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Educação. O ministro das trapalhadas e das guerras com ajudantes

Educação. O ministro das trapalhadas e das guerras com ajudantes

Jornal i António Ribeiro Ferreira 14/04/2016 19:12

O cientista que Costa pôs à frente da Educação tem sido um caso sério de erros e trapalhadas. Tiago Brandão Rodrigues acabou com os exames e anunciou provas de aferição este ano para os 2.º, 5.º e 8.º anos. Falhou. De obrigatórias passaram a facultativas, depois de Marcelo ter ameaçado vetar o diploma. Agora vê um secretário de Estado bater com a porta em profundo desacordo com as suas políticas

O novo

João Paulo Rebelo e o escândalo da Movijovem

A história é de abril de 2011, estava o segundo governo de José Sócrates a acabar. O “Correio da Manhã” dava conta de que “a Movijovem, entidade tutelada pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, e que gere as Pousadas de Juventude, fez pagamentos adiantados de quase 900 mil euros a nove empresas sem que estas iniciassem as obras contratadas para a reabilitação e melhoria da eficiência energética de várias pousadas. Duas dessas empresas, a Monterg Construções, do Grupo Lena, e a Autonomia – Recursos Renováveis, foram contempladas com contratos de valor superior a 300 mil euros, sujeitos a visto obrigatório do Tribunal de Contas”

E continuava o jornal: “Porém, nenhuma dessas empreitadas teve ainda início e desconhece-se mesmo a data em que devem começar as obras.”

E quem era então o responsável pela Movijovem? Nada mais nada menos do que João Paulo Rebelo, o homem a quem hoje Marcelo Rebelo de Sousa dá posse como novo secretário de Estado da Juventude e do Desporto. E que dizia o agora membro do governo sobre os dinheiros avançados pelo organismo que tutelava? João Paulo Rebelo, presidente da Movijovem, justificava a decisão de pagar adiantado com o próprio atraso no início das obras, previstas para começarem em 2010. Os trabalhos não terão avançado “por falta de transferência das verbas por parte do Ministério das Finanças”. Dos mais de 2,1 milhões de euros previstos para a melhoria da eficiência energética nas Pousadas de Juventude, só foram transferidos para a Movijovem, no início de 2011, cerca de 900 mil euros.

Mas as relações com o Grupo Lena eram bastante fortes. Contava o “CM” que a relação da Movijovem com a Monterg tinha vários pontos de contacto. Desde logo, a Monterg, empresa responsável pelo isolamento térmico nas Pousadas de Juventude, e a Ecochoice, consultora contratada pela Movijovem para escolher as firmas que deveriam ser contratadas, tinham uma coisa em comum: a Monterg é detida pelo Grupo Lena e a Ecochoice foi constituída em 2007 com capitais do Grupo Lena.

“A Ecochoice apareceu em agosto de 2009, quando o Ministério das Finanças nos dá 20 dias para preparar todo o projeto”, disse então o presidente da Movijovem. Segundo João Paulo Rebelo, a Ecochoice foi sugerida à Movijovem por Alexandra Alvarez, vogal da direção da Movijovem. “Alexandra Alvarez tinha conhecimento da Ecochoice e a empresa foi convidada pela direção da Movijovem para apresentar uma proposta.” O contrato foi realizado por ajuste direto.

Mas quem é que descobriu João Paulo Rebelo? Foi Pedro Silva Pereira, então ministro da Presidência, quem o nomeou para a direção da Movijovem como vogal, em 15 de maio de 2006. A 31 de maio de 2007 foi promovido a presidente do organismo que gere as Pousadas de Juventude. O seu mandato terminava em maio de 2010, mas foi reconduzido no cargo por mais três anos.

Agora, cinco anos depois, é premiado com um lugar no governo de Costa.

O antigo

João Wengorovius Meneses e a guerra com o ministro

A mensagem foi colocada no Facebook terça-feira à noite: “Deixo hoje o XXI Governo Constitucional, convicto de que tinha um bom projeto e uma excelente equipa – e de que estávamos no caminho certo –, contudo, em profundo desacordo com o Sr. Ministro da Educação no que diz respeito à política para a juventude e o desporto, e ao modo de estar no exercício de cargos públicos. Continuo convicto de que temos um excelente Governo, capaz de ser bem-sucedido num momento político tão decisivo. Votos de sucesso ao Governo. A tod@s os interlocutores da juventude e do desporto com quem tive oportunidade de trabalhar, muito obrigado.” Assim, em desacordo com a política e o modo de estar no exercício de cargos públicos. Duas monumentais ferroadas em Tiago Brandão Rodrigues, o ministro que começou por ser uma surpresa no governo de Costa e está todos os dias a mostrar que pode ter sido mais um enorme erro de casting do primeiro-ministro. Quanto às razões concretas, uma fonte conhecedora do processo adiantou ao i que as relações entre o ministro e o secretário de Estado há muito estavam degradadas. Segundo essa fonte, Tiago Brandão Rodrigues considerava a escolha de João Wengorovius Meneses um verdadeiro erro de casting. Em primeiro lugar, não sabia nada de desporto e, em segundo, nos meses que esteve no governo nunca apresentou qualquer projeto, nem para a área da juventude. Um episódio que deixou o ministro embaraçado aconteceu numa entrevista ao “Público”. O secretário de Estado falou numa agenda para o desporto e, quando foi interrogado sobre o conteúdo da agenda, respondeu que “não o conhecia”. Outra situação desagradável foi a demissão imposta pelo ministro de um adjunto do gabinete de Wengorovius que terá passado informações a um blogue de uma reunião com professores. O ambiente entre ministro e secretário de Estado deteriorou-se de tal forma que os dois já não se reuniam há dias.

O que era para ser

José Fanha Vieira e o azar chamado Bruno de Carvalho

José Fanha Vieira, de 45 anos, foi assessor de Laurentino Dias na Secretaria de Estado do Desporto entre 2005 e 2008, foi vice-presidente do Instituto do Desporto de Portugal e é o sócio 35 333 do Benfica, para além de ser socialista. Claro que José Eduardo Fanha Vieira estava apontado para secretário de Estado da Juventude e Desporto. Mas uma imagem partilhada a 7 de outubro, na qual Pedro Proença exibia um quadro que lhe fora oferecido por Bruno de Carvalho no âmbito de uma homenagem do Sporting ao ex-árbitro, no início de março, deitou tudo a perder. “Ou o Pedro Proença ofereceu o retrato ao Bruninho ou pediu-lhe um retrato com um leãozito. Parece-me que o MP [Ministério Público] tem de esclarecer esta situação”, lia-se na legenda escrita por José Fanha Vieira. Bruno de Carvalho não perdeu tempo a responder: “Podemos, a ser verdade o teor do anexo a este post, vir a viver uma nova era que já não é de promiscuidade, mas sim de falta de vergonha total. Vamos esperar que o bom senso impere e que o anexo esteja enganado.” E José Fanha Vieira já não foi para o governo.

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