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O que a mochila às costas uniu nada pode separar

O que a mochila às costas uniu nada pode separar

06/01/2012 03:00

O pior de correr o mundo de mochila às costas é ter a mochila às costas. Quem o diz é José Castro Caldas que em 2011 passou dois meses a viajar pela América do Sul com António Caetano de Faria para finalmente pôr em prática o projecto que há anos tinham vontade de concretizar: fazer um documentário.

A oportunidade surgiu com a ida de José para a Argentina através do programa Inov Arte e o tema, backpaking que é como quem diz viajar de mochila às costas, surgiu naturalmente: “Representa a nossa geração e poderá distinguir-nos no futuro. Quisemos perceber porque é que as pessoas andam a fazer isto, e se calhar, no futuro, teorizar acerca do que esta geração que vai conhecer no mundo inteiro, poderá mudar”, explica José.

A maioria dos viajantes “têm entre 23 a 30 e poucos anos, vêm do primeiro mundo, até porque são os que têm dinheiro para viajar, e apesar de ser uma geração que tem acesso a tudo, mesmo assim quer ver, quer conhecer, pôr em causa e perceber porque é que, por exemplo, o Iraque é perigoso.”

O documentário, de seu nome “Rutz”, cujo trailer pode ser visto na página do Facebook (é só procurar por Rutz) feito apenas pelos dois amigos de infância, ambos de 30 anos, está em fase final de produção, com as imagens já editadas e a banda sonora no bom caminho. Mas ainda há uns ajustes a fazer. Para isso, seria necessário procurar apoios, não só para questões técnicas, mas para complementar o próprio filme: “Queria ir a Macau [onde vive António] fazer mais uma parte do documentário. Temos a ambição de filmar lá e em Hong Kong para dar uma componente global ao filme. Isto não é um filme sobre a América do Sul, este destino foi apenas um acaso. O passo seguinte é levar o documentário a festivais e, possivelmente, à televisão.”

Viajar sem planos, durante meses, em países desconhecidos, é tudo menos solitário, mesmo para quem vá sozinho. Há sempre gente disponível para ajudar e viajar, sejam da Austrália, Suíça, EU ou Inglaterra: “Com o Facebook, Twitter e Skype, tornam-se pessoas com quem mantemos contacto sempre. É a ideia da geração global. De repente, não conhecemos só pessoas da nossa sociedade, com as mesmas bases, e passamos a discutir futebol com alguém da Jordânia, música com alguém da Austrália e percebemos que não somos assim tão diferentes.”

A solidariedade entre viajantes é certa e incontornável. E nos momentos de maiores apertos, é certo e sabido que vai estar lá alguém para partilhar uma lata de comida. O pior que aconteceu aos dois amigos foi uma derrocada a caminho de Machu Pichu, no Perú, com a estrada inundada, pedras a rolar montanha abaixo e o grupo encurralado: “Estávamos com um casal de japoneses, um de ingleses, outro italiano, e um casal de um mexicano e uma alemã. Andámos cinco dias todos juntos, a partilhar comida, a ajudar-nos. E isso é o melhor que acontece nestas viagens. E encontrar pessoas incríveis vai acontecer sempre”, garante José.

Se não acredita, não há nada como experimentar. Aí ao lado estão as dicas de José. Pode ser que acabe como um dos viajantes do documentário: a passear pela América do Sul há quatro anos.

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