Num artigo de opinião hoje publicado no DN, o líder social-democrata acusa o Executivo socialista de, com “falta de prudência” e uma “visão fanfarrona”, ter desbaratado a recuperação económica de Portugal nos últimos amos e deitado abaixo a credibilidade que o país tinha alcançado. E alerta que, “se não fosse a política do Banco Central Europeu”, de compra de dívida, mas que “tem data para acabar”, “Portugal já não teria condições para se financiar nos mercados externos”.
A oportunidade do artigo – intitulado ‘2016: o ano da reversão da credibilidade’ – é justificada por Passos Coelho com o próximo debate do estado da Nação, marcado para a próxima quinta-feira. O líder do PSD faz, assim, um balanço do país e uma comparação da situação económica relativamente ao verão de 2015.
“A recuperação económica não só perdeu vigor, como a perspetiva de crescimento para este ano recuou de forma medíocre para perto de 1%”, “o investimento caiu a pique” e “as exportações interromperam os bons resultados do passado”. Quanto à execução orçamental deste ano, anunciada na semana passada, Passos Coelho diz que a leitura é evidente: “a carga fiscal sobre os combustíveis vai para já suportando” a reversão dos cortes salariais na Função Pública, “crescem novamente os atrasos de pagamentos a fornecedores, sobretudo na Saúde”, que, juntamente com “o adiamento de despesa, corrente e de investimento, tornarão o segundo semestre uma bomba ao retardador”. Além disso, Passos lembra a “política de reversões estruturais na economia e nas áreas sociais”, impostas pelos acordos com BE e PCP.
“Credibilidade e confiança desapareceram”
“Movido pelo lema de virar a página da austeridade, o novo Governo o que virou foi a página da credibilidade e atirou a confiança pela janela fora”, acusa o líder do PSD.
“Não espanta, por isso, que a credibilidade e a confiança tenham desaparecido da conversa externa sobre Portugal e que as recriminações em tono de eventuais sanções ocupem hoje o essencial das referências entre o Governo e as instituições europeias”, salienta Passos Coelho, acrescentando: “Infelizmente as coisas estão a correr mal, mas este resultado não tem nada de inesperado” e “tem uma explicação bastante simples: a estratégia e as opções de política do novo Governo e da sua nova maioria”.
Outro erro que Passos aponta a António Costa e ao ministro das Finanças é o de terem aceitado em Bruxelas fechar as contas de 2015 “em termos estruturais em piores circunstâncias do que a realidade consentia” – com um défice de 3,2% quando, segundo a UTAO e o Conselho de Finanças Públicas, foi de 2,8% sem a resolução do Banif. “O Governo português pode ter pensado que a tal pior base de partida para 2016 não traria complicações e que politicamente o assunto acabaria por se resolver” – mas isso não veio a acontecer, salienta Passos, lembrando que mesmo “no seio do grupo socialista a desconfiança sobre o resultado das contas deste ano é demasiado grande para não ficar um alerta claro de responsabilização para o governo”, o que deverá conduzir a que a Comissão Europeia adote sanções contra Portugal.