21/1/19
 
 
Cláudia Semedo. “Sou efervescente, parece que o tempo me foge por entre os dedos”

Cláudia Semedo. “Sou efervescente, parece que o tempo me foge por entre os dedos”

Ana Brígida Raquel Carrilho 03/10/2015 20:56

Diz ter desenvolvido uma cegueira para as diferenças. E é com a mesma serenidade que resume que o preconceito se combate com amor.

Chegou à hora marcada. Nem um minuto de atraso. Não gosta de atrasos, mesmo quando sente que lhe falta tempo para tudo o que quer fazer. E, por vezes, não é apenas o tempo que lhe falta, mas as oportunidades mais variadas. Um espelho daquilo que é a nossa sociedade, onde o preconceito ainda existe, mesmo que velado. Cláudia Semedo, que cresceu numa família “como a ONU”, diz ter desenvolvido uma cegueira para as diferenças. E é com a mesma serenidade que resume que o preconceito se combate com amor.

O programa “Pequenos Gigantes” chegou agora ao fim. O que guarda desta experiência?
Acima de tudo, guardo as relações que se criaram. Passei muito tempo com a minha equipa. Acompanhei os ensaios, os anseios e as pequenas gigantes vitórias. Aprende-se muito com a coragem com que as crianças enfrentam os desafios. Guardo o prazer de reencontrar profissionais que admiro e a oportunidade de trabalhar com comunicadores por excelência. E a certeza de que os meus rebeldes, para além de se terem divertido muito - era esse o nosso objectivo em cada uma das galas -, perceberam que ser artista é muito mais do que ter talento. É uma forma de estar na vida que exige muita dedicação, muito trabalho e um respeito enorme para com o público.

Como mentora e como alguém que trabalha em televisão há muitos anos, sente a obrigação de dizer aos mais jovens que não é um meio sempre glamoroso?
Não tenho essa obrigação. Mas é importante que alguém que queira ser artista tenha a noção da realidade e que os sonhos são, para já, metas, que não se atingem na leveza de um flash ou dos spotlights da televisão. É preciso muito trabalho. Sou um exemplo disso mesmo. Não sou propriamente uma pessoa muito mediática e, sempre que me afirmei, afirmei-me pelo meu trabalho. É importante que percebam que ser artista não é ser capa de revista e estar em todas as festas. Ser artista é trabalhar muito, ouvir muitos nãos e batalhar muito pelos sins. Muitas vezes, quando se fala de artistas, ouve-se a expressão “ai que sorte”, mas no meu caso não é sorte, é muito trabalho.

Desde o início deste ano que tem em mãos um outro desafio, o de ser Embaixadora do Ano Europeu para o Desenvolvimento...
Até ao final do ano tenho o cargo e até ao final da vida tenho a missão! [risos]

O convite veio das mãos da Catarina Furtado. Quais foram as razões que ela lhe deu para sugerir o seu nome?
Eu e a Catarina já nos conhecemos há muitos anos. O meu primeiro projecto em televisão foi com ela, no “Catarina.com”, e acho que temos uma postura em relação à vida muito parecida: a comunicação é a nossa forma de expressão, seja em cima de um palco ou com um microfone, mas há uma noção de que o ser pessoa é superior a tudo isso. Tenho muita responsabilidade e a noção constante de que eu e o outro somos exactamente o mesmo, mas com circunstâncias diferentes. E as circunstâncias são voláteis, mas determinantes, o que é muito injusto. É muito diferente nascer em Portugal ou na Eritreia. Por isso serei uma eterna “soldada” da justiça, porque não me fazem sentido essas diferenças. Ainda que não seja eu, agora, numa embarcação no Mediterrâneo, ou eu, agora, a tentar entrar na Hungria, na Croácia ou na Alemanha. Não sou, mas podia ser. E posso ser amanhã. Hoje vivemos neste jardim à beira-mar plantado, amanhã pode haver uma convulsão que faça com que muitos de nós sejamos refugiados.

Esquecemo-nos disso facilmente?
Sim. Também porque o ritmo a que a nossa sociedade avança e quase nos cilindra faz-nos correr pela nossa sobrevivência e, muitas vezes, não nos lembramos que “atrás vem gente”.

E no entanto, nós, portugueses até temos dado mostras de sermos um povo solidário.
Sim. Mas uma coisa é apoiar causas de emergência humanitária e, no momento, ligar para um determinado número de telefone, contribuirmos com X ou mandarmos roupa… Para isso temos um gatilho fácil. Agora, para a educação da solidariedade enquanto uma coisa não volitiva, enquanto uma conduta de vida, não.

Quais são as responsabilidades concretas que tem neste cargo?
O meu trabalho é diário, todos os meses temos um tema previamente definido e igual em todos os países europeus. Tenho muito trabalho de pesquisa e de leitura, tenho muitas reuniões para perceber quais são as dificuldades e as necessidades no terreno e perceber o que posso fazer para despertar a atenção das pessoas. E vou a escolas falar com jovens – isto é o que me dá mais prazer fazer, porque sinto que é o trabalho mais consequente. Os jovens têm a vida pela frente e estão ainda na altura de fazer escolhas sobre aquilo que querem ser e como querem estar no mundo.

O que a tem surpreendido mais?
O desligamento das pessoas em relação a temas que são tão fracturantes e definidores daquilo que somos enquanto seres humanos. Estamos muito alheados.

Mas há muito que a Europa não era tão discutida. Continua a ser uma discussão limitada às elites? O comum cidadão está-se a marimbar?
Não se está a marimbar, mas deixa-se ficar pelas conversas de café. E aquilo de que precisamos agora é, mais do que um povo que reclama, de um povo que age e toma nas mãos o seu destino. Nós temos uma força gigante que ainda não descobrimos. Queixamo-nos muito, mas quando pergunto o que já fizeram para que fosse diferente, a resposta é quase sempre que é muito difícil fazer algo sozinho. As pessoas reclamam, mas não se tornam responsáveis pela mudança.

Antes deste deste cargo já tinha a sua própria agenda de preocupações?
Há já muito tempo!

E que se centra em que temas?
Nas temáticas do desenvolvimento, mas sobretudo no papel da mulher porque é o que conheço melhor e há todo um caminho por desbravar.

Como vai o monólogo que está a preparar sobre a condição feminina?
Vai bem. É um work in progress, um projecto de vida. Gostava que estreasse em 2017.

A questão da condição feminina e da igualdade nunca chega a bom porto porque nós, mulheres, também descambamos no discurso?
Esse é o lado do feminismo que, para mim, não faz sentido. A ambição de ser mais, de ter o poder é o que subverte todas as regras e nos impossibilita de sermos felizes. É a raiz de todas as injustiças. Acho que somos intrinsecamente diferentes, mas temos de ter a mesma igualdade de oportunidades e de acesso à liberdade.

Essa consciência das diferenças - entre os sexos, mas não só - tem a ver com o facto de ter crescido na diferença?
Sim. Eu cresci na ONU. [risos] O meu avô materno nasceu em Aveiro, era militar e emigrou para Goa onde conheceu a minha avó. Tiveram seis filhos, cinco meninas e um rapaz. E cada um deles casou com uma pessoa de um ponto distante do planeta. Tenho um tio chinês, outro brasileiro, outro angolano, o meu pai é guineense... Do lado do meu pai, a minha avó era de Cabo Verde, o avô era guineense. Em minha casa há uma miscelânea de culturas muito grande. Para mim, olhar para os meus primos de olhos rasgados ou com uma tez mais escura ou com um ar europeu é a coisa mais normal do mundo. Desenvolvi uma espécie de cegueira positiva em relação às características físicas das pessoas.

Essa cegueira fez com que nunca sentisse na pele a discriminação?
Senti, mas é engraçado como colocava esses momentos no campo de “olha que idiota que é este comportamento”. Não me afectava nem me fazia questionar ou rejeitar o que eu era. Fazia-me era pensar “olha que parvalhão”. Lembro-me de uma rima que era “preta da Guiné lava a cara com chulé”. E lembro-me de, quando falava na turma, porque fui várias vezes delegada, e dizia coisas como “nós, os portugueses”, haver sempre risinhos. Só mais tarde, quando um colega se partiu a rir e me perguntou “mas tu és portuguesa?”, é que percebi porque se riam.

Nunca contava esse episódios em casa?
Houve um dia em que o meu avô me foi buscar à escola – e o meu avô era alto, branco, com cabelo branco e os olhos azuis – e começaram a dizer que aquele não podia ser o meu avô. Quando cheguei a casa, falei disso aos meus pais. Mas o que eu questionei não foi porque é que o meu avô era branco, mas antes porque é que os meninos não sabiam que o meu avô podia ser branco. Passaram--me sempre uma segurança tão grande sobre a vantagem que era a riqueza cultural que tínhamos dentro de casa que, para mim, os outros meninos é que precisavam de ser esclarecidos. A ignorância é a mãe de todos os preconceitos. E sempre achei que tinha de combater essa ignorância.

Esse sentimento sereno manteve-se sempre?
Sim, perante a ignorância reajo sempre assim. Só se combate o preconceito com amor, se nos dermos a conhecer e remetermos o preconceito para o lugar que ele tem – e que é nenhum. Há um episódio que marca muito a minha postura em relação ao preconceito da cor. Tinha seis ou sete anos e fui com o meu pai pôr o Totoloto. Estava um pai com uma filhota loirinha, sentada em cima da bancada, e ele de costas para nós. Ela estava a fazer uma birra gigantesca e o pai diz: “Se não te calas, vem aí o homem preto do saco para te levar.” Logo de seguida olha para trás e vê o meu pai, preto, de mão dada comigo, preta. O homem desfez-se em desculpas, sinceras. Percebeu-se perfeitamente que ele ouviu aquilo da avó, do avô, do pai, da mãe… O sorriso que o meu pai fez foi um sorriso de quem diz: “Não há problema, mas esteja atento ao que está a dizer.” Aquilo marcou a minha maneira de estar perante o racismo. Quando é essa tal ignorância inocente e formatada socialmente, combato com amor. Quando é a outra, nem oiço.

Disse que estava uma criança “loirinha”. Dizer “aquela miúda branquinha, de cabelos loiros” não é igual a dizer “aquela miúda preta, de cabelo afro”?
Para mim, a verdadeira discussão não é se é preto ou negro, mas sim porque é que é preciso chamar uma pessoa pela cor da pele. Eu sou a Cláudia, chamem-me Cláudia. Mas não me choca quando é dito para esclarecer, apenas quando as palavras são cuspidas, em vez de ditas.

Sentiu que não era pensada para determinado papel porque a personagem não se adequava a alguém com a tez mais escura, um pouco como a Viola Davis ainda agora disse nos Emmys?
O que já senti é que não se lembram. Como o cânone é branco, caucasiano, muitas vezes esquecem-se de que há papéis que não têm cor. Há uma tendência para cair sempre no óbvio: se estamos em Portugal, a realidade é caucasiana. Há muitos papéis que sinto que poderia perfeitamente fazer, mas em televisão há um certo esquecimento. Curiosamente, chateia-me mais quando isso acontece em teatro, porque o teatro é um espaço da imaginação. Se um encenador acha que pode levar o público a acreditar que uma cama é um tapete voador, porque é que uma personagem, porque originalmente é branca, tem de ser sempre branca?

Isso corta-lhe as pernas?
Corta. Ainda por cima há poucos castings, os projectos já nascem com os papéis atribuídos. E quando abrem casting vão sempre buscar o óbvio. Isso deixa-me muito triste porque diminui drasticamente o meu leque de oportunidades. Mas tenho agarrado todas as que me têm dado com muito pulso. Até hoje, a trabalhar há 15 ou 16 anos, não sei o que é estar sem trabalho. Mas oiço colegas dizerem que tiveram de recusar projectos porque estão com outros em mãos, e eu tenho oportunidades, só que a conta-gotas.

Além disso, sente que nunca lhe toca o lugar da protagonista?
A menos que o tema seja esse – como é agora o caso da Ana Sofia [na novela “Única Mulher”] –, acho que nunca vi recair uma primeira escolha numa figura que não fosse caucasiana.

O facto de ter sempre dispersado esforços em várias áreas foi prejudicial? Nunca a viram como actriz nem como apresentadora.
Acho que pode ter sido porque, infelizmente, há uma necessidade gigantesca de fecharmos as pessoas em caixas. Sofro com isso porque sou actriz, mas também apresentadora. E, mais tarde, ainda me formei como jornalista. Mas em Portugal há uma necessidade muito grande de perguntar “és isto ou aquilo?”. Acho isso triste. Quero experimentar tudo aquilo que a vida me permitir, tenho essa necessidade. Parece que, para nos perceberem, temos de encaixar num estereótipo, mas eu não sou essa pessoa.

De todas essas caixinhas que fazem parte da sua vida, a primeira a dar sinais de vida foi a de actriz?
Sim. Essa deu sinais muito cedo. Fazia a vida negra às minhas irmãs com as encenações não avisadas que fazia, mas que as envolviam. Coitadinhas! Sofreram com a minha veia dramática. Mas hoje são o meu maior apoio.

O que a fascinava nisto de ser actriz?
Fascinava-me levar a mentira até ao ponto de ser verdade. O que, numa criança, em casa, pode ser dramático [risos].

Levou uns açoites?
Mais das minhas irmãs do que dos meus pais, porque desmanchava antes que a coisa descambasse. Quando as pessoas acreditavam que era verdade, dizia que estava a fazer teatro. Sentia o fascínio de levar a mentira ao limite.

Que idade tinha quando participou na “Rua Sésamo”?
Uns seis, sete ou oito anos. Foi na produção internacional. O meu padrinho de baptismo foi para Nova Iorque e fundou os Batoto Yetu, que anos mais tarde trouxe para Portugal, e eu dançava com eles. Além disto, ele era conselheiro da “Rua Sésamo” americana e havia uma coisa chamada “Sesame Street Around the World”. Quando vieram a Portugal, quiseram filmar com os Batoto Yetu e precisavam de uma menina que soubesse falar inglês para uma cena com o Popas. Eu falava, por causa do meu padrinho, e cheguei-me logo à frente. Já tinha uma grande vontade de falar, de representar.

Também foi por isso que os seus pais a puseram logo nos Batoto Yetu, para extravasar essa energia?
Sim, eu fazia tudo! Fazia ginástica acrobática, jogava hóquei, tinha mesmo de gastar energia. Mas os meus pais sempre tentaram segurar um bocadinho o meu lado artístico. Desde muito nova que pedia à minha mãe para, por exemplo, me deixar participar no “Mini Chuva de Estrelas”, mas ela teve sempre medo. Mas fomos tendo sempre solicitações. A primeira sessão fotográfica que fiz foi com seis anos porque um fotógrafo passou na nossa rua, viu-me e pediu aos meus pais para me fotografar. A primeira experiência a sério aconteceu aos 15 anos, quando comecei a fazer rádio na Renascença. Os meus pais permitiram, mas com muitas reservas sobre as notas. Se descesse as notas, acabava tudo.

Como surgiu essa oportunidade?
A Cláudia Pinto, uma amiga da minha irmã, um pouco mais velha que eu, que foi dos Ministars, tinha começado, uns anos antes, a trabalhar na Renascença. Mais tarde, uma miúda saiu e ela lembrou-se que tinha uma amiga com uma irmã divertida e faladora. Sugeriu o meu nome para a audição.

O que recorda desses tempos?
Foi maravilhoso. O programa era ao fim-de-semana e era como se andássemos em digressão. Íamos a pontos diferentes do país, Aveiro, Évora, Porto. E tive a oportunidade de conhecer os meus ídolos da altura: o João Pedro Pais, os Anjos…

Entretanto foi estudar teatro?
No 9.o ano decidi estudar teatro. Fiz o 10.o, 11.o e 12.o na Escola Profissional de Teatro de Cascais, que foi uma decisão que ainda deu alguma confusão… Durante quase um ano conciliei as aulas e a rádio. Depois, no final desse ano, o programa de rádio terminou e fiquei totalmente focada na escola. Nesta altura fui escolhida para um filme da Janes Valdes. Fui trabalhar com a Luísa Salgueiro, cuja voz me era familiar por causa dos desenhos animados… Foi muito intenso.

Quando terminou o curso, os seus pais já estavam convencidos?
Perfeitamente. Perceberam que tinha encontrado o meu caminho e que só podiam apoiar.

A primeira experiência em televisão, depois da passagem pela “Rua Sésamo”, foi no “Curto Circuito”?
Sim, a culpa foi da minha irmã Lenira. Ela viu num jornal que estavam a abrir audições para um programa de televisão e que precisavam de pessoas divertidas, e convenceu-me de que aquilo era a minha cara. Estava quase a terminar o curso de teatro. Nunca tinha equacionado a apresentação e nunca pensei que fosse ficar, mas fui até ao fim do concurso, quando já só sobravam cinco raparigas. Acabou por ganhar a Teresa [Tavares]. Na mesma altura fiz uma audição para o Nacional e fui escolhida, portanto nem tive tempo para pensar nisso. Estreei-me no teatro no Nacional Dona Maria II, com ”A Viagem de Pedro Afortunado”, encenada pela Fernanda Lapa.

Estava em pânico?
Não. O nervosismo e o pânico nunca estiveram muito presentes na minha vida. Tenho tanta vontade de fazer, fico tão em pulgas que não sinto o medo ou o nervosismo. E não é falta de sentido de responsabilidade! Claro que fico preocupada e só espero não me esquecer de nada, mas também sou muito metódica e isso ajuda-me. Chego sempre muito cedo ao teatro, para fazer o meu aquecimento vocal e corporal. E apesar de saber que há pessoas que têm esse trabalho, passo sempre pelo palco, certifico-me que está tudo no sítio. Tenho o meu ritual. E depois só quero que o pano abra. É a mesma coisa com os directos em televisão: só quero que comecem.

Logo depois foi escolhida para a equipa de repórteres do “Catarina.com”, que durou sete anos.
Foi uma pedrada no charco, veio romper com as convenções, a câmara estava sempre em movimento, os repórteres eram atrevidos e provocadores. Lembro-me de ir a um desfile no Convento de Mafra, vestida de freira e a esconjurar as modelos, todas nuas no meu convento. Foi uma altura muito divertida. Eu era uma miúda a quem deram um golden ticket para a fábrica de chocolate.

Quando acabou, sentiu-se órfã?
Não, porque quando saiu a Catarina [Furtado] ficou a Sílvia [Alberto], quando ela saiu fiquei eu e o Nuno Eiró, e depois saímos nós e ficou a Ana Rita Clara. Fiz todas as transições do programa, além de ter tido sempre muita coisa em simultâneo. Estive na Argentina quatro meses a trabalhar para a Disney, fiz a novela “O Jogo”, fiz o “Mega Ciência”…

Em que momento começou a sentir que queria estudar Jornalismo?
Mais do que querer o canudo, tinha era vontade de experimentar. Pensei em Relações Internacionais, Ciência Política ou Direito, mas o jornalismo sempre me fascinou. A informação é a maior arma que temos, o conhecimento permite-nos fazer escolhas. Sinto-me actriz, sinto-me apresentadora, mas não sei se, pelo caminho, não me vou cruzar com outra coisa que me preencha ainda mais. Por exemplo, adoro cozinhar!

É inquieta?
Sou, mas a inquietude, regra geral, dá uma certa angústia. E eu não tenho essa angústia. Sou efervescente, parece que o tempo me foge por entre os dedos. Devo muitas horas à cama, a minha cabeça não pára.

Entretanto está a preparar o regresso ao teatro…
Estou a trabalhar no “Macbeth”, que vai estrear a 13 de Novembro, no Teatro Experimental de Cascais, a propósito dos 50 anos da companhia. É um desafio gigantesco e um regresso a casa! Fiz várias vezes na escola, mas profissionalmente será a primeira vez. Sou uma das bruxas, o que é óptimo porque me permite trabalhar características que nem sempre trabalho.

Sente que lhe dão sempre o mesmo tipo de personagens?
No teatro, menos, mas em televisão, sim. Tem a ver com a tal necessidade de aproximação com a realidade. Se calhar, para algumas pessoas, ia ser estranho ver a Cláudia – aquela figura que as pessoas têm como uma menina simpática – a fazer de má. Por isso encaixaram-me no protótipo das personagens da amiga querida. É a tal necessidade de nos pôr em caixinhas. Mas eu, sempre que posso, digo aos realizadores com quem trabalho que adorava ter a oportunidade de fazer uma personagem completamente diferente daquilo que sou: uma esquizofrénica, uma alcoólatra, uma psicopata… O que me dá mais prazer é criar uma personagem diferente e um dos projectos que me marcou mais e que teve mais reconhecimento foi “Navalha na Carne”, em que eu fazia uma prostituta no fim da linha.

É vista como uma eterna miúda?
Sinto-me uma eterna miúda. Para mim, ser miúda é ser verdadeira e espero nunca perder isso. Um bocadinho à Alberto Caeiro. Olhar para as coisas e deixar-me apaixonar por elas.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×