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O CDS faz 40 anos. Explicamos o partido de a A a Z

O CDS faz 40 anos. Explicamos o partido de a A a Z

18/07/2014 00:00

A- Adriano Moreira

O CDS já foi “o partido dos pobres” – era este um dos slogans no tempo em que Adriano Moreira foi presidente, entre 1986 e1988. Adriano só aderiu ao CDS em 1978 – depois do 25 de Abril teve os seus direitos políticos suspensos por ter sido ministro do salazarismo. Foi dos poucos políticos a apresentar-se a eleições com um cartaz com um dos seis filhos pequenos (não era  Isabel Moreira) a eleições, sob a frase “Para Portugal crescer”. É hoje um senador consensual.

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B- Basílio Horta

Em 1990, Basílio Horta era um dirigente do CDS mainstream, que ambicionava ser líder. Cavaco já tinha optado por apoiar a recandidatura de Soares quando Basílio decide avançar para Belém. Freitas do Amaral, líder do CDS, apoiou a contragosto. Quase ninguém, nem do CDS e muito menos do PSD, apareceu na campanha. Os únicos apoios de campanha de Basílio eram o então líder da JC, Martim Borges de Freitas, e o dirigente Manuel Machado – a que se juntavam Monteiro e Portas, na altura director de “O Independente”. Basílio passa uma campanha a bramar contra os “que comem da gamela” (sic), em comícios incendiários e populistas. Envolve Soares no caso de corrupção em Macau. Obtém 14,16%. Hoje, é presidente da Câmara de Sintra, pelo PS.

C- Camarate

A queda do Cessna em Camarate, a 4 de Dezembro de 1980, criou um mito e um mistério na história do CDS. O mito é Adelino Amaro da Costa, fundador do partido e então ministro da Defesa, que acompanhava Francisco Sá Carneiro numa viagem ao Porto. O mistério é se a queda do avião (entre os centristas não há muitas dúvidas de que foi um atentado) não terá visado precisamente Amaro de Costa, que então investigava o Fundo de Defesa Militar do Ultramar.

D- Dissidentes

Três líderes do CDS saíram já do partido. Freitas do Amaral foi ministro dos Negócios Estrangeiros num governo PS, depois de uma aproximação ao PSD de Durão Barroso. Lucas Pires foi deputado no Parlamento Europeu, eleito pelo PSD, e Manuel Monteiro fundou o Partido da Nova Democracia. Basílio Horta, um dos fundadores do CDS, também saiu e, mais tarde, foi eleito para deputado nas listas do PS.

E- Eleições

Nas primeiras eleições a que concorreu para a Assembleia Constituinte, em 1975, o CDS ficou em quarto lugar com 7,6%. Elegeu 16 deputados. Freitas do Amaral admite que esse resultado foi “uma decepção profunda e dolorosa” para os fundadores do CDS, que chegaram a colocar em causa se “valeria a pena continuar”. Nas eleições seguintes, em 1976, o CDS ultrapassou os 15% e elegeu 42 deputados. O pior resultado foi em 1987, quando Cavaco Silva conseguiu maioria absoluta. OCDS ficou apenas com quatro deputados,  com 4,4% dos votos.

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F- Freitas do Amaral

Foi fundador do CDS e liderou o partido entre 1974 e 1982 e 1988-1991. O seu objectivo foi criar um partido de centro, mas que se posicionasse à direita do PSD e do PS. “Somos um partido centrista, que constitui uma síntese harmoniosa entre o centro-direita e o centro-esquerda”, disse, na conferência de imprensa em que anunciou o nascimento do CDS. Mais tarde, afastou-se do partido e chegou mesmo a ser ministro num governo socialista.

G- Governo

É a sétima vez que o CDS está no governo. Esteve em 78 com o PS e em 80, 81, 81 a 83, 2002, 2004 e 2011 com o PSD. Ao todo são mais de dez anos em funções executivas, com seis primeiros-ministros diferentes (Mário Soares, Sá Carneiro, Balsemão, Durão Barroso, Santana Lopes e Passos Coelho).  

H- Hino

O CDS vai mudar de hino e já abriu um concurso, no âmbito das comemorações dos 40 anos, para escolher a melhor música e a melhor letra. O actual hino dos centristas é da autoria da cantora Dina. “Para a voz de Portugal ser maior junta a tua voz à nossa voz”, diz o hino interpretado pela cantora que venceu o festival com a canção “Amor de Água Fresca”.

I- Irrevogável

Foi há um ano que Paulo Portas se demitiu do governo com a garantia de que era uma decisão “irrevogável”. A justificação do líder do CDS foi a ida de Maria Luís Albuquerque para o comando do ministério das Finanças, após a demissão de Vítor Gaspar. “Ficar no governo seria um acto de dissimulação”, escreveu Portas num comunicado. O centrista acabou por recuar e explicou no congresso que “se nada fosse feito, a coligação poderia deteriorar-se”.

J- Jacinto Leite Capelo Rego

No âmbito da investigação do Portucale (caso de corrupção na aprovação de um empreendimento turístico do BES pelo ministro do Ambiente Nobre Guedes), a PJ descobriu uma entrada suspeita de dinheiro vivo na sede do CDS (mais de 1 milhão de euros). Nada foi concluído sobre a origem dos valores, no relatório final da investigação, que o CDS disse tratarem-se de donativos em jantares e iniciativas do partido. Entre os doadores a  PJ desconfiou de dados fictícios e do doador de nome “sonante e anedótico”. Qual? Jacinto Leite Capelo Rego [ler com sotaque brasileiro].

