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A última entrevista de Maria Barroso. “Valeu a pena ter vivido”
Maria Barroso tinha acabdo de completar 90 anos

A última entrevista de Maria Barroso. “Valeu a pena ter vivido”

Maria Barroso tinha acabdo de completar 90 anos Antonio Cotrim/Lusa Luís Osório 07/07/2015 08:16

Maria Barroso, a eterna primeira-dama, que só olha para o passado para projectar o futuro, naquela que foi a última entrevista que deu. Foi ao i, em Maio.

Acabou de completar 90 anos. Fê-los poucos meses depois de Mário Soares, o seu companheiro de uma vida. Como sempre aconteceu ao longo de quase 70 anos de vida em comum, Maria de Jesus Barroso celebrou a data da mesma maneira que viveu os dias de glória ou de sofrimento: discreta e marcante.

Não era fácil viver ao lado de uma das figuras da história portuguesa. Ela conseguiu-o sem nunca abdicar do que pensava, acreditava e sentia. E, mais difícil ainda, sem nunca afrontar ou colocar em causa Soares. Maria de Jesus conseguiu esse impossível. E marcou de uma maneira muito sua o tempo em que viveu, o tempo em que vive, o nosso tempo.

Hoje é uma das poucas figuras portuguesas consensuais. Estes exemplares raros contam-se pelos dedos de uma só mão mas, por tudo o que foi a sua vida, ela está entre os poucos que não têm anticorpos. Foi um prazer e uma honra ter estado com ela, tê-la ouvido declamar, ter partilhado memórias e esperança no futuro. Espero que goste da conversa com a mulher que, para sempre, será a Primeira-Dama.

 

Uma das coisas que acho mais extraordinárias é a sua preocupação de não ficar presa no e ao passado…

Sem dúvida, apesar de o meu passado ser já tão longínquo. Mas é rigorosamente verdade, só penso no passado para ver o que não fiz e ainda posso fazer. Gosto de me projectar no futuro, de ajudar os mais novos e de seguir o que se passa, o que se diz, o que se pensa.

Noto-lhe alguma preocupação.

Estou preocupada. Preocupada com o nosso país, com a Europa e com o mundo. Mas tenho sempre a esperança de que seja possível melhorar a situação para que as gerações futuras possam viver em sociedades tolerantes, solidárias e pacíficas. Tenho 90 anos, sabe?

Como poderia não saber?

Sim. E valeu a pena ter vivido. Apesar de todas as contrariedades, de todos os revezes, de todas as encruzilhadas. Passei tempos muito difíceis quase desde que nasci. Mas acreditei sempre. A minha irmã tem uma fotografia em que estou com a minha mão na mão do meu pai, não teria mais de dois anos, e estávamos na penitenciária onde ele estava preso por razões de ordem política. Foi tantas vezes preso… comovo-me quando o penso. Mandaram--no para o Forte de Angra do Heroísmo e, quando o meu marido era Presidente da República, visitámos o forte e, a certa altura, olhei para uma parede e estava escrito “Tenente Alfredo Barroso”, com a letrinha do meu pai. Fiquei emocionada, muito, muito.

Eram sete irmãos, não deve ter sido nada fácil.

Com o meu pai preso, éramos sete irmãos mais a nossa mãe e avó. A minha mãe era professora primária, trabalhava de manhã e à tarde, e ganhava muito pouco. O nosso pilar afectivo era a nossa avó, mãe da minha mãe… Chegávamos a casa e logo chamávamos por ela: “Vozinha, vozinha!” Estava sempre pronta a ajudar-nos. Morreu na nossa casa.

Como se chamava?

Maria da Rainha Santa por ter nascido em Coimbra no dia da rainha. Eu não estava em casa quando morreu, naqueles dias de Verão ensaiava para uma peça no Teatro Ginásio.

Isso foi antes de ir para o Teatro Nacional e antes de conhecer Mário Soares.

Sim, antes de tudo. Foi pouco antes de a Amélia Rey Colaço me ter convidado, que saudades também... uma mulher inteligente, culta e que dirigia muito bem o Teatro Nacional. Foi por esses dias da minha juventude que a avó, a vozinha, me morreu.

