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Paulo Guinote. \"Em alguns momentos, achei que estava a correr riscos muito altos para o meu próprio bem\"

Paulo Guinote. \"Em alguns momentos, achei que estava a correr riscos muito altos para o meu próprio bem\"

13/04/2015 11:00
Está há mais de 40 anos na escola pública. E garante que o ensino regrediu para condições iguais às que teve em aluno

Paulo Guinote lançou o blogue “Educação do meu umbigo” quando percebeu que, entre as guerras do ministério e dos sindicatos, os professores precisavam de voz própria. Quase dez anos depois, decidiu encerrar aquele que se tornou um espaço de debate, mas também de denúncia e desabafo para quem vive na – e da – escola pública. Explica que o fez para proteger a sua própria sanidade.

Todos os dias partilhava ideias e críticas no blogue em sequência. Já está em ressaca de escrita?

Não, não. A decisão já tinha sido pensada com alguma antecedência e foi sendo adiada.

E acaba porquê?

Este modelo de escrever todos os dias quando a actualidade se começa a repetir cada vez mais e as pessoas são sempre as mesmas, o discurso é sempre o mesmo, fez-me sentir repetitivo.

Numa entrevista que deu recentemente pareceu estar desiludido, cansado...

É uma mistura de tudo. Houve uma altura em que se sentiu que talvez fosse possível mudar a forma como se discutia a educação. Passado um punhado de anos, percebi que é como a história do pântano: há umas ondas e depois começa a acalmar, até que olhamos à volta e estamos iguais ao que estávamos há dez anos. Eu era mais um que andava aqui no meio.

Foram inquietações pessoais que o levaram a escrever?

Sim. A ideia era pôr textos sobre história da educação. Mas eu estava de licença para a tese e a minha mulher chegava a casa e começava a falar sobre o que se passava na escola. Depois comecei a ler o estatuto da carreira docente, já em Maio de 2006. Estava a chegar à actualidade nessa altura e a analisar os documentos dos anos 90. Comecei a fazer a relação e a perceber as mudanças que se estavam a preparar. Pensei que os professores estavam mal entregues.

Em que sentido?

A greve às avaliações correu muito mal e nós corremos o risco de ser completamente cilindrados. Não é que um blogue fizesse grande diferença, mas queria deixar a minha posição clara em termos públicos.

Além da análise que vai fazendo, há desabafos de professores, denúncias.

O final de 2007 e o início de 2008 são decisivos. Houve, em algumas escolas, reuniões de pessoas não alinhadas com as posições oficiais e começou a haver uma rede de contactos, a partir de pequenos blogues, conhecimentos.

De professores?

Sim, de vários pontos do país. Na minha escola, em Janeiro de 2008, reunimos professores que vieram desde o Alentejo até à zona de Coimbra. Juntámo-nos, cerca de 30 pessoas, para perceber o que podíamos fazer para contrariar a falta de representatividade. Há pessoas que avançam para os movimentos independentes de professores, outros criam blogues e alguns criaram nas escolas aquilo a que chamo sovietes, para preparar a revolta. A minha ideia era a de que tudo isso não serviria se não conseguíssemos passar para a comunicação social a mensagem de que não somos nem assalariados do ministério nem joguetes dos sindicatos. Tínhamos de mostrar que havia uma identidade própria, que não queremos apenas os nossos privilégios.

Que não corporativistas?

Sim, mas com isso lido bem. Gosto até do termo. A certa altura assumi o epíteto como uma coisa positiva, porque alguém tem de sê-lo.

Os sindicatos não vos representam?

Ser professor não passa apenas pelos direitos laborais que os sindicatos defendem. Há outras questões práticas que só podemos defender a partir de quem está na escola a tempo inteiro. Naquela altura sentimos um défice de representação nas figuras tradicionais dos líderes sindicais, que não sentimos como professores. Tinham posições demasiado políticas e tácticas e com modelos de intervenção herdados de outro tempo.

A Fenprof está comprometida?

