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Nádia Piazza. “Quem não for honesto na análise do que se passou em Pedrógão vai ser exposto”

Nádia Piazza. “Quem não for honesto na análise do que se passou em Pedrógão vai ser exposto”

Teresa Neto Marta F. Reis 12/10/2017 10:26

Associação de Apoio às Vítimas de Pedrógão Grande representa 47 das vítimas do fogo. Nádia perdeu o filho de cinco anos e promete não baixar os braços até ser feita justiça

Arranjou forças para mobilizar familiares das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. A dor é enorme, mas move-a a necessidade de justiça e de recuperação do direito e dever de autodefesa das populações esquecidas do interior, que escolheu para casa há mais de uma década. Aos 39 anos, Nádia Piazza lidera a Associação de Apoio às Vítimas de Pedrógão Grande. No fogo de 17 de junho perdeu o filho de cinco anos, o ex-marido, a sogra, e diz que hoje, na associação, todos os que sofreram o golpe da tragédia são também como família, com uma missão. Aguarda com expetativa o relatório da comissão de peritos nomeada pelo parlamento, que hoje será entregue em São Bento. Começa a chegar a hora da justiça, mas também de agirem eles, a comunidade. A hora de tornar a sociedade civil menos passiva, com direito a defender-se.

No próximo sábado, a associação organiza o primeiro encontro em Pedrógão Grande, sobre autoproteção e resiliência das populações. O que vos fez avançar para esta iniciativa?

O óbvio. Mas isto não foi uma coisa que surgiu só com a tragédia. Esta tragédia fez-nos mover, mas era algo latente naquela que é a massa crítica da região.

A perceção de perigo?

Sim. Os meus olhos estão menos habituados a esta paisagem, mas nos 16 anos que vivo em Portugal e nos dez anos que vivo nesta região, no interior, fui-me apercebendo disso.

A Nádia é brasileira. 

Sim. Nasci no Brasil, mas a minha ascendência é toda italiana. Mas quando cheguei cá, mesmo há dez ou 15 anos, a paisagem não era assim. A eucaliptização foi uma coisa brutal. Então se recuar 20 ou 30 anos, nada disto existia. De todo. Mas só posso falar do que vi, e quando cheguei havia mais aceiros, os eucaliptos não eram este contínuo que vemos hoje. Agora parecem cabelos, até dançam com o vento.

Alguma vez tinham tido algum susto?

Não. Apesar de haver incêndios todos os anos, nunca tínhamos sentido o fogo próximo de nós. Durante seis anos morámos numa aldeia aqui em Pedrógão, na Salaborda Nova. Há uns anos houve um incêndio na encosta e a nossa casa tinha uma vista grande para o fogo. Era uma coisa pequena, mas impressionante. Os bombeiros estiveram lá e um carro dos bombeiros ficou estacionado à frente de nossa casa durante o rescaldo. De madrugada levámos-lhes café, comida. Havia uma sensação de segurança. Nunca tínhamos sentido o fogo descontrolado... o que aconteceu foi um choque. Agora, se começarmos a olhar para as estatísticas, vemos que há um crescendo destas situações. Houve mortes em 1983, em 1986, em 2003, em 2005. Há um crescendo e isto tem de ter uma explicação. 

Que explicação encontra?

O abandono do interior. O Estado abandonou as regiões, com o Estado vão as empresas e com as empresas vão as pessoas.

É isso que vão discutir no encontro no sábado?

Sim, começa com este ponto de partida sobre o abandono do interior, com o facto de haver políticas florestais umas atrás das outras e de ninguém se entender. Com o haver administrações públicas e locais que levam anos para aprovar planos, e os municípios, nestas matérias, também acabam por se sentir reféns. Eu trabalho num município e sei de cadeira como são as coisas: os meses, anos que demora a aprovar um documento.

Culpa da centralização das decisões em Lisboa?

Em Lisboa ou mesmo nas administrações regionais. Sempre que se encontra um obstáculo, é preciso ir lá de novo. E muitas vezes existe uma não congruência entre umas regiões e outras que não se percebe, e os municípios não conseguem ter voz ativa, é como se fossem pessoas que não percebem nada daquilo. As entidades regionais e da administração central é que sabem tudo. 

Trabalha como jurista na Câmara de Figueiró dos Vinhos.

Sim, como jurista e consultora, também faço captação de investimentos. Mas acompanho os planos de urbanismo e ordenamento do território, vivo isto diariamente. Também há o facto de, muitas vezes, o corpo técnico não ser especializado, mas depois a legislação é caótica, confusa, Lisboa é que sabe como é e andamos assim.

Depois da tragédia houve uma série de medidas para a floresta, vai-se avançar com o cadastro florestal, limitar os eucaliptos. Como vê esta reforma?

