14/11/18
 
 
Benfica. Ele é Taça, ele é dobradinha, ele é triplete

Benfica. Ele é Taça, ele é dobradinha, ele é triplete

18/05/2014 00:00
Gaitán decide final com belo golo (1-0 ao Rio Ave)e o Benfica fecha época histórica com dobradinha(a primeira desde 1987) e três títulos (como em 1981)

Isto aqui não é assim. Lá porque a barbuda Conchita Wurst ganha o Eurofestival da canção, não quer dizer que a Taça de Portugal vá para os barbudos do Rio Ave. Se não é assim em 1984, na primeira final da Taça do Rio Ave (4-1 para o Porto), também não o é em 2014.

Trinta anos depois, o Benfica rouba o protagonismo e acaba a época com a conquista do terceiro título. Ao campeonato, junta-lhe as duas taças nacionais (a da Liga e a de Portugal), ambas com o Rio Ave na final. Em Leiria, marcam Rodrigo e Luisão (2-0). No Jamor, basta um golo de Gaitán (1-0). Acrescento: um belo golo. O esquerdino chuta com o pé quem tem mais à mão (o direito) e a bola entra no ângulo, sem qualquer hipótese para Ederson.

Com Carlos Xistra no apito, as duas equipas apresentam-se em campo com algumas variações em relação ao último duelo, o tal de Leiria para a final da Taça da Liga há 11 dias. Nuno Espírito Santo substitui o português Braga pelo egípcio Hassan (sem barba) no ataque e ainda Ederson por Ventura na baliza. Jorge Jesus, esse, promove André Almeida a lateral-esquerdo para o lugar de Siqueira, que saíra lesionado da final da Liga Europa na quarta-feira, com o Sevilha, e faz entrar Salvio por Markovic.

Nas bancadas, o vermelho domina sem igual. O Jamor parece um anúncio ao ketchup. A sensação resvala para o relvado, onde o Benfica controla, domina e ganha cantos uns atrás dos outros. Faz lembrar aquela segunda mão da meia-final com o FC Porto, na Luz, em que se registam seis cantos seguidos no lado direito. O Rio Ave não consegue afastar a pressão e anda ali às aranhas. Ederson não é chamado ao serviço mas o golo sente-se. E aparece aos 20 minutos, na sequência de uma jogada truncada. A bola sobra para Gaitán e 1-0. Tal como há um ano, é o argentino quem abre o marcador no Jamor. Na altura, o Vitória de Guimarães dá a volta (2-1). Agora, nem pensar. Porque isto aqui não é assim. E não, não voltaremos a falar das barbas, mas sim dos ditados populares.

O que nasce torto jamais se endireita? Olhe que não, olhe que não. Quem diria que o Benfica arrancaria para uma irresístivel época, com final feliz, depois de começar a perder nos Barreiros (2-1 do Marítimo)? Poucos ou pouquíssimos, a verdade é que a festa começa com o golo de Gaitán e o guião não sofre o mínimo desvio.

Ainda faltam 70 minutos para o fim do jogo, é certo, mas o Rio Ave não acerta o caminho da baliza benfiquista - aliás, só o faz uma única vez (Ukra) em 360 minutos distribuídos por quatro jogos versão 2013-14. A candidatura ao golo do empate passa por um suave remate ao poste por Pedro Santos (64") e duas defesas arrojadas de Oblak (Braga 69", Tarantini 88"). No outro lado, Ederson evita sem saber muito como o 2-0 de Garay (23") e opõe-se com galhardia a Markovic (75"). Ora bem, isso dá 3-2 para o Rio Ave. Pois...

As bancadas continuam vermelhas, agora de raiva. O Benfica aparece sem vigor na segunda parte e o Rio Ave atira-se para a frente como se não houvesse amanhã. Ééééééé, aquela baliza tem um íman e puxa a bola. Só pode, porque o Benfica encolhe-se e possibilita o sonho do Rio Ave. Há ali uma inusitada troca de papéis. Presos por arames, Ruben Amorim e Enzo Pérez já não circulam a bola como na primeira parte. È a ressaca (no Brasil, "Se Beber, Não Case", nos EUA, "The Hangover"). Depois de Las Vegas (EUA), Banguecoque (Tailândia) e Tijuana (México), apresentamos-lhe a parte IV, no Jamor. Os jogadores do Benfica não correm, não conseguem pura e simplesmente; limitam-se a fazer correr a bola de um lado para o outro ao som imaginário do relógio. Tic tac tic tac. Os últimos minutos são sofridos para Oblak, mais ainda com a entrada de Hassan (ainda sem barba). O Rio Ave acampa no meio-campo contrário (aquele que tem sol na sua plenitude).

O apito final de Xistra provoca o ruído da vitória mas também o do alívio e do dever cumprido. Dos 37.150 espectadores (mais quatro mil do que em Turim, vs. Sevilha), a maioria está aos pulos de contentamento. A contrastar com a tensão vivida a meia-hora do início do jogo em que milhares de pessoas vêem-se bloqueadas no acesso às bancadas pela porta da Maratona, travadas pela barreira policial criada para gerir o acesso às bancadas. O susto já lá vai, o sorriso de uma ponta à outra permanece. É o Benfica do triplete (como em 80-81: campeonato, Taça de Portugal e Supertaça nacional), é o Benfica da dobradinha (a 11.ª da sua história, a primeira desde 86-87). É o Benfica, ponto.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×