Segue um esquema de intervenção. São estratégias que nem sempre atendem às posições das salas dos professores. Nunca vi sair de uma reunião sindical uma posição diferente daquela que lá chegou para ser aprovada.

É a crítica de imobilismo que a própria Fenprof aponta ao governo.

É igual dos dois lados. Podemos estar próximos da posição sindical, mas nem uma nem outra reflectem o que queremos.
É preciso uma gente com uma voz diferente que faça os dois lados reconsiderarem as duas posições – e os movimentos independentes conseguiram que a Fenprof, a dado momento, tivesse de mudar de estratégias.

Que visibilidade alcançou no Umbigo?

O pico deve ter sido entre Março de 2008 e o fim de 2009, com uma entrada de 20 a 30 mil visitantes individuais.

Por dia?

Sim, o que dava cento e tal mil visitas.

Sentiu o peso dessa responsabilidade?

Temos sempre de funcionar sem pensar nisso. Senão, podemos entrar na jogada dos compromissos. Por isso é que nunca quis publicidade. O blogue chama-se “O meu umbigo”, é claramente uma coisa narcísica, pessoal. Acusam-
-me de ter um ego desmesurado. Eu digo que tenho corpo para ter um grande ego, mas a ideia era ter ali a minha opinião.

O fim do blogue é também o fim de um espaço de debate e denúncia. Preocupa-o que assim seja?

Há outras formas de o fazer. Não me preocupa porque, em primeiro lugar, nada pode depender apenas de um blogue e de uma pessoa.

Isso não é nada narcisista.

Eu não sou salvador de nada, não tenho um complexo messiânico. Não fujo ao confronto, mas também não tenho um partido nem um sindicato por trás para, quando as coisas correm mal, estar lá o advogado.

Nunca pensou duas vezes a publicação de um texto, aquela sensação de estar a ir longe de mais?

Em alguns momentos achei que estava a ir longe de mais para o meu próprio bem, estava a correr riscos muito altos. Quando confiscam os computadores do blogue “Portugal Profundo”, avisei a minha mulher para não se admirar se a polícia entrasse em casa e levasse as coisas.

Achou que podia chegar a esse ponto?

Sim, porque houve uma fase crítica em que o facto de o meu telemóvel se ter tornado público – e nunca o mudei – e de ter o nome na lista telefónica, sem nenhuma confidencialidade, fez com que tivesse telefonemas às mais variadíssimas horas. Às vezes, só para me acordar às tantas da manhã. Muitas chamadas desconhecidas.

E ameaças concretizadas?

Nunca passava da alusão. Chegou ao ponto de ligarem para a minha mulher e dizerem: “Avisa o teu marido que, qualquer dia, ele sai da escola e não sabe o que lhe acontece.” Mas isso são coisas que não me preocupam muito.

É uma questão de fé? É religioso?

Não, não sou. Mas há a lei de Murphy: o que pode correr mal começa a correr mal. E sou pessimista. Mas se não correr tão mal quanto isso, fico satisfeito. Em alguns momentos senti devassa da minha vida privada e sei que ela foi feita, mas nunca pensei que chegasse ao ponto muito problemático para mim. Se chegasse, teria de encarar a situação.

Essas pressões tinham um objectivo.

Desmoralizar ao ponto de amaciar. Uma coisa é a intervenção sobre mim, outra é ligarem para a escola da minha mulher, sabendo o horário dela, ou irem para blogues anónimos onde diziam o pior de mim. Fizeram alusões a pressões minhas sobre directores por causa da avaliação da minha mulher, fizeram-se passar por encarregados de educação e ligaram para a minha mulher. Esse tipo de intervenção começou a dar-me um certo nojo. Uma coisa é enfrentar directamente as pessoas, outra é atacar quem está à volta. Por isso nos perguntámos até que ponto estávamos para aguentar aquilo. Mas, se cedemos, damos razão a quem nos faz pressões.

Nunca teve medo de que as alusões se concretizassem?

