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História de uma morte anunciada
Em média são abatidos cerca de 500 animais por dia no matadouro de Santarém

História de uma morte anunciada

Em média são abatidos cerca de 500 animais por dia no matadouro de Santarém António Pedro Santos António Pedro Santos (texto e fotografias) 17/06/2015 14:52

No matadouro de Santarém transformam-se vacas e ovelhas em pedaços de carne para consumo humano.

Não é um trabalho fácil, mas quase todos o encaram como outra profissão qualquer. No matadouro de Santarém transformam-se vacas e ovelhas em pedaços de carne para consumo humano. Uma “linha de desmontagem” que tem início no corredor da morte e acaba num qualquer talho do país. Não recomendável a mentes sensíveis.

Fim da linha
O número é variável, mas em média são abatidos cerca de 500 animais por dia no matadouro de Santarém, entre novilhos e borregos. Tudo feito com as mais avançadas tecnologias de análise e controlo de qualidade exigidas pela União Europeia.

Sangue e suor sem lágrimas
Na linha de abate do matadouro trabalham cerca de 30 pessoas, cada uma com a sua função. Movimentos repetidos centenas de vezes por dia. Mãos ensanguentadas lavadas de minuto a minuto. “Ninguém se orgulha de trabalhar aqui”, descreve um funcionário.

A morte como profissão
”No início fazia-me impressão matar os animais, coitados, mas passados 20 anos nisto já me é igual ao litro”, revela um dos trabalhadores. Todos garantem que é uma profissão como outra qualquer. “O meu recorde foram 350 novilhos mortos num dia”.

Orgulho e preconceito
“Aos amigos dos animais, que gostam de fazer manifestações por tudo e por nada, gostava é que eles viessem aqui ver o que a vida custa a ganhar”, desabafa R., que preferiu não se identificar. “Isto não é fácil, mas tenho filhos para criar”.

Faca e alguidar
Entre um animal vivo e qualquer pedaço de carne que nos chega ao prato, há um processo longo que começa com o fim de uma vida. Uma linha de desmontagem que culmina no topo da cadeia alimentar. Entre facas e alguidares, praticamente tudo é aproveitado.

Objector de consciência
P. trabalha há nove meses no matadouro de Santarém. Não pensa fazer disto profissão para a vida, mas há contas para pagar todos os meses. “O que mais me custa é ouvir o choro dos borregos antes de morrerem. Parecem bebés autênticos”.

Todos diferentes, todos iguais
Em pouco mais de 20 minutos após o abate dos animais, a forma como vemos a carne é igual a qualquer talho. As peças são depois transportadas para uma fábrica exterior ao matadouro onde se procederá ao corte e embalamento. 

Anti-stresse
 Todos os animais chegam ao matadouro na véspera do abate. Gonçalo Albino, director comercial da empresa Carnalentejana, explica: “As nossas vacas estão habituadas a viver no campo durante toda a vida. Para evitar stresse aos animais e para não prejudicar a qualidade da carne, o ideal é passarem a noite já em Santarém”.

Limpeza final
Por forma a minimizar o impacto ambiental, o grupo Montalva assenta o seu trabalho nas mais avançadas tecnologias de análise, higiene e controlo de qualidade. Antes de chegar uma nova manada, há que deixar tudo impecavelmente limpo.

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