Se aplicassem as medidas que já havia antes, duvido que a gente chegasse onde chegou. Mas o quadro legislativo é caótico e continua a ser. A reforma florestal… era preciso um orçamento para ela e, pelos vistos, não há um orçamento condizente com uma reforma que até é ambiciosa. Vai custar dinheiro colocar no terreno aquilo que está no papel. Devia ser dado no orçamento um sinal forte de que a resposta é por aí. Que conclusão é que se tira? É que se pretende recorrer sobretudo a fundos comunitários. Um Estado que dá um sinal claro à sociedade de que quer apostar na reforma florestal não fica dependente de fundos comunitários, sobretudo quando se vai entrar agora num período de reprogramação das verbas para 2020. 

Sentem que nestes quatro meses devia ter havido mais respostas por parte do Estado? 

É tão ampla, a pergunta…

Qual é o estado de espírito das pessoas que representa na associação? Sentem-se desamparadas?

Desamparados estivemos sempre. Estivemos antes, durante, depois. Acho que agora estamos mais lúcidos desse desamparo. A gente só se dá conta do risco quando passa por ele. Só nos damos conta de que estamos desamparados quando algo muito forte nos acontece, mas desamparados estivemos sempre. Há uma coisa engraçada, que não tem graça nenhuma: aqui, no interior, fomos aprendendo a não contar muito com o Estado. Como o Estado nos virou as costas, fomos aprendendo a não contar com ele. Mas em relação ao risco e às ameaças, passou-se outra coisa. Antigamente havia mais agricultura, as pessoas, o aldeão comum combatia o fogo, e isso era-lhe permitido.

Ouvimos pessoas nas terras, por exemplo, a dizer que usavam o contrafogo, o que hoje não pode ser feito ou só é feito quando os bombeiros deixam passar.

Também já o tenho ouvido. Antigamente, nas aldeias, havia sempre alguém que sabia fazer um contrafogo. As pessoas defendiam o que era seu. Claro que o coberto vegetal era diferente, não era este barril de pólvora que nós temos. Havia mais agricultura e pecuária, havia pinheiro, que também arde bem, mas havia a resinagem do pinheiro, e hoje há menos e, por isso, a resina alimenta o fogo. Mas esse saber fazer as coisas, estar preparado, nem era um direito que as pessoas tinham, aquilo eram as suas propriedades e as pessoas defendiam-se. Com o tempo, o Estado-tentáculo…

Que não faz nem deixa fazer?

São as palavras certas. O que é que aconteceu? O Estado assumiu tudo: fala de protocolos com os bombeiros, que a Proteção Civil será dotada de meios. Foi retirada às pessoas não só a perceção do direito como do dever de se defenderem. Aquilo que era um saber e costume que passava de pai para filho perdeu-se, já ninguém sabe fazer nada. E ficamos reféns, a palavra é essa, das entidades públicas ou associativas.

Um círculo vicioso?

Sim. Quando o Estado falha, ninguém sabe fazer nada. O direito à autodefesa, que é um direito constitucional, foi-nos sendo retirado - foi-nos dito que era algo para os especialistas. Nós temos de ficar passivos e o máximo que podemos fazer é pegar num telefone e ligar. Não funcionou… Quem conseguiu fugir, tentou fugir. As ligações não funcionavam, quando funcionaram não tiveram resposta e foram centenas de pedidos de socorro que não tiveram resposta.

Vemos isso na fita do tempo da Proteção Civil sobre o que se passou naquele sábado, com pedidos de socorro que não foram atendidos.

Eu estava em trabalho na Irlanda e quando cheguei, no domingo, fui à procura do meu filho, que tinha ficado com o pai. Se, quando eu cheguei, tive de fazer este périplo todo para encontrar o corpo do meu filho, para tirar o corpo dele...

Como é que uma mãe que perdeu o filho ainda tem de ir procurar o corpo?

É isso, e foi isso que nos moveu para criarmos a associação. E, como eu, todos os outros familiares. Saltou-me a tampa. O abandono foi de tal ordem... coloquei-me no lugar deles. Sou uma pessoa muito visual, aquilo que fui vendo e percebendo que aconteceu com eles…

Onde vai buscar a força?

Nele... Nós temos o direito de nos proteger. É por isso que queremos este encontro no dia 14. As entidades pareceram querer mostrar-nos que eram capazes, provaram que não eram. Estiveram ausentes.

Mas nestes quatro meses sente que mudou alguma coisa?

Acha que mudou alguma coisa? Nos últimos dias outra vez: Pampilhosa, Arganil. Morreu mais uma pessoa. Tiraram os postos de vigia a 1 de outubro! Aconteceu o mesmo em junho. Esta tragédia podia ter sido evitada ou minimizada se a fase Charlie tivesse começado mais cedo. Se se esquecessem os quadros legais e os calendários e se olhasse para a realidade: se as condições atmosféricas vão ser adversas, as coisas têm todas de ser definidas em função disso.