L- Lavoura

A “luta pela lavoura” tornou-se imagem de marca no terreno eleitoral, quase tão colada ao actual líder do CDS como a do “Paulinho das feiras”. Aagricultura foi um filão agarrado por Portas e feito render em votos.  

M- Manuel Monteiro

Subiu à liderança apadrinhado por Adriano Moreira e marcou o partido conseguindo, em 1995, fazê-lo sair do táxi e eleger 15 deputados. Não tinha uma representação tão alargada no parlamento desde 1976. Foi ele que acrescentou o PP ao CDS. Foi eurodeputado. Mas um mau resultado eleitoral nas autárquicas de 97 fizeram-no abandonar a presidência. Mais tarde saiu do CDS e fundou o PND, mas em 2008 abandonou a liderança.

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N- Nome

Freitas do Amaral e Amaro da Costa fizeram uma lista de dez nomes para o novo partido. Entre eles,  Partido Reformista, Partido Social Indepentente e Centro democracia e Progresso. O nome escolhido foi o último, mas no dia antes de Freitas anunciar o novo partido aparaceu o Partido do Progresso. A solução foi mudar o nome e assim nasceu o Centro Democrático Social.

O- O Independente

O jornal era irreverente e um abalo para o que se fazia na imprensa nacional na altura, mais chegado à direita do que a generalidade da concorrência. Com Miguel Esteves Cardoso, Paulo Portas fundou “O Independente” e marcou sobretudo pela marcação ao então primeiro-ministro, Cavaco Silva. Portas era já então o ideólogo do CDS-PP de Manuel Monteiro e fazia juras de que jamais entraria na vida política.

P- Paulo Portas

É o actual líder e também o presidente que mais tempo esteve à frente do partido. Ao todo, são 14 anos. Foi eleito pela primeira vez para a liderança no congresso de Braga em 1998.  Demitiu-se sete depois devido ao resultado das legislativas, mas voltou dois anos depois para disputar a liderança com Ribeiro e Castro. Ficou até hoje.

Q- Quota feminina

OCDS nunca teve tantas deputadas como agora e com Paulo Portas várias foram as mulheres que se destacaram. Assunção Cristas, que é apontada como uma das hipóteses para a liderança, Teresa Caeiro e Cecília Meireles ou Mariana Ribeiro Ferreira são hoje nomes de primeira linha do partido.

R- Ribeiro e Castro

Foi líder do CDS entre 2005 e 2007, depois da demissão de Paulo Portas. “Os portistas”, que dominavam a bancada parlamentar, contestaram sempre a sua liderança e acabou por ser afastado por Paulo Portas dois anos depois em eleições directas. É deputado na Assembleia da República e o único ex-líder que está na política activa.

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S- Submarinos

É o ponto fraco de Paulo Portas e recorrente assunto a ensombrar a sua liderança. Em causa a investigação ao negócio da aquisição de dois novos submarinos, bem como de torpedos e viaturas Pandur nos anos 2004 e 2005, era Portas ministro da Defesa.

T- Táxi

A expressão “partido dotáxi” encaixou no CDS sobretudo durante a primeira maioria de Cavaco Silva, por ter quatro deputados, número máximo de ocupantes num táxi. Em 1991, passou a 5. Hoje tem 24.

U- União Europeia

Alguns dos melhores textos eurocépticos do país foram escritos por Paulo Portas. A defesa de um referendo ao Tratado de Maastricht foi uma das batalhas do CDS liderado por Manuel Monteiro, com Paulo Portas na chefia de “O Independente”. Nesse tempo longínquo, Portas condenava a “germanização da Europa” que descambaria numa “crise social sem precedentes”. Mudou de ideias e passou a “eurocalmo”. Infelizmente?

V- Vichyssoise 

Em 1993, o director do Independente Paulo Portas revelou que Marcelo o tinha enganado, inventando uma reunião em Belém e até a ementa da mesma: uma vichyssoise. “É uma pessoa pouco confiável”, disse Portas de Marcelo. Voltaram a aproximar-se só em 99. Como líderes do PSD e CDS acordaram uma coligação, mas Portas matou-a numa entrevista televisiva, sem pré-aviso. Tramou Marcelo, que se demitiu da lidernaça do PSD na sequência disso. Uma vigança servida tão fria como a famosa sopa.

X- António Lobo Xavier

Hoje tem peso como comentador político, mas sobretudo como advogado e empresário. Vem da Juventude Centrista e foi deputado entre 1983 e 96, pelo meio candidatou-se à liderança do partido (contra Manuel Monteiro e Basílio Horta) e foi líder parlamentar.

Z- Zezinha

Marcou dez anos da história do partido, tendo representado o CDS como deputada em 1995, altura em que se fez militante. Três anos depois, Maria José Nogueira Pinto disputou a liderança com Paulo Portas, no pós-Manuel Monteiro, num congresso onde disse a famosa frase “você sabe que eu sei que você sabe que eu sei”, num duelo com Lobo Xavier. Entrou a dizer que até ganhava ao “rato Mickey”, saiu derrotada mas continuou no partido como presidente do Conselho Nacional. Foi até a candidata do CDS à Câmara de Lisboa, em 2005, mas dois anos depois rompeu de vez, devido ao regresso de Portas à liderança. Em 2009 voltou ao parlamento, mas pelas listas do PSD.

 

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