30/06/2022
 
 
Um Brasil Ainda em Chamas. Um grito sem substância

Um Brasil Ainda em Chamas. Um grito sem substância

Diogo Vaz Pinto 07/06/2022 14:24

Dominada pelo sectarismo ideológico, uma antologia da poesia contemporânea brasileira oferece uma perspectiva de um país que, no bicentenário da independência, continua longe de se encontrar a si mesmo.

Este ano segue aos tombos, no Brasil, servido ao formigueiro que o devora a partir de dentro, não só por ser um ano de eleições, mas também por força de um conjunto de efemérides bem gordas – os 200 anos da independência de Portugal, e, em fevereiro passado, os 100 anos da Semana de Arte Moderna, quando explodiram as vanguardas e foi gizado o plano de arrastar até à consciência e ilustrar a anatomia tão inquieta de um país absurdamente vasto. Estando o país embrulhado numa autêntica guerra civil pelo domínio da sua narrativa, foi denunciado o “sequestro da independência” por parte do governo de Jair Bolsonaro, isto nas palavras da historiadora  Lilia Schwarcz, e é natural, por isso, que a ridicularia das celebrações esvaziadas de sentido tenham dado lugar a algo mais sombrio, tenso e doloroso. Deste lado do Atlântico, nem os ecos se ladram ou enfrentam por um osso na contenda, o que é sinal da impossibilidade de um diálogo, intercâmbio, reconhecimento mútuo. Persistem as insólitas resistências de sempre, e os dois países parecem incapazes de dissipar antigas querelas, de tal modo que só os trafulhas parecem capazes de se organizar e cooperar no gamanço. Que se saiba não está prevista nenhuma edição mais fulgurante para se dirimir o processo da independência, e aquele país continua a ser, até para si mesmo, um estranhíssimo colosso incapaz de interpretar o desenho da sua sombra. E é a coberto do silêncio, na minúscula editora de Vila Meã, a Contracapa – a dos livros feitos à mão, numa simplicidade rigorosa –, que nos aparece “Um Brasil Ainda em Chamas – antologia de poesia brasileira contemporânea”. Com organização e notas de Wilson Alves-Bezerra e Jefferson Dias, mais vale dizer já que esta funciona mais como documento das tensões sociais e políticas e do profundo abalo e confusão que isto gerou nos próprios meios culturais, do que como um esforço de apuro de admiráveis textos poéticos. Na verdade, no que respeita à poesia, e por razões que tentaremos dilucidar de seguida, esta antologia é confrangedoramente infeliz.

Assumindo o esforço de reunir vozes de diferentes regiões do país, isto para escapar àquele conjunto de autores, sempre os mesmos, que vão ganhando alguma expressão, os antologiadores vincam que procuraram “fugir do grupo de poetas amigos”. Este princípio não obsta, no entanto, a que tenham decidido incluir-se a si mesmos no lote de 38 poetas. Não chegando às 250 páginas, cada um dos poetas vê a sua participação reduzida a um só poema, e se boa parte deles são bastante curtos, e muitos são banais senão mesmo péssimos, é difícil sentir nesta obra o apelo de vozes distintas entre si, ressumando antes uma certa angústia epocal, uma gramática tomada pelo estupor diante de uma realidade a sair dos gonzos, com o ar saturado por uma espécie de radiação ideológica num contraste de tal modo drástico que se torna em si mesmo opressivo. É curioso que, sendo a maioria dos poemas antecedidos de umas notas justificativas, estabelecendo as coordenadas ou esclarecendo as circunstâncias em que foram escritos, e providenciando, em muitos casos, uma chave de leitura, isto para que a interpretação não derive nem escape do âmbito acusatório dos poemas, estas notas, juntamente com o prefácio, constituem o verdadeiro núcleo de uma antologia que desejaria ser combativa, mas que acaba por submeter-se a um efeito de rasura, por estar insuportavelmente dominada pelo seu compromisso. Esta faz, desde logo, remontar o descalabro da situação política e social à “empresa colonizadora”, que “sucedeu sobre o alicerce do saque, do genocídio e da violação”. E é enquanto provedores de justiça que os organizadores desta proposta de leitura sobre a poesia que vem sendo escrita nos últimos anos no Brasil nos falam num “tripé maldito [que] é o preeminente legado da nossa miséria, que nos chega mais ou menos intacto, até a isto que chamamos presente”. Este enunciado não deixa de ser instigante, infelizmente, na sua inquirição, ao proporem-se recolher “o que nos parece mais potente da produção contemporânea”, os antologiadores sacrificam a condição essencial para se descobrir esses versos que deveriam distinguir-se de tantos outros pelo efeito de sugestão que provocam no ouvido. Cegos pelo dever que se impuseram, os responsáveis por esta recolha compõem surdamente a sua sinfonia num registo de sobreposição ruidosa, em que tantos versos apenas exibem a sua indigestão face a ocorrências imediatas e pavorosas, sendo, o contexto devastador da actualidade relacionado a um trauma histórico, e se é certo que o programa até enfatiza os factores de desigualdade, descentramento, desconforto e o deslocamento que são sentidos por quem vive no Brasil, não se demonstra como isso inspirou a criação de essa outra força, essa inteligência que aprende a alimentar-se até da devastação. Mas, neste ponto, os organizadores vão mais longe do que é habitual e, além de apontar o dedo ao bolsonarismo, denunciam “todo o mito romântico da independência, do típico, do nacional, do próprio”, remetendo de volta para a procura de um verdadeiro grito emancipatório. Infelizmente, se esse grito não foi urdido até agora, nas páginas desta antologia dificilmente iremos encontrar sequer indícios de por onde ele possa vir a passar.

Até haverá algumas lágrimas incríveis, protestos lavrados na acta da reunião desses seres com uma sensibilidade disposta a engolir o inferno em colherinhas de café, mas, depois, seja na denúncia mais aflita como na mais comichosa, os terrores e as situações mais intoleráveis surgem no mesmo registo das já previstas ou previsíveis, tudo bem ensaiado, de tal modo que, mesmo o humor crítico e azedo, é contrabandeado por uma comicidade já pacificamente gozada alhures, seja por quem escreve, seja por quem lê. Assim, vemos esse dispositivo em que o autor está em conluio com o leitor numa relação em que os dois podem revezar-se, sendo decisivo apenas essa cumplicidade, esse pacto um tanto conformista e cínico, pois tudo o que ali se exprime está enquadrado num dramatismo sem saída, acabando por redundar num regime em que o protesto não se distingue da comiseração.

Eis o arranque do poema (“O sétimo selo”) que Wilson Alves-Bezerra escolheu para comparecer na antologia por si mesmo organizada: “Foi no tempo da peste/ que aquele homem agreste,/ os lábios oprimidos, de tão juntos,/ mostrou gostar de defuntos/ e