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Millennials. Há 20 anos a sonhar com Hogwarts

Millennials. Há 20 anos a sonhar com Hogwarts

Shutterstock Ana B. Carvalho 29/06/2017 16:57

Há duas décadas que crianças e adultos se rendem ao fantástico mundo de Harry Potter. Aos que cresceram com ele, chamam-lhes millennials

Para uma geração com dificuldades em aceitar o passar do tempo, assombrada pelo medo de envelhecer (conclusão de um estudo da agência de marketing Mintel, em 2016), e que é várias vezes acusada de sofrer da “Síndrome de Peter Pan”, não deve ter sido fácil ouvir a notícia de que já passaram duas décadas desde que o primeiro livro de Harry Potter foi parar às estantes dos seus quartos.

É normal que os amantes do mundo criado por J. K. Rowling sintam a força da nostalgia, uma vez que o início da saga marcou a infância de todos e os acompanhou pela adolescência fora. “Quando fechei o último livro do Harry Potter chorei a tarde toda, era sinal que tinha chegado a hora de ser adulta. A minha infância morreu ali”, explica Inês que, aos 26 anos, que ainda relê muitas das passagens dos livros de Rowling.

Portugal teve sempre um especial carinho pela autora e no Porto turistas de todos os cantos do mundo querem visitar a livraria que inspirou J. K. Rowling na sua história, ou ver os trajes dos estudantes universitários da cidade, que dizem ter inspirado as fardas dos alunos da escola de feitiçaria de Hogwarts.

Eduardo, jovem de 25 anos do Porto, relembra que tinha 11 anos quando leu o primeiro livro de J. K. Rowling. “Encaixava na perfeição com a idade em que o Harry foi para Hogwarts”. Eduardo recorda que, por essa altura, já estavam publicados os três primeiros volumes e que só conheceu a saga graças aos filmes. “Nem gostava de ler e a minha mãe estranhou que eu quisesse ir à Bertrand comprar um livro (ela estava há anos a tentar estimular os meus hábitos literários!). Quando terminei o primeiro livro passei rapidamente para os outros e esperei pelos dias de lançamento dos seguintes, sempre a fazer contagem decrescente”, conta. Mas Eduardo e o avô levaram a magia a sério e daí que foram a um carpinteiro, ainda quando o neto andava no ensino básico, para “encomendar seis varinhas de madeira que ofereci a cada um dos meus amigos no primeiro dia de aulas” descreve com carinho.

Geração de ideais

A idade das personagens e dos leitores que seguiram o fenómeno coincidiam, mas também os valores e os contextos em que várias das personagens viviam fizeram com que a Geração i, a dos millennials, nascidos aproximadamente entre 1985 e 1995, se sentissem próximos do mundo de fantasia criado por Rowling.

Lara Prendergast, num artigo na revista semanal “Spectator”, afirma que “O ‘Potterverse’ é o universo dos millennials”. Segundo Prendergast, ele enforma a maneira como estes jovens se veem e como olham para o mundo, com uma imaginação moral. “Se já se perguntou por que os jovens são muitas vezes tão infantis nas suas políticas, ao quererem dividir o mundo entre progressistas tolerantes e reacionários perversos, isto ajuda a entender isso”, escreve a editora online da revista. Prendergast considera que J. K. Rowling moldou a consciência moral e política de toda uma geração. Isto porque os livros são sobre a luta entre o bem e o mal, assim como sobre o poder da magia. Ensinam que o fanatismo deve ser combatido a todo custo e que o respeito e a lealdade são critérios a celebrar.

Não é por isso estranho ver que a internet está repleta de artigos, memes e piadas criados por millennials em que comparam várias personagens da cena política atual com as da saga Harry Potter. A autora chegou mesmo a escrever um tweet, em 2015, sobre Trump em que o descrevia como pior do que Voldemort. Em protestos um pouco por todo o mundo, os cartazes com alusões à saga tornaram-se uma visão comum. Muitos são os movimentos anti-fascistas no mundo todo que utilizam personagens do universo Harry Potter para espalhar as suas mensagens. Um dos mais recentes foi em abril de 2017, quando o site “Irish News” noticiou que os estudantes de Harvard “criaram o seu próprio Exército de Dumbledore para contrariar Donald Trump”.

 

Foi a 26 de junho que o mundo Muggle foi invadido pela fantástica possibilidade de viajar pelos cantos e recantos de Hogwarts, a escola para feiticeiros criada por J. K. Rowling. Na lista dos livros mais vendidos de sempre, o sétimo lugar é ocupado por "Harry Potter e a Pedra Filosofal", com 107 milhões de exemplares vendidos. 

Assinou o primeiro livro como “J. K. Rowling” para que não se soubesse de imediato que a autora era uma mulher. As suas obras fantásticas tornaram-se de tal forma famosas e bem sucedidas que Rowling terá sido a primeira pessoa a tornar-se bilionária apenas com a venda de livros. Estima-se terem sido vendidos mais de 500 milhões de exemplares, traduzidos em 70 línguas.

A pronúncia do nome da personagem Hermione sempre levantou muitas dúvidas. Em cada país, as pessoas pronunciavam de forma diferente o nome da jovem feiticeira. Daí que, em 1999, J.K. Rowling admitiu que muitas pessoas lhe perguntavam qual era a forma correta de o dizer. É no “Cálice de Fogo” que Hermione confirma a fonética do seu nome de uma vez por todas para Viktor Krum e, consequentemente, todos os leitores.

Segundo o “Huffington Post”, quando Alfonso Cuarón assinou o contrato para filmar o “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, pediu aos três protagonistas para escreverem um texto sobre as suas personagens. Emma Watson escreveu 16 páginas sobre Hermione, Daniel Radcliffe escreveu uma página sobre Harry Potter e Rupert Grint não chegou a entregar o trabalho.

Em 2011, o diário britânico “The Telegraph” escrevia sobre o facto de o Ministério do Ambiente da Índia avisar a população sobre as 30 espécies de corujas que estavam em risco, graças às inúmeras famílias que quiseram oferecer corujas às suas crianças, admiradoras da saga Harry Potter, como animais de estimação.

JK Rowling alimentou a curiosidade dos seus seguidores ao longo de todos estes anos. Em 2007, a autora contou ao mundo que o adorado diretor de Howgarts, Dumbledore, era gay. Na altura, uma fã pediu à autora que esclarecesse esse facto, já que não conseguia “encontrar nada que o fizesse parecer gay”. Ao que a autora respondeu: “Talvez porque os gays simplesmente se parecem com pessoas?”

Foi o editor da escritora quem lhe sugeriu que usasse as iniciais, em vez do seu nome real, para que conseguisse atrair mais leitores masculinos. Joanne escolheu J. K., tomando emprestado o “K” do nome da sua avó, Kathleen. No entanto, nem “Kathleen” nem “K.” fazem parte do nome que aparece nos seus documentos de identidade.

O livro mais vendido em apenas um dia de toda a história foi o último da saga que marcou toda uma geração, lançado em 2007. Os números falam por si. Nos Estados Unidos da América, em apenas 24 horas, foram oito milhões e 300 mil os exemplares vendidos. Em Inglaterra também nunca tantos livros tinham sido comprados em apenas um dia: 2.652.656 exemplares.

Todos os fãs de Harry Potter, quando viajam para a capital britânica, sabem que há um lugar obrigatório a visitar. É a estação de King’s Cross, onde o famoso Expresso de Howgwarts parte a caminho da mais famosa escola de feitiçaria do mundo. E a verdade é que a autora escolheu esta estação por um motivo especial: foi ali que os seus pais se conheceram, quando estavam a caminho da Escócia.

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