O ministério da Saúde informou, no final de junho, que mantém a intenção de encerrar a urgência médico-cirúrgica do hospital de Torres Vedras, numa resposta por escrito ao Partido Ecologista Os Verdes, a que a Lusa teve hoje acesso.
Na resposta, datada de 25 de junho, a um requerimento entregue na Assembleia da República pelo Partido Ecologista Os Verdes, a que a Lusa teve acesso, o ministério revelou que tenciona “passar o serviço de urgência [médico-cirúrgico] do hospital de Torres Vedras a urgência básica”, mantendo a urgência médico-cirúrgica em Caldas da Rainha.
Entre as medidas de reestruturação para os hospitais da região Oeste, cujo acesso à proposta definitiva (datada de maio) tem sido recusado pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) à Lusa, comissões de utentes e autarcas, pretende-se concentrar o bloco de partos dos hospitais de Torres Vedras e Caldas da Rainha “numa das unidades, de forma a aumentar a qualidade e segurança dos cuidados prestados” e manter o serviço de pediatria em Torres Vedras.
A tutela justifica a reestruturação de serviços, proposta pela ARSLVT, com a “necessidade de potenciar o aproveitamento dos recursos disponíveis e com as dificuldades na contratação de profissionais de saúde”.
Na resposta, é explicado que a alteração “não tem como objetivo reduzir a oferta de serviços de saúde na região”, mas sim “racionalizar recursos e sinergias, rentabilizar a capacidade instalada, melhorar a sustentabilidade económico-financeira e proporcionar uma resposta adequada de cuidados de saúde às populações”.
Em março, os deputados Heloísa Apolónia e José Luís Ferreira, do partido Os Verdes, questionaram o Governo sobre os motivos do encerramento de serviços de saúde na região Oeste, após ser conhecida uma proposta da ARSLVT, cuja última versão conhecida datava de fevereiro.
A proposta aponta para a fusão das administrações dos dois hospitais numa única, para o encerramento da urgência médico-cirúrgica de Torres Vedras e para a concentração do serviço de cirurgia no hospital de Torres Vedras, devendo Torres Vedras e Caldas da Rainha assegurar a cirurgia de ambulatório.
A pediatria "deverá manter-se em ambos os hospitais" e a maternidade funcionará nas Caldas da Rainha. Esclarecimentos prestados no início de junho, pela ARSLVT, adiantam que decisão de encerrar a urgência básica de Peniche é remetida para a futura administração hospitalar.
Ao passar de médico-cirúrgica para básica, a urgência de Torres Vedras deixa de ter equipas compostas por médicos especialistas nas várias valências, tais como medicina interna, ortopedia, cirurgia geral ou pediatria, e passa apenas a ser constituída por dois médicos, entre outros profissionais.
Por outro lado, passa a estar dotada com menos meios técnicos e deixa de dar resposta a grandes cirurgias e ao tratamento de patologias como enfartes do miocárdio ou acidentes vasculares cerebrais.
Os utentes servidos pelo Centro Hospitalar de Torres Vedras, Centro Hospitalar Oeste Norte e Hospital de Peniche promovem, no sábado, uma marcha a favor da manutenção dos serviços nestes hospitais.
A região Oeste é servida pelo Centro Hospitalar Oeste Norte (Caldas da Rainha), que abrange os concelhos de Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche, e pelo Centro Hospitalar de Torres Vedras, que serve o Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras e parte do concelho de Mafra.