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Cabo Verde. Não há ninguém como Rui Águas

Cabo Verde. Não há ninguém como Rui Águas

01/04/2015 00:00
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José Águas é o homem que levanta as duas Taças dos Campeões pelo Benfica, em 1961 (3-2 ao Barcelona) e 1962 (5-3 ao Real Madrid). É o capitão e aquele que aparece em todas as fotografias de consagração benfiquista e portuguesa. Vinte e dois anos depois de sair da Luz, para se aventurar uma época na Áustria, ao serviço do Rapid Viena, aparece o filho Rui.

E agora? É aproveitá-lo ao máximo porque o homem não aterra no Benfica com cunhas. É trabalho feito. E de raiz. Senão, veja lá bem isto. Parecido com o pai na arte do salto, atira-se de cabeça para o futebol, depois de uma experiência bem sucedida no voleibol. Anda pelo Benfica dos 12 aos 14 anos, vai para o Cultural da Pontinha e ainda veste a camisola do Sporting, no último ano de júnior, em 77. Uma lesão atira-o para o estaleiro durante dois anos. Só aparece em cena na 3.a Divisão, pelo Sesimbra. Dois anos volvidos, em 82, já está no Atlético, do segundo escalão. Aqui ainda é o filho do José Águas, mas dêem-lhe tempo, caramba. Em 1983, voilá, Manuel José aposta nele. Onde? Lá em baixo, no Portimonense.

Se o pai, José, demora um jogo e pouco a adaptar-se às chuteiras e aos relvados portugueses para marcar o primeiro golo de uma série deles, ao filho Rui custa-lhe encontrar o caminho da baliza nos primeiros 1182 minutos de jogo. Só em Março de 1984 dá um ar da sua graça. E em dose dupla: 3-0 ao Espinho. Inicia-se aqui uma fabulosa trajectória, ainda sem fim à vista. Acredite, há poucos como ele. É só seguir as pegadas. Em Abril de 1985, a selecção chama por si. José Torres convoca-o e estreia-o com a Itália, em Ascoli (2-0 por Conti e Rossi). Rui é uma peça rara: ser internacional pelo Portimonense tem muita pinta. Vai daí, o Benfica contrata-o. Na primeira época marca um golo na final da Taça (2-0 ao Belenenses). Na segunda sagra- -se campeão nacional com 13 golos à sua razão (três deles ao FC Porto). Na terceira faz estremecer a Luz com dois golos ao Steaua na segunda mão das meias- -finais da Taça dos Campeões.

Segue-se um parêntesis no FC Porto (um título de campeão nacional em duas épocas) e só então o regresso à Luz, onde se dá melhor ainda com dois títulos de campeão e a desejada Bota de Prata, atribuída ao melhor marcador da liga (24 golos em 90-91). Acaba a carreira em Portugal em Outubro de 1994, com um golo (claro) no Estrela-União no José Gomes. Sai de fininho para Itália, ao lado de Futre na Reggiana.

E a selecção? Tem o mérito de marcar dez golos em 31 internacionalizações, a última delas em Itália (Milão no jogo de varrer a porcaria de Queiroz). Pormenor: desses dez, nove são a valer (Suíça, Checoslováquia, Luxemburgo-2, Malta e Estónia nas qualificações para os Mundiais; Holanda, Grécia e Malta nos apuramentos para os Europeus). O único \"a brincar\", digamos assim, é com a RFA campeã mundial em 1990. Outro pormenor: um só jogo no Mundial-86, com Marrocos (3-1 para eles).

Arrumadas as chuteiras, e agora? Faz- -se treinador. Primeiro Estoril na 2.a B, depois Vitória de Setúbal na 1.a Desvia-se para adjunto (Marítimo e Braga) antes de experimentar o cargo de observador (Benfica). O futuro liga-o a Cabo Verde, de onde é a sua mulher. Vai dar-se bem? Apura-se para a Taça Africana das Nações, na Guiné Equatorial, onde é afastado da fase de grupos sem perder um único jogo. Revisita Portugal e logo a Amoreira, um estádio que tão bem conhece (e onde não faz um único golo como jogador de 1.a). Um golo de Fortes e outro de Gegé na primeira parte, 2-0 para Cabo Verde a Portugal. Vai acabar assim?

Claro que sim, isto é Rui Águas no seu melhor. Um homem feito para fazer história. E o elo de ligação entre as duas únicas derrotas de Portugal com africanos: Marrocos 1986, Cabo Verde 2015. Não há (mesmo) ninguém como Rui Águas.

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