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Crítica "A rapariga que roubava livros". O perigo de levar emprestado: da ficção para a realidade - vídeo

Crítica "A rapariga que roubava livros". O perigo de levar emprestado: da ficção para a realidade - vídeo

22/01/2014 00:00

A literatura tem esta mania de criar os seus próprios mundos, entendidos por cada um de cores e formas diferentes. A adaptação para cinema já é uma nova leitura que não vai corresponder ao imaginado, está certo; a questão é se agradará. É uma situação ingrata. É que "A Rapariga Que Roubava Livros" tem vários pontos a seu favor. Estamos em meados do século xx, na Alemanha, e é a morte que nos vai segredando detalhes sobre a tarefa de tirar vidas até chegar à história de uma rapariga que vale a pena contar. Chama-se Liesel (Sophie Nélisse), uma menina loira de olhos azuis e ar espantado que tem uma atracção inexplicável por livros - apesar de não saber ler. Por força das circunstâncias, Liesel é entregue a um casal de pais adoptivos, Hans (Geoffrey Rush) e Rose (Emily Watson), e a adolescente tem de se habituar a uma nova vida que se faz de farda e saudações nazis. Se a mãe tem feitio difícil, o pai é um homem discreto e bom - uma interpretação competente de Rush -, sempre de acordeão na mão e pronto para a ajudar nas palavras que a atraem mas em que teima em tropeçar. Enquanto lida com o abandono da mãe verdadeira, faz um amigo especial e pensa a ameaça da guerra. A tensão aumenta quando os pais abrigam um rapaz judeu. Na história de Markus Zusak são as palavras o grande protagonista e é a maneira como o autor as maneja que torna a narrativa tão especial. No filme esta nuance é vagamente captada, avança-se demasiado depressa, há cenas esquecidas que mereciam figurar, outros caprichos à parte. Guardam-se emoções fortes e a fotografia a embrulhar tudo o resto, que a danada da literatura não permite mais. 

 

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