da campanha Alde Hemendik (Fora de Aqui), destinada a expulsar a guarda civil do País Basco e de Navarra.

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