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Governo vende TAP por 10 milhões de euros

Governo vende TAP por 10 milhões de euros

João Relvas/LUSA Filipe Paiva Cardoso 11/06/2015 14:53

Sérgio Monteiro confirmou ao início da tarde a venda do grupo TAP ao consórcio de David Neeleman e do grupo Barraqueiro. O encaixe para o Estado será de…. 10 milhões por 61% da companhia. Contrato obriga próximo governo a vender o resto do capital da TAP.

O governo aprovou esta manhã em Conselho de Ministros a venda do grupo TAP ao consórcio Gateway, composto por David Neeleman e pelo grupo Barraqueiro, num negócio que entrega 61% do capital da transportadora aérea a troco de 10 milhões de euros. “O negócio é sobre todos os pontos de vista um sucesso”, decretou Sérgio Monteiro, secretário de Estado dos Transportes, que rematou: “Quinze anos depois de muitos tentarem, nós conseguimos vender a TAP.” No memorando de entendimento assinado com a troika, o governo comprometeu-se em vender a TAP apenas se “as condições de mercado” fossem favoráveis.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao Conselho de Ministros, o governo começou por apresentar um negócio como valendo um mínimo de 354 milhões de euros, incluindo a capitalização que o consórcio irá fazer na agora sua empresa, esclarecendo o valor da venda das acções somente depois de questionado.  No contrato de venda da TAP, foi colocada uma opção de compra do restante capital da TAP por parte do consórcio vencedor, independentemente da vontade do próximo governo.

O secretário de Estado dos Transportes ainda revelou que “o Estado não fez qualquer pedido formal à Comissão Europeia para apreciar” a hipótese de avançar com uma capitalização pública, já que deduziu que a mesma iria obrigar a imposição de “redução de rotas, trabalhadores e salários”, resultando numa TAP “muito mais pequenina”. Mas esta dedução não devia ser automática: Apesar de este ter sido o cenário verificado em 1994, altura em que a TAP recebeu uma última injecção pública, então tratava-se de um grupo com excesso de problemas e que precisou de 3,2 vezes mais dinheiro que precisa hoje. Aliás, basta ver que se em 1994 o problema da TAP estava todo no ramo de transporte aéreo, hoje esse é precisamente o melhor damo da transportado.

Em 1994, a TAP tinha 38 aviões, 9 691 empregados, proveitos de 1,3 mil milhões – 134 mil por empregado –, uma rede de rotas “que não foi adaptada à evolução do mercado” e uma produtividade “sistematicamente abaixo da apresentada pelos competidores europeus”. Um cenário que fez com que, entre 1975 e 1994, a TAP tenha sido “permanentemente deficitária”, daí ter exigido “um rigoroso plano de reestruturação para restabelecer a viabilidade”. E hoje? A TAP tem uma frota de 61 aviões, 10,8 mil trabalhadores, 2,8 mil milhões de euros de volume de negócios e todos os anos vê o total de passageiros crescer, fruto do alargamento de rotas e da adaptação da oferta à procura. O problema da TAP em 1994 estava, assim, directamente relacionado com o transporte aéreo, daí a dura reestruturação a que a empresa foi obrigada.

A companhia aérea nos últimos dez anos não só duplicou os proveitos como desde 2008 conseguiu baixar a dívida de 1,4 mil milhões para mil milhões recorrendo apenas aos seus próprios recursos. 

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