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Revolta na bancada do PSD por causa de Fidel

Revolta na bancada do PSD por causa de Fidel

Shutterstock Margarida Davim 30/11/2016 13:04

Os votos de pesar pela morte de Fidel Castro aprovados ontem no Parlamento estão a provocar uma revolta na bancada do PSD. Vários sociais-democratas não gostaram de receber indicação de voto no sentido de se absterem nas propostas apresentadas por PS e PCP. Houve quem saísse da sala e quem furasse a disciplina de voto

Um dia depois da aprovação que dividiu o Parlamento, o voto de pesar pela morte do líder cubano continua a dar que falar na bancada social-democrata.

Ontem, cinco deputados do PSD - dois deles líderes de distritais - resolveram votar contra o voto de pesar pela morte de Fidel, furando a orientação de voto da direção da bancada parlamentar.

Hoje, ficaram a saber que o voto contra deverá ser comunicado ao Conselho de Jurisdição - como acontece quando se fura a disciplina de voto - e que poderão mesmo vir a ser alvo de processos disciplinares.

Pedro do Ó Ramos, da Comissão Política Nacional do PSD, Bruno Vitorino, líder da distrital de Setúbal, Pedro Alves, presidente da distrital de Viseu, Costa da Silva, ex-líder da distrital de Évora, e a deputada eleita por Viana do Castelo, Emília Cerqueira, podem agora vir a ser alvo de processos disciplinares por terem votado contra o voto de pesar.

Além dos cinco que votaram contra, vários deputados sociais-democratas saíram da sala durante a votação.

Segundo o relato de um social-democrata terão sido cerca de 20 os que preferiram sair do hemiciclo, estando as ex-ministras de Passos Coelho, Maria Luis Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz, entre os que abandonaram a sala para não votar.

A indicação de sentido de voto apanhou de surpresa os deputados do PSD, uma vez que não é habitual haver disciplina de voto quando se trata de votos de pesar.

"É um absurdo. O PSD não tem de participar em atos de branqueamento de um ditador, abstendo-se num voto como o do PCP que descrevia Fidel como um dos promotores da paz no mundo", ataca um deputado social-democrata, explicando que se trata de um voto de pesar por uma morte que é também "um documento político que tem conteúdo".

Os cinco deputados do PSD que votaram contra vão apresentar declarações de voto. Mas não são os únicos. No final da votação, houve vários deputados que se abstiveram mas que quiseram juntar uma declaração de voto para justificar o sentido da sua votação.

Contactado pelo i, o vice-presidente da bancada do PSD, Hugo Soares, remeteu explicações para o líder parlamentar, Luís Montenegro, que não esteve disponível para comentar.

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