Tenho a vantagem de ter crescido em meados dos anos 70 na Margem Sul. Aquilo por que passei e que vi enquanto aluno fez-me encarar muitas coisas em perspectiva.
O meu pai foi do Partido Comunista até morrer, em 2008, e eu sempre soube – pelo desagrado que sentia face a algumas estratégias do ramo político – como funcionam as cartilhas de intervenção que se aprendem nas jotas. Sei que a única hipótese é resistir e não ceder. O que de pior me podia acontecer? Darem-me uma tareia? Tudo bem, aguenta-se. Desmoralizarem-me publicamente? Com quê? Escrevo de forma pública sobre certas pessoas, sabia que teria de haver reacção do outro lado.

O que diz de nós enquanto sociedade esse tipo de ameaças de que era alvo? Questionou-se sobre isso?

Muitas vezes. E foi contra isso que, certas vezes, escrevi. Não aceito esta forma de fazer as coisas, não aceito que determinadas pessoas me aparecessem em casa, fazendo-se passar por amigos ou amigas, quando apenas iam saber informações. O blogue promoveu almoços e jantares e eu sabia que havia ali pessoas que só estavam para ver quem estava. Para transmitir informações para fora.

Quem ler o que diz vai pensar que não passam de teorias da conspiração.

É assim que as coisas se fazem. Fui muitas vezes criticado por ter aceitado ir jantar a um encontro de bloggers com o actual primeiro-ministro, antes de ele o ser. Não temos de dizer mal das coisas antes de as conhecermos. Não sou dos que diz que, por alguém ser deste ou daquele partido, não aceito as opiniões dessa pessoa. Naquele jantar quis perceber se as coisas funcionavam como eu supunha. Não é nenhuma conspiração, é como as coisas se fazem. O aliciamento das pessoas, a rotulagem é feita como eu sempre calculei que eram. O mundo funciona como eu acreditava.

O fim do blogue nem foi uma desilusão. Já conhecia as regras do jogo.

Não, não. Não queria dar a sensação de que estes anos foram um imenso perigo. Apesar de tudo, temos brandos costumes. Tudo isso apenas assusta quem é assustável. E nunca foi feito nada muito grave de concreto. Nunca houve aliciamentos pornográficos.

Nem de sindicatos nem de partidos políticos?

Dos partidos políticos, nunca. Normalmente perguntavam a pessoas minhas conhecidas o que eu acharia de participar numa lista. Quem me conhece dizia logo: “Nem te metas com ele, não te chegues a isso.” Houve muita gente que acabou por ser enquadrada, mas quem entrou genuinamente nunca alinhou nisso.

Que marcas ficaram desse período com Maria de Lurdes_Rodrigues no Ministério da Educação?

Mói muito o desânimo que vi em muita gente, a forma como muita gente quebrou durante aqueles anos. Por isso é que nunca perdoarei àquela ministra nem àquele primeiro-ministro. É impossível perdoar--lhes o mal que eles fizeram, em termos psicológicos, a muita gente. Podia ter-se feito quase tudo o que se fez sem aquela atitude de confronto: “Vamos partir a espinha aos sindicatos.” Quando se faz uma acusação generalizada a uma classe – no caso, os professores –, quando se cria um clima em que os alunos começam a olhar para nós como se fôssemos muito maus, como se só servíssemos para gastar dinheiro...

Criou-se uma imagem social dos docentes muito negativa.

Muito negativa. Mas os modelos que a ministra criou fizeram com que as más práticas, desde que obedeçam às ordens do chefe, fossem mantidas. As pessoas com o mínimo de consciência ou foram embora ou ficaram nas escolas sem poder sair, numa situação de completa claustrofobia. Daí aquelas manifestações. Nunca tinha havido uma manifestação daquela dimensão. Acho que ninguém percebeu o grau de ofensa que aquilo produziu nas escolas. Dentro das escolas, os anos 2008 a 2010 destruíram quase por completo, psicologicamente, metade dos professores. Sentiram-se socialmente injustiçados, profissionalmente ofendidos e pessoalmente afrontados.

E conseguiu-se “suavizar” a classe?

