A história conta-se em poucas linhas. Numa manhã de 1952, vestido com uma camisola estival às riscas, Pablo Picasso preparava-se para tomar o pequeno-almoço em Nice quando lhe bateram à porta.
Era o seu amigo Robert Doisneau, que, como de costume, trazia a máquina fotográfica a tiracolo. Convidando-o a juntar-se-lhe, o artista mostrou-lhe os pães na mesa: chamavam-lhes ‘mãos de Nice’ mas o padeiro, na brincadeira, referira-se a eles como ‘Picassos’ por só terem quatro dedos (não por o pintor ter quatro dedos, mas pela liberdade dos seus retratos, onde acrescentava, subtraía ou deformava a seu bel-prazer).
Picasso sentou-se e Doisneau fez a famosa fotografia dos pães. Porém, se olharmos com atenção, perceberemos que não é a imagem de 1952 que vemos nesta página mas uma recriação: Auto-retrato como Pablo Picasso, de Yasumasa Morimura. Pode ser vista numa exposição em Hong Kong que exibe, lado a lado, mais de 60 obras do mestre espanhol emprestadas pelo Museu Picasso de Paris e 130 obras de artistas contemporâneos asiáticos.