O meu espaço é curto para rebater tudo o que escreveu, pelo retenho apenas o seguinte ponto, que considero pertinente.
O défice estrutural retira das contas orçamentais as receitas e despesas extraordinárias e a conjetura económica. Ou seja, se o PIB cair, o défice nominal sobe, mas o estrutural pode-se manter, permitindo-se assim que o Estado assuma despesa de estímulo à economia. Caso a economia cresça, o défice nominal desce devido ao maior número de receitas, apesar de o estrutural se manter.
O problema é que quando a economia cresce, os governos decidem gastar mais. Logo, voltando a recessão, o défice nominal dispara, tendo o estrutural também subido. Isto tem tudo a ver com o que Keynes defendeu na sua teoria económica: o Estado deve aumentar a despesa em períodos de recessão, mas conter-se nos de expansão. Nada tem de neoliberalismo. Se há totalitarismo é socialista que, esquecido que está de Keynes, gasta como se não houvesse amanhã, retirando às novas gerações a liberdade de escolha.
Se entre o PS tal sucede para estar no governo a qualquer custo, já Mortágua o que pretende é aumentar o poder do Estado a todo o momento: em períodos de recessão e de expansão económica. O que lhe interessa é mais poder público, mais planeamento centralizado. Um filme gasto e causador de muito sofrimento mas que, por magia negra, é apresentado com outras vestes.
Advogado. Escreve à quinta-feira