Sim, muita gente saiu, reformou-se. Tem de medir-se a ofensa quando alguém de quem se diz ser privilegiado prescinde de 30 a 40% da sua reforma para sair das escolas. Isto está para loucos. Estamos a ganhar menos, temos mais horas de trabalho e mais alunos nas turmas, temos mais tarefas extralectivas, esquecendo-se uma coisa muito simples: o desgaste diário.

De que resulta esse desgaste?

Eu tenho 120 a 130 alunos. Tenho de agir individualmente com todos eles. Mas tenho colegas com mais de 200 alunos. A necessidade de tomar decisões, justas, ainda por cima, perante turmas de 25 a 30 alunos, de hora a hora, sabendo-se que os miúdos chegam lá fora e contam aos pais, e os pais contam no café, e se eu fizer uma grandessíssima asneira na sala já toda a gente sabe...

Preocupa-o a escola pública de hoje?

Preocupa-me muito.

A escola que devia formar cidadãos.

Se vivemos numa democracia e temos aquelas conversas muito bonitas sobre a escola como laboratório da democracia, temos de exemplificar, pelo funcionamento da escola, essa democracia. Ora, a democracia não é a pura igualdade. As funções de cada pessoa devem ser respeitadas e dentro desses papéis todos terem a sua palavra, a sua forma de estar e o reconhecimento dos seus direitos e deveres. Mas perdemos a noção das fronteiras dentro da escola.

Perdeu-se a autoridade?

Os anos 80 e 90 foram os do eduquês e do discurso fofinho._Eram todos pares nas aprendizagens. Está bem. Se eu for aluno, posso encarar-me como par de quem me está a ensinar, mas a pessoa está a ensinar--me e eu estou a aprender. O problema é que essa fronteira se diluiu para os alunos que foram criados nesse discurso e que agora chegaram a encarregados. Alguns perderam a noção de que a escola não é um sítio onde apenas se deixam os miúdos a entreter tempo. Eles têm de fazer algum trabalho, seguir regras. A vida em comum tem regras. A solução não é o autoritarismo, que não é o mesmo que autoridade. E essa tem de ser reconhecida pelos outros. Alguns conseguiram conquistá-la pelo exemplo.

Há professores que não servem?

Exacto. Há excelentes transmissores de conhecimentos, mas que são péssimos nas relações humanas.

Isso é conciliável?

Há que perceber que há estilos diferentes. Se este professor tem um estilo e aquele tem outro, tem de respeitar-se a diferença, tal como o professor tem de respeitar as diferenças entre os alunos.

O que levou a ser professor?

Depois de experimentar várias alternativas profissionais, cheguei à conclusão de que era numa sala de aula que me sentia bem.

Quantos anos tem de ensino?

No mês passado fez 28 anos que comecei a dar aulas. De forma ininterrupta, 23 anos. Se juntar os anos de aluno, são 44 anos. Estou numa escola ininterruptamente desde 1971. Já deu para ver muita coisa.

Alguma vez a escola esteve tão mal?

Uma das coisas que mais me custa é que a minha filha tenha de passar por condições similares às que eu passei. Isto tornou-se, em alguns aspectos, tão mau como nos tempos em que era mau. A minha filha, no sexto ano, tem turmas maiores do que as que eu tive em 1976. Tem condições na escola – que não é intervencionada pela Parque Escolar porque eu não vivo numa cidade onde foi feita uma escola para as elites – em que é preciso pôr papel pardo nos vidros por causa do sol. Em 2015, a minha filha tem piores condições de trabalho do que eu tive em 1975. Não é que esteja pior do que já foi. Mas a tendência normal é de que as coisas melhorem ou estabilizem. Estamos a ter uma involução que nos está a reconduzir a situações a que não assistia, pelo menos, desde os anos 80.

Um dirigente do Conselho Nacional de Educação dizia-me há dias que não há ninguém a pensar a escola pública em Portugal. O problema está aí?

O que é a escola do futuro, as learning streets? É como vemos os finlandeses, nas escolas mais belas do mundo, com o seu portátil? Então não posso ter uma profissão com 1100 minutos de aulas para dar. Podemos dar aulas abertas, mas imediatamente esbarramos com a burocracia do horário e das centenas de metas de aprendizagens.

Então o que será a escola do futuro?

Gostaria que fosse uma escola em que os alunos chegassem à porta alimentados, sem pais desempregados – agora é a minha faceta comunista. A escola não pode resolver do portão para dentro todos os problemas que os miúdos têm quando lá chegam. Se me chegam miúdos cheios de fome e à espera do lanche que a escola lhes arranja, se a família está em situação de desemprego, se os irmãos estão em situação de criminalidade, a escola do futuro nunca vai ser construída sobre as bases ideais e utópicas. Gostava que tivéssemos atingido um estado de desenvolvimento em que a sociedade permitisse que essas condições existissem e a escola reproduzisse um determinado clima e ambiente mental que fizesse com que as gerações seguintes já estivessem adaptadas ao funcionamento dessas escolas. Não é a partir de uma reforma que se muda a escola. Devemos ver o que está a correr mal e fazer subir essa parte. Melhorando o que está pior, empurramos o resto. A escola tem de ser pensada de forma integrada, mas cada ministro chega e faz a sua reforma. A escola do futuro vai ser esquelética.

Hoje já nem sequer é expectável que se façam reformas consensuais.

Ninguém está preocupado com a escola pública. Estão preocupados com o seu mandato. Discutimos a escola pública com ministros do passado. E o que lhes pergunto é: “Quando lá esteve, não fez isso porquê?” A resposta é sempre: “O poder das corporações, o monstro do ministério.” Mas o que quer isso dizer? Pensaram dirigir-se às escolas? Não há nenhuma reforma que tenha sucesso em que os implementadores no terreno estejam em desacordo com ela.

A escola pública é mais desigual?

Completamente. Temos liceus de elite nos centros urbanos, com condições de primeiro mundo, e escolas com problemas como não poder mudar estores, com portas partidas... Quando se aplicam mecanismos de concorrência à escola pública dentro dela própria, temos professores de fora a virem às aulas de nono ano angariar alunos.

É uma diferenciação que se estende, por exemplo, aos cursos vocacionais.

O ensino vocacional serve para limpar pautas. Este ensino não foi criado para qualificar a população nem para lhe dar saídas profissionais. Criaram estes cursos para limpar das turmas regulares os alunos indesejáveis. Isso produz sucesso nas estatísticas oficiais. Não esperava isto de Nuno Crato. Esperava que lidasse com os problemas de frente.

E sobre o sucessor?

O António Costa vai buscar um ministro mais fofinho que acaba com os exames e tudo fica na mesma.

A evolução e retrocesso na escola levaram-no a pensar que já bastava? Que não devia ter seguido este caminho?

Nunca pensei que não devia ter vindo por este caminho. Já considerei a hipótese de ir embora. Eu sei muito bem de que é que gosto. E há poucas coisas que goste de fazer além de dar aulas. Confesso que a decisão de acabar com o blogue tem muito a ver com a minha relação com a docência. Se continuasse a escrever, ia perder o gosto por dar aulas.

Ficava mais áspero.

Sim. Eu gosto muito que os meus alunos me façam caricaturas. Se há um traço que põem no meu desenho, é o sorriso. No momento em que chegar às aulas e, durante um dia ou dois, eu não conseguir sorrir com os alunos, vou embora e nem sequer faço contas com o Estado. Foi sempre o que fiz noutros empregos.

Isso já esteve perto de acontecer?

Perto, ainda não estive. Mas tinha muito receio de que a minha atitude crítica em relação às políticas e o facto de escrever diariamente sobre isso me fosse esvaziando do brilho e empatia com os alunos. Nunca reflecti muito conscientemente – estou a fazê-lo aqui pela primeira vez – mas, progressivamente, a escrita e a reflexão diária sobre educação poderia levar-me a dizer que não quero fazer parte disto. Essa decisão acaba até por resultar de uma decisão de autodefesa. Proteger a sanidade com uma pequena dose de loucura.

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