Veio-me à cabeça a Grace Kelly, uma actriz que deixou de o ser depois de casar com o príncipe. Encontra algum paralelismo consigo?

Não me parece. Porque eu, ao contrário dela, tinha uma dimensão política.
O ambiente que tinha em casa a isso me levava, a política tinha tanta importância como o teatro, a poesia e as artes. Tinha um irmão que era professor de Matemática na Faculdade de Ciências, muito amigo do Sebastião Silva, brilhante professor que se formara com pouco mais de 19 anos e uma média de 20 valores, e que passou a viver em semiclandestinidade numa casa em Algés. Foi ele que me apresentou Soeiro Pereira Gomes, um homem encantador e autor dos “Esteiros”, que tem a mais bonita dedicatória desse tempo: “Aos filhos dos homens que nunca foram meninos.” O meu irmão pedia-me para eu dizer uns poemas dele, tempos difíceis e com gente bonita e corajosa.

Depois da morte de seu pai, a sua mãe não resistiu muito tempo.

Resistiu três meses sem ele.

É uma boa definição de amor.

A melhor das definições. Adorava os meus pais, tinha uma grande consideração por um e pelo outro. Não se atreveram a viver um sem o outro.

Ficou pensativa.

Veio-me à memória a partida do meu pai para os Açores, uma memória triste, mas uma imagem que reforçou em nós a imagem de grande coragem, de enorme rectidão de carácter, de enorme amor.

Com o tempo, quando tudo nos corre bem, passamos a habitar dois mundos: o dos vivos, mas também o mundo interior, onde começam a habitar os nossos mortos.

O meu mundo interior aprofundou-se, acontece-nos a todos, não é? Pelo menos, como diz bem, aos que têm sorte. Perdi quase todos os meus irmãos, resta-me apenas uma irmã. Fomos sempre de uma amizade e de uma solidariedade extraordinária, uma amizade sem falhas, foi a nossa primeira escola. Lembro-me da mesa repleta, os pais, a avó e nós sete, atentos. O que falámos, o que apreendemos dos ensinamentos dos pais… Só restamos duas, mas estamos quase a partir.

Sente isso?

Sinto que estou quase a partir, que se aproxima o momento. A minha irmã é quatro anos mais nova, resta-lhe mais tempo, se tudo correr bem. Foi casada com um colega de faculdade do meu marido, chamava-se José Manuel Mouzinho de Albuquerque Duarte. Esse meu cunhado morreu demasiado cedo. Foi uma pena e extremamente complicado para a minha irmã. Conto-lhe isto porque ele está associado a um episódio muito engraçado.

Conte-me.

A certa altura desafiou-me a tirar o curso de Direito. Nessa altura já estava casada e tinha os meus filhos pequeninos, a Faculdade de Direito era mesmo ao pé de nossa casa e fiquei entusiasmada com a possibilidade…

Mas já era licenciada em Histórico-Filosóficas.

E já tinha o curso do Conservatório. E, por isso, podia entrar em Direito sem fazer exame. Mas o meu entusiasmo esbarrou no meu marido, que achou um disparate. “Já tens dois cursos!”, exclamou logo. Engraçado como são as coisas. Quando estava no liceu, queria ir para Direito, mas a minha professora de Filosofia do Pedro Nunes, uma grande professora, aliás, disse-me indignada que não podia ir para Direito, mas para Histórico-Filosóficas. E eu fui.

É provável então que tivesse tirado Direito se não fosse a intervenção de Mário Soares.

Teria tirado, sim. Queria defender os pobres, os desalinhados, os injustiçados… O meu marido queria fazer o mesmo, acabei por decidir não ir. Hoje teria teimado com ele, mas tive sempre a ideia de não fazer nada que o enervasse e o contrariasse, por isso estamos casados há 66 anos. E acredite nisto, temos uma relação excelente que é fruto dessa compreensão.

No dia dos seus 90 anos fez-lhe falta a presença de alguém em especial?

É um pouco o que temos falado: os meus pais, evidentemente. Os meus irmãos que tanto adorava.

Outra vez aquela mesa de infância preenchida para mais uma conversa.

Seria óptimo. Quem sabe? Mas fazem-me falta tantos amigos que já partiram: Vieira de Almeida, Barradas de Carvalho, que foi meu padrinho de casamento... é melhor não ir por aí, são muitos. Manuel Mendes, um querido amigo que me estava sempre a dizer que haveria de ser meu padrinho de casamento, acabou por ser mas do meu marido.

