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PSD. Que se lixem as eleições (mas em Sintra)

PSD. Que se lixem as eleições (mas em Sintra)

José Sérgio Sebastião Bugalho 03/02/2017 07:03

Processo autárquico continua polémico nas lides sociais-democratas. As eleições locais pautam a agenda interna do PSD. Na bancada, também

Quando Pedro Pinto falou na comissão política nacional do PSD, esta semana, caiu um silêncio respeitador na sala.

Daquela reunião de dirigentes sociais-democratas saíram 46 nomes para as autárquicas deste ano e um deles era o de Marco Almeida, o independente que suplantou a candidatura do PSD em Sintra em 2013, depois de abandonar o PSD, ficando à frente de Pedro Pinto mas não chegando a derrotar Basílio Horta, que foi eleito presidente da Câmara Municipal de Sintra com o apoio do Partido Socialista. Na altura, Marco Almeida ficou a uns escassos 1700 votos de ganhar.

Pinto, naturalmente, teria a expetativa de concorrer novamente ou, pelo menos, de não ver o seu próprio partido apoiar o homem que ficou à sua frente na última ida às urnas para a liderança do município. “Ele falou com muita elevação e dignidade; toda a gente naquela sala está solidária com ele”, aponta um membro da comissão política social-democrata.

Carlos Carreiras, o coordenador autárquico do PSD para este ano, interveio de seguida, procurando apaziguar a situação, numa lógica de que eram necessários certos sacrifícios pelo partido em determinadas alturas, apurou o i.

Mas a intervenção mais surpreendente veio do líder do partido, Pedro Passos Coelho, que chamou a atenção para o facto de ser conhecida a intenção de Marco Almeida – o agora oficial candidato do PSD – convidar António Capucho para a encabeçar a sua lista à assembleia municipal.

Ontem, o i noticiava que Passos deixara transparecer o seu constrangimento por ter alguém expulso do partido em 2014 – precisamente por apoiar Marco Almeida contra o PSD – a fazer campanha para as autárquicas no mesmo concelho em que ele próprio reside. “O presidente do partido falou em amor- -próprio. E claro que também foi de compreensão geral. Trata-se de uma situação caricata que o líder do PSD não possa fazer campanha no seu próprio concelho”, revelou também ao i a mesma fonte, reservada ao anonimato.

O i sabe que no círculo de Marco Almeida foi imposto um silêncio no que toca a declarações públicas sobre este tema, mas que há esperança que seja possível conciliar agendas, no sentido em que Passos Coelho esteja ao lado do candidato independente em dias que não coincidam com António Capucho, fundador do PPD/PSD.

Estatutariamente, o líder do partido pode sempre ter uma palavra sobre o candidato à presidência da câmara municipal – neste caso, Marco Almeida –, mas o único veto legal que poderia ser invocado contra a nomeação de António Capucho para a assembleia Municipal caberia ao presidente da distrital respetiva – aqui, Miguel Pinto Luz, que lidera os sociais-democratas do distrito de Lisboa e é próximo da direção de Passos. Esse veto não terá sido, até à data, ponderado.

Ao que o i apurou, Passos Coelho optou por manter o máximo resguardo em relação à situação em Sintra. “A ideia que o Marco Almeida tem de uma vitória certa não é muito realista, por isso ninguém quer dar-lhe possíveis desculpas para o caso de perder”, aponta um parlamentar laranja. “Se ele quer o Capucho, leve o Capucho. Aquilo que ele quiser é aquilo que ele vai ter.”

Assim como nos restantes processos autárquicos mais complexos, Passos delegou as responsabilidades na coordenação autárquica e nas estruturas locais, intervindo somente quando absolutamente necessário – caso de Lisboa, depois da implosão da concelhia social-democrata da capital.

Desde o último congresso do partido que altos quadros do passismo como Teresa Morais, Luís Montenegro ou Hugo Soares garantem que o resultado autárquico não terá qualquer tipo de repercussão na liderança, e o modo como Passos se protege das eleições locais deste ano vai nessa linha.

Mas a bancada...

Mas com José Eduardo Martins a dizer que se demitiria se fosse Passos e não conseguisse mais câmaras que o PS, transbordou a noção de que um desaire autárquico poderá obrigar a direção atual a tomar medidas. A questão da liderança de bancada, que tem de ir a votos em novembro deste ano, vem logo a seguir às autárquicas, que serão marcadas entre setembro e outubro. Com a discussão do Orçamento do Estado para 2018, a reação às autárquicas e a liderança da bancada, Passos poderá convocar antecipadamente o congresso de modo a reafirmar a sua liderança.

Tal faria com que as eleições internas, seja para a distrital de Lisboa, do referido Miguel Pinto Luz, seja para a presidência do grupo parlamentar, do também referido Luís Montenegro, fossem adiadas até o partido ir a congresso.

Na horizonte social-democrata, o calendário já se posiciona. As autárquicas são só o tiro de partida.

 

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