Houve críticas à forma como foram geridos os donativos dirigidos às populações afetadas pelo fogo. Sente-se essa descoordenação no terreno?

Os donativos vão aparecendo. O que revolta um pouco é que foram donativos das pessoas… enquanto nos impostos é obrigatório pagar, nos donativos há um fim específico. Lógico que tem de haver critérios e regras para a distribuição, senão era o caos total e pode haver aproveitamentos. Percebe-se que tenha havido uma tentativa de organização dos donativos, o que falta e continua a faltar é transparência. 

Há pessoas a passar dificuldades?

Há pessoas revoltadas porque tinham as coisas e deixaram de ter por responsabilidade do Estado, porque o Estado permitiu que chegássemos a esta situação. É isto. Foi a casa, foram as alfaias, foram os animais.

Tem havido relatos de algumas queixas sobre as forma como se pretende reconstruir as casas.

Sim. Ponto de partida: houve donativos, fala-se em 15 milhões de euros. É para reconstruir aquilo que as pessoas tinham. Naturalmente, se uma pessoa tinha uma habitação suscetível ao fogo, devem-se usar técnicas mais adequadas, mas não se pode tirar o direito à pessoa de ter a casa que tinha. Aqui, a nossa característica são as casas de xisto, é a marca turística na região. Se as pessoas tinham a casa em xisto, ainda que rebocada, é normal que não se reconstrua tudo em xisto porque é muito caro, mas é preciso manter alguma coisa, é haver aqui alguma sensibilidade, e não tem havido muita. O Revita [Fundo de Apoio às Populações e à Revitalização das Áreas Afetadas] obedece a regras estatais, outros fundos não, mas têm regras de eficiência… A construção vai demorar, vai, mas parece que está a haver tanta barganha… Barganha no número de quartos, se é T1, T2, que uma pessoa fica a pensar… 

Querem ajudar ou não?

Um pouco isso. É preciso envolver as pessoas nas decisões. Acho que é isso que tem faltado, quase que uma mediação em todo este processo. Temos uma população completamente descrente, as pessoas estão de pé atrás, vem uma entidade que supostamente é para construir e surgem obstáculos, marcam horas e não aparecem… A expetativa era grande e afrouxa. Isto há aqui muita psicologia envolvida e é isso: tem faltado mediação.

Esta quinta-feira é entregue o relatório da comissão de peritos ao parlamento. Qual é a expetativa?

Toda. Espero que venha a nu muita incompetência. Não é possível recriar aquilo que não houve ou provar ações que deviam ter acontecido antes, durante e depois do 17 de junho que não aconteceram.

O corte da estrada nacional 236-1?

O corte da estrada, o acionamento dos planos de emergência, o reforço de meios a partir de determinada hora.

E que foi pedido.

A linha do tempo da Proteção Civil é prova disso. Não há forma de escamotear o que não foi feito. Basta haver honestidade. Os peritos e especialistas que analisem a linha do tempo, as comunicações de emergência, quanto tempo duraram, se funcionaram, isto está tudo lá. Não é possível recriar o que não aconteceu ou dizer que se fez diferente. Estou muito confiante, e quem não for honesto nesta análise vai ser exposto.

Espera uma demissão política?

Eu não faço política. Mas exigimos atuações, responsabilidades, senão não tínhamos avançado para associação. E só avançámos por aí porque estarmos unidos seria melhor do que avançar individualmente.

Representam quantas vítimas na associação?

Temos 47 vítimas representadas e o número está a aumentar.

Já anunciaram que pretendem avançar para tribunal. Quando pensam fazê-lo?

Sobre o processo, não falamos. É a nossa faca. Respeitamos as investigações, depois deste relatório será entregue o do professor Xavier Viegas e há as investigações da PJ.

Foram ouvidos em todos os processos?

Sim, para os três. Participámos ativamente nas investigações, enviámos contributos, motivámos os nossos associados a testemunharem, mobilizámos a população. Estamos desde o primeiro mês a colaborar com todos, dos peritos à PJ, ativamente.

Portanto, não sentiram que o assunto morreu.

Sim, isso foi importante. Foi muito importante a Assembleia da República ter constituído a comissão de peritos e todo esse trabalho que sentimos que está a ser feito. E dá-nos força. Quando ouvimos uma centena de testemunhos, que indicámos às entidades de investigação, e que de forma sistemática dizem que não houve socorro, que não viram um carro de bombeiros de dia 17 para 18, que não houve comunicações, que não havia luz, que não havia água… Sabe o que é toda a gente a dizer isto? 

As pessoas acabaram por ter de tomar decisões-limite.

Muitas pessoas, por medo e pânico, ficaram presas em casa; outras, por medo e pânico, saíram na hora errada. Foi a decisão do momento, salvar os seus. A maior parte das pessoas que foram apanhadas na estrada tinham decidido fugir à última hora. E reproduzo o que me dizem, pessoas que passaram pelos carros ardidos e sobreviveram. Primeiro, não se via nada, era o fumo. Depois, o fumo e o ruído. Depois, a onda de calor e o fogo. O que as pessoas relatam é sistematicamente o mesmo, a mesma tentativa de sobreviverem. Não aparece uma pessoa a dizer algo diferente. A história está escrita, não dá para apagar. Só foi preciso montar o puzzle, identificar as pessoas, pô-las em contacto com os investigadores.

Foi criticada a rapidez com que a PJ falou de uma origem natural para o fogo, atribuindo-o a um raio.

Isso não muda nada. Fosse um raio fosse outra coisa: depois de o fogo deflagrar, isso não importa. É mais um elemento a apurar, mas não explica nada. A estrada podia ter sido cortada e as pessoas das aldeias terem entrado por outros caminhos. O que se passa é que algumas pessoas foram encaminhadas para a estrada e é relativamente a essas pessoas que a GNR tem alguma coisa a dizer, se bem que eles não sabiam nada, estavam às cegas. E eram poucos, eram todos muito poucos. E porque é que eram poucos? Por as pessoas poderem ir de férias, justificar faltas e ter licenças, tudo ao mesmo tempo. E de repente, com o território em risco máximo de incêndio, falta dispositivo. Qual era o número efetivo de bombeiros, de GNR? As investigações é que vão dizer. Nós tivemos uma perceção, agora venham os resultados e nós, depois, analisaremos. Espero que o relatório que será entregue na Assembleia da República seja público de imediato, como aconteceu com os outros relatórios pedidos pelo governo. E depois é escalpelizar. Naquilo que diz respeito às investigações temos de ter alguma calma, até porque está a ser rápido.

Consegue ter essa calma?

Tenho de ter.

Não pensou em ir embora depois do que aconteceu?

Tem sempre uma razão para ficar cá. Primeiro, fiquei cá porque gostava do meu marido, depois fiquei cá porque nos divorciámos e o meu filho tinha direito a ter o seu pai presente, e o Fernando era uma pessoa espetacular. Hoje fico porque quero apurar justiça em nome do meu filho, do meu ex-marido e da minha sogra, e de todas as outras pessoas. Já somos amigos. Na associação, já somos uma família.

Noutro dia, a Associação Portuguesa de Seguradores fez um balanço dos familiares diretos das vítimas que serão apoiados pelo fundo criado pelas seguradoras: 87 pessoas, das quais 11 pessoas que ficaram viúvas, 40 filhos que perderam o pai ou a mãe, 24 ascendentes, pais e avós… 

É muita gente sem gente. Já o escrevi uma vez e é mesmo esta sensação. Filhos sem pais, pais sem filhos, mulheres sem maridos. Um pai sem mulher e filhas, é tão chocante. Gerações que acabaram. O meu filho. Morreu o pai, morreu ele, morreu uma geração. É assim que o nosso Estado cuida das pessoas.

A Nádia está a ser forte, mas há muita dor nas suas palavras.

Sou um poço de dor.

Qual foi o gesto que mais a tocou nestes últimos meses?

Os investigadores, o empenho deles. Acredita nisso? Por isso tenho calma. Quando vemos que quem está a investigar está a fazer disso o seu dia-a-dia, o seu ar, temos calma. Vemos que eles também são humanos. Vemos que são pessoas que estão de corpo e alma naquilo. Muitas mulheres também, mas também homens. 

Que serão pais.

Sim. É uma questão de família, de humanidade. E foi isso que me tocou, esse contacto com os investigadores. Eles colocam uma barreira ao início, uma máscara, mas passado pouco tempo vemos que aquilo está a mexer com eles, que estão numa luta para fazerem bem o seu trabalho e não se desmancharem. E é disso que precisamos agora, é de empenho e força, não disto, de chorar. Mas uma pessoa também pode chorar, que uma pessoa que chora não é uma pessoa fraca, é uma pessoa de sentimento. E os sentimentos é que movem o mundo. 

Manter-se mobilizada acaba por ajudar a lidar com o sofrimento?

Sim, não caí em depressão porque não paro.

Regressa à estrada?

Passo lá todos os dias, tem de ser. Para visitar o meu sogro, para estar com as pessoas. Não há hipótese. Agora dói imenso, revolta. Há dias em que passo e dou murros no volante. Sobretudo no dia em que passei e vi a Ascendi a limpar os terrenos, toneladas de árvores cortadas.

Devia ter sido mais cedo?

Era preciso tirá-las, mas devia ter sido sempre.

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