Que sonhos tinha antes de conhecer Mário Soares e que não concretizou?
O que deixou para trás e não foi concretizado?

Não fazer Direito foi um deles, mas fora isso quis acompanhá-lo sempre, acompanhá-lo mesmo nos momentos mais difíceis. Quis ser a companheira dele constante, escrevia-lhe cartas para Caxias quando estava preso, cartas que eram lidas pela PIDE, uma devassa da minha intimidade, da nossa vida íntima.

Nunca chegou a ser presa.

Nunca. Fui interrogada duas vezes – uma delas durou cinco dias seguidos, mas sempre em liberdade. Fazia-lhes confusão os poemas que eu dizia, poemas do Novo Cancioneiro que eram poemas de revolta contra o regime, gostava muito de dizê--los. Então, o “Prometeu”, do Joaquim Namorado, não lhe digo nem lhe conto, irritava-os de morte. Um verdadeiro panfleto. Disse-o em Santarém, no Teatro Rosa Damasceno, e foi um sucesso que me custou os tais dias de interrogatório. Queriam que acusasse alguns dos promotores do evento, sobretudo advogados, mas felizmente portei-me bem.

Ainda se lembra do poema do Joaquim Namorado?

O “Prometeu”?

Sim.

Então não havia de me lembrar? “Abafai meus gritos com mordaças/ maior será a minha ânsia de gritá-los/ amarrai meus pulsos com grilhões/ maior seria minha ânsia de quebrá-los/ Rasgai a minha carne/ triturai os meus ossos/ O meu sangue será a minha bandeira/ e meus ossos o cimento duma outra humanidade/ que aqui ninguém se entrega/ isto é vencer ou morrer…” Ficavam furiosos com este poema, Luís.

É um privilégio ouvi-la, dra. Maria Barroso.

A poesia sempre me tocou especialmente, comecei muito pequena a dizer poemas; no Liceu Filipa de Lencastre, ainda em plena II Guerra, fui declamar acompanhada pelo meu irmão Alberto. Quando chegámos a casa, correu para os meus pais a contar-lhes que eu dizia muito bem poemas, estava tão entusiasmado e tão surpreendido...

Não os dizia em casa?

Nunca. Era mais do que tímida.

Lembra-se da primeira vez que viu Mário Soares?

Perfeitamente. Estava sentada num banco da antiga Faculdade de Letras e, imagine, estava a chorar. Ao meu lado estava o João Falcato, mais velho e meu amigo na altura…

Não me diga que estava a chorar por um arrufo de namorados.

Não! O João era apenas um amigo. Estava a chorar porque tinha faltado a uma cadeira pedagógica, uma cadeira de Higiene Escolar. Faltei por ter tido um ensaio no Teatro Nacional, sentia-me dividida. O Mário ia a passar e o Falcato disse-lhe: “Ó Mário Soares, já viste esta nossa colega que está no Nacional e que está para aqui a chorar porque não fez o exame de Higiene Escolar?” Ele parou um bocadinho, disse uma piada qualquer, riu-se e seguiu caminho. Só mais tarde nos começámos a namorar. Eu tinha um grupo de amigos muito distintos, gente que haveria de marcar o seu tempo: Lindley Cintra, Sebastião da Gama, Matilde Rosa Araújo. Acabámos todos muito próximos, organizámos recitais e acções políticas… Engraçado, vem-me à cabeça o dia 8 de Maio de 1945, estava eu no segundo ano, e o Mário comandou um grupo de alunos e fomos às várias embaixadas dos Aliados agradecer e felicitá-los pela grande vitória. Pedíamos também para ajudarem o nosso governo a fazer eleições livres, um conjunto de acções que levaria à resposta de Salazar. Jurou estar preparado para permitir que Portugal tivesse eleições tão livres como em Inglaterra. Nunca as fez.

Quando vê hoje o seu marido, vê o mesmo Mário Soares de há 70 anos?

Quando vejo o meu marido, vejo exactamente o mesmo homem que conheci há 70 anos. Com a mesma ternura, a mesma simpatia e a mesma admiração por tudo o que foi a sua vida. E sem perder a independência de termos várias vezes opiniões diferentes. Respeitámo-nos sempre.

Bem, e a dra. Maria Barroso tem-no influenciado a ser brando em relação à Igreja Católica. Para não falar do Papa Francisco, por quem Soares tem uma confessada e profunda admiração.

É verdade. Em miúda ia com a minha avó à missa, ela ensinou-me várias orações e fui ficando marcada por essas ideias. No liceu, com uma professora de Moral, Aida da Conceição, pude estreitar a minha relação com uma ideia de transcendência. Afastei-me durante a universidade dessa ideia. A religião passou a estar distante e assim esteve muitos anos, uma grande parte da minha vida.

Até ao desastre de avião do seu filho.

Até aí, sim. A Isabel, minha filha, disse-
-me que o João estava muito mal. Que o tinham transferido para um hospital em Pretória. Apanhei o primeiro avião e fui com a minha nora de então. Quando vi o meu filho, quase não o reconheci, estava num estado terrífico. Todas as manhãs chegávamos ao hospital e eu perguntava por ele ao médico que chefiava a equipa – um dia, ele respondeu-me que “estava um bocadinho melhor, mas só um bocadinho porque continua muito mal, peça a Deus”. Pedi a Deus. Mas antes disso pedira a uma funcionária do colégio, muito minha amiga, para encomendar uma missa pelo João. Senti-me bem nesse novo encontro com a religião. Depois, já com o meu marido na Presidência, conheci vários Papas: conheci João Paulo II, Bento XVI e, agora, o Papa Francisco. Estive com as minhas mãos nas dele, abençoou--me e foi bonito. Há pessoas que praticam a doutrina que professam, ele é uma delas.

Muitos pregam a doutrina e não a seguem.

Muitíssimos. Em todas as áreas, também na religiosa. Quanto ao meu marido e ao Papa Francisco, sem dúvida. Apesar de ele não ser crente, acredita que Francisco ajudará a salvar o mundo. É, juntamente com Obama, a sua maior referência actual.

É mesmo um não crente?

É mesmo um não crente, convictamente não crente. É crente nos homens bem formados, nos que têm valores.

Se tivesse de preparar um jantar para o seu marido, um jantar mais especial do que os outros…

Não me está a falar de jantares de despedida…

Não. Um jantar especial, só com os dois na vossa mesa de sempre.

Preparava-lhe pataniscas com feijão-frade, gosta muito. Se fosse almoço, um bom cozido à portuguesa, costumamos fazê-
-lo aos domingos. Gosta de carne e eu não como carne. Mas gosto muito quando ele gosta.

Pede a Deus por ele?

Peço a Deus por ele.

Há momentos em que houve divergências políticas entre os dois.

Algumas. Mas sempre nos respeitámos e sempre acreditei que cada um deveria ter a sua maneira de pensar. Aconteceu termos momentos em que expressámos opiniões diferentes, momentos em que o nosso pensamento divergiu, mas nunca nos ferimos com isso.

A maior de todas as divergências foi mesmo a da fundação do PS. A senhora votou contra a ideia e esteve no outro lado da barricada. Mário Soares compreendeu essa decisão?

Compreendeu, embora tenha ficado muito chateado, claro. Votei contra. O grupo que veio de Lisboa, éramos uns cinco, fomos portadores do voto de Salgado Zenha, do Magalhães Godinho e de outros… Julgávamos que não era bem a altura de formar o PS, devíamos esperar um bocadinho antes de tomar a decisão. Estávamos errados e Mário Soares estava certo, a história provou-o. Todos lhe demos razão a partir do momento em que surgiram movimentos que colocaram logo muita pressão em Marcelo Caetano.

Foi a única mulher a estar na célebre reunião de fundação, na Alemanha.

Sim, a única. O meu marido estava em Paris e eu em Lisboa, tinha o Colégio Moderno a meu cargo e as coisas não eram fáceis. Repare que não podia ser directora ou professora, estava proibida pelo regime de exercer o ensino. Continuei a trabalhar e desmesuradamente, deixe-me que lhe diga. Levantava-me entre as cinco e as seis da manhã, ia com uma empregada procurar os produtos mais baratos, comprava-os no mercado dos revendedores, hortaliça, peixe, fruta. Voltava a casa, tomava banho porque ficava a cheirar a peixe e ia então para o colégio. Ainda existia o regime de internato. Tinha a preocupação de não gastar muito dinheiro porque tínhamos muitas dificuldades.

Hoje, o Colégio Moderno é uma escola de elite, ficou em primeiro lugar na média dos alunos que entram para a universidade.

Entre todas as escolas portuguesas.
A minha filha (Isabel Soares) tem feito um trabalho extraordinário, tenho muito orgulho nela, muito. Tenho orgulho nos meus filhos, no João também. A Isabel tem feito um papel notável no colégio, tem imensos alunos, bastantes professores que se têm mantido ao longo dos anos.

Uma mulher de uma enorme discrição. A quem sai assim?

Nunca gostou de se salientar. Sempre discreta, é simples, mas é boa. Das pessoas mais generosas que conheço no mundo. Penso que beneficiaram os dois do ambiente em nossa casa. Fomos sempre muito amigos e temos a maior ternura que poderíamos ter.

Não sei se a dra. Maria Barroso tem a consciência de que é uma mulher consensual, um dos poucos casos de alguém que praticamente não tem anticorpos. Muito mais consensual do que o seu próprio marido.

Só me faz rir. Mas gosto, sempre gostei, de me dar com todas as pessoas independentemente de serem de direita ou esquerda, crentes ou ateus. O que tinha como preocupação é que fossem pessoas recheadas de valores, gente guiada por esses valores. Quando criei a fundação onde estou (Pro Dignitate), convidei personalidades de partidos diversos sem me importar sobre as ideias políticas deles. Apenas me interessava saber se eram competentes e tinham vontade de me ajudar neste trabalho. Sou uma pessoa pacífica, não sou uma pessoa dada a raivas. As pessoas deviam dar-se mais as mãos do que se guerrearem. Talvez assim possamos chegar, como dizia João Paulo II, à civilização do amor.

Reparo que muita gente continua a tratá-la como primeira-dama. Quando penso em si não me passa pela cabeça que não o seja.

Houve outras primeiras-damas, tenho respeito por elas, mulheres inteligentes e de boa formação. Não sei porque me chamam, já lá vai tanto tempo... No outro dia fui a um jantar de Rotários com dois amigos meus, e o primeiro que falou chamou-me publicamente primeira-dama. Fiquei emocionada pelo que significava, mas não o sou. Todas as outras cumpriram os seus deveres muitíssimo bem.

Vai ter saudades de Cavaco Silva?

Não me pergunte isso.

Pode dizer sem risco de errar que continua a ser uma mulher de esquerda?

Com certeza, não tenho dúvida nenhuma de que sou uma mulher de esquerda. Sou fundadora do Partido Socialista.

Acredita que o PS vai ganhar as próximas eleições?

Acredito. Conheço o António Costa desde sempre, fui amiga do pai dele e colega da faculdade dele e da mãe. É um homem corajoso e capaz, bom presidente da Câmara de Lisboa, e estou convencida de que continuará a ser um grande cidadão, como tem sido até agora.

Custou-lhe ver partir António José Seguro da maneira como partiu?

Tive pena que eles se tivessem desentendido, sou sempre pelo entendimento. Podiam e deviam tê-lo feito.

Há razões para termos esperança no futuro?

Não perdi a esperança de que melhoremos a nossa situação, como não perdi a esperança de que a Europa e o mundo melhorem. Cada um de nós deve dar um bocadinho de si próprio, o mundo pode ser melhorado. Devemos colocar o melhor de nós na formação das mentes dos mais jovens, cabeças que são constantemente perturbadas pela violência dos nossos tempos. A televisão tem uma grande influência – como dizia o Padre António Vieira, o que entra pelos olhos tem mais força do que aquilo que entra pelos ouvidos –, mas mesmo assim tenho fé. E a família é fundamental, que os mais jovens acreditem nisso e na formação de cidadãos pacíficos e tolerantes que nos ajudem a caminhar na estrada certa.

Como acha que será reconhecida no futuro?

Uma cidadã modesta mas amante da liberdade, da solidariedade e do amor. A minha palavra preferida, sem qualquer dúvida…

O amor.

O amor.

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