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Pinto da Costa. Trinta anos de fintas à Justiça

Pinto da Costa. Trinta anos de fintas à Justiça

Pedro Rainho 06/01/2016 12:44

São trinta anos de histórias com Pinto da Costa à frente do FC Porto. A lista de acusações é muito variada, mas até hoje nunca foi condenado. É obra.

Está a contas com a justiça por ter ido recrutar os seus guarda-costas a uma empresa de vigilância. Antes, e numa lista que já vai extensa em “casos”, foram as acusações

de corrupção, as suspeitas de ter mandado agredir responsáveis políticos e ex-jogadores do seu clube e outros tantos processos que redundaram sempre no mesmo
– absolvições.

Uma e outra, por vezes já no limite. Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, 78 anos (feitos há uma semana), presidente do FêQuêPê há mais de três décadas. O líder incontestado. Dono e senhor do trono. “Nunca fui condenado por um juiz”, lembrava há poucos anos.

O Apito Dourado foi “o” processo contra Pinto da Costa. O presidente do FC Porto era suspeito de ter comprado árbitros. Os pagamentos seriam feitos com entregas de dinheiro e, em alguns casos, recorrendo a serviços de prostituição. Os jogos remontam à época de 2003/2004, num tempo em que no banco do FC Porto se sentava um senhor chamado José Mourinho. Oito anos e um livro depois, Pinto da Costa acabou absolvido por falta de provas contra si.

Fruta que não vem em cestos Passados todos estes anos, as escutas feitas pela Polícia Judiciária ao presidente do FCP continuam disponíveis na internet – há vários vídeos no Youtube – para quem quiser ouvi-las.

Momentos antes do jogo entre o Porto e o Estrela da Amadora, o empresário de futebol António Araújo liga a Pinto da Costa: “Ligaram para mim a pedir-me fruta para logo à noite. Posso levar fruta à vontade?”, pergunta o empresário.

A fruta, na verdade, seriam prostitutas. Uma alegada oferta do clube ao árbitro Jacinto Paixão detetada numas escutas que nunca chegaram a produzir efeitos porque terão sigo obtidas de forma ilegal.

O caso do envelope Da Amadora para Aveiro. O Beira-Mar era o adversário do Porto em Abril de 2004 num jogo que deu lugar a outro “apêndice” do mega “Apito Dourado”.

Pinto da Costa e António Araújo, arguidos – juntamente com o árbitro Augusto Duarte –, eram acusados de corrupção ativa desportiva por terem pago ao responsável da partida.

Um dia antes do jogo – que o Porto venceu por 2-0 –, Augusto Duarte vai a casa de Pinto da Costa. É Carolina Salgado quem conta em tribunal que, nesse encontro, terá sido entregue um envelope a Duarte. No interior, 2500 euros em dinheiro.

O encontro, diria mais tarde a juíza Catarina Almeida, foi considerado “suspeito” e “imprudente”, mas as “contradições” da ex-companheira de Pinto da Costa esvaziaram o seu depoimento de credibilidade. O presidente do FC Porto acabou absolvido em Abril de 2009.

O meu apito dourado O processo Apito Dourado foi de tal forma relevante para Pinto da Costa que, há alguns anos, o dirigente portista deixou uma garantia. Quando deixar a presidência do clube vai escrever um livro sobre o assunto. E já tem título: “O meu apito dourado”.

Carolina Salgado - A dor de cabeça chega depois

Durante alguns anos, Carolina Salgado foi a fiel e inseparável companheira de Pinto da Costa. Mas com o fim da relação vieram uma série de dores de cabeça para o presidente do FC Porto.

Em 2007, Carolina Salgado acusou o dirigente portista de ter mandado espancar e coagir uma das testemunhas – Paulo Lemos – chamadas para depor contra a sua ex-companheira. Lemos foi uma peça-chave para que o DIAP do Porto acusasse Carolina de tentativas de agressão ao médico Fernando Póvoas e de ter mandado incendiar os escritórios de Pinto da Costa e do advogado Lourenço Pinto.

Houve ainda o “Eu, Carolina”. Em 2006, o livro que editou, e em que conta muitas das vivências com o dirigente portista, Carolina levou a que o então Procurador-geral da República Pinto Monteiro criasse uma equipa especial para o “Apito Dourado”, sob direção de Maria José Morgado.

Nessa sequência, em 2010 Carolina Salgado acabou condenada a 300 horas de trabalho comunitário por “difamação”. A mulher imputava a Pinto da Costa a autoria moral das agressões de que o vereador do PS em Gondomar Ricardo Bexiga fora alvo. 

As agressões - Os mensageiros chamados Super Dragões

É outro dos casos que andou muito perto de Pinto da Costa, sem consequências para o próprio. Em 2009, elementos dos Super Dragões, a claque do clube, foram acusados de espancar Adriano, causando-lhe um traumatismo craniano. O jogador tinha contrato com o clube até 2010 e a intenção seria intimidá-lo a abandonar o clube. O próprio Adriano falava de um episódio semelhante, em que a vítima tinha sido Paulo Assunção. Costinha, Co Adriaanse e Luís Fabiano foram outros futebolistas a reportar casos de violência de que foram vítimas. O dedo foi sempre apontado à claque, nunca ao presidente do clube.

Bruno Pidá - A aparição de 2004

Há oito anos, Bruno Pidá, apontado como o líder do gangue da Ribeira, no Porto, foi condenado a 23 anos de prisão pela morte do segurança Ilídio Correia. Poucos o conheceriam até esse momento. Também poucos o reconheceriam de breves imagens de 2004, quando o jovem integrava um grupo de elementos dos Super Dragões que protegiam Pinto da Costa na chegada ao tribunal de Gondomar. 

Guarda Abel - O agente da PSP e guardião do FCP

Abel Gomes era um agente da PSP que costumava estar de serviço no antigo Estádio das Antes. No início da década de 1991, depois de uma partida com o clube do norte, responsáveis do SL Benfica acusaram-no de ser o autor de agressões à comitiva benfiquista e ameaças de morte ao então presidente João_Santos. Suspeitava-se de que o guarda Abel teria agido a mando de Pinto da Costa. O caso foi entregue ao ministro da Educação (com a tutela do desporto), mas não teve consequências.

Afonso de Melo - Estrasburgo nega condenação

Um caso em que Pinto da Costa é o queixoso. A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem chegou em 2014: o presidente do FC Porto perdia um processo contra o jornalista que acusava de difamação. Em causa, uma passagem do livro “A Pátria Somos Nós”, em que escrevia: “Não importa que o presidente [Pinto da Costa] fosse suspeito em casos de corrupção e tráfico de influências: quando vivemos momentos de desertificação intelectual, qualquer asneira propagada aos quatro ventos parece uma ideia brilhante”.

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