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‘Quando o Governo precisar de nós não vai ter o PSD’

‘Quando o Governo precisar de nós não vai ter o PSD’

Luís Claro 28/01/2017 21:55

Passos avisa António Costa que não pode contar com o PSD e aproveita guerra sobre a TSU para animar o partido.

O clima de crispação entre o PS e o PSD só tem paralelo com o período a seguir à crise política de 2015, após a decisão dos socialistas de inviabilizarem o Governo de Passos Coelho para construírem a ‘geringonça’. Passos abrandou para «dar tempo ao Governo», diz fonte próxima, mas a partir de agora a estratégia é endurecer a oposição.

A tensão foi evidente nos debates sobre a descida da Taxa Social Única (TSU). «Nós não vamos ser uma espécie de peça sobressalente da ‘geringonça’. Quando o Governo precisar de nós não vai ter», diz ao SOL o vice-presidente do grupo parlamentar Hugo Soares.

Passos deixou claro no debate quinzenal que o PS fica por conta do BE e do PCP. «Conte, em princípio, com a nossa oposição», disse ontem o líder do PSD, dirigindo-se ao primeiro-ministro. «O PSD não está na Oposição nem para fazer a vida fácil ao Governo, nem para substituir o PCP ou o Bloco quando eles lhe falham», acrescentou.

O recado está dado e chega numa altura em que a convicção dentro do PSD é que a agenda da ‘geringonça’ está esgotada e vão começar a acentuar-se as divergências. As parcerias público-privadas (PPP) na saúde ou a legalização de empresas como a Uber podem ser as próximas guerras dentro da base de apoio ao Governo. Ao SOL, Hugo Soares diz que a hipótese de se repetirem situações como a da TSU «só depende de quantas vezes mais o BE e o PCP mostrarem ao país que não apoiam o Governo».

O deputado social-democrata garante, porém, que a perceção que existe de que o partido mudou de estratégia «não corresponde à realidade», porque a mudança foi do lado da ‘geringonça’. «Foi a primeira vez que o BE e o PCP tiraram o tapete à palavra e ao compromisso do primeiro-ministro».  

‘O PSD não pode fazer uma oposição intermitente’

Nesta quinta-feira, Passos, na reunião do grupo parlamentar, garantiu que não vai facilitar a vida ao Governo. E os deputados gostaram de ouvir o líder.

«Esta posição em relação à descida da TSU deu maior união ao grupo parlamentar e os militantes estão satisfeitos. Se ele quer governar que governe sem o PSD», diz um dos deputados. Sérgio Azevedo, vice-presidente da bancada, em declarações ao SOL, avisa António Costa e «alguns críticos internos» de Passos que «o PSD não está à disposição do Governo para os jeitinhos inconvenientes e para as medidas difíceis e impopulares como se fosse um idiota útil». Leitão Amaro, outro vice-presidente da bancada, prevê que as tensões vão agravar-se entre o Governo e os partidos que o apoiam: «Costa tinha a expectativa de enganar duas vezes os portugueses. Primeiro, quando prometeu uma maioria estável, que não tem; depois, quando quis continuar a governar à custa do maior partido da oposição. A maioria de esquerda serviu para reverter, mas não serve para governar. A fragilidade da maioria só vai agravar-se ao longo deste ano». Virgílio Macedo, deputado e ex-presidente da distrital do Porto, alinha com a estratégia de que «o PSD não pode fazer uma oposição intermitente».

Com sondagens fracas e a oposição interna a crescer, Passos viu na TSU a oportunidade de renascer.

Furiosos com  Costa e o Diabo

Os deputados do PSD ficaram indignados com a resposta de António Costa ao líder do PSD, no debate quinzenal, sobre o défice. Passos perguntou ao primeiro-ministro qual o valor do défice sem medidas extraordinárias e cortes no investimento público. «Terá a resposta quando o Diabo cá chegar», foi a resposta de Costa.

Os sociais-democratas não gostaram e protestaram de forma veemente. «Reagiu como um menino malcriado, insolente e mimado. Fez lembrar Trump. Quando percebe que não tem razão parte para o insulto», diz Duarte Marques. Sérgio Azevedo reagiu nas redes sociais e considerou que «quando um primeiro-ministro responde assim a um deputado é porque se atingiu o grau zero do sistema». Luís Vales, outro deputado social-democrata, considera que a resposta de Costa «prova que não tem nível para ser primeiro-ministro. É uma vergonha». E António Costa Silva classifica a resposta de Costa como uma «falta de respeito ao Parlamento e à democracia».

*com Sebastião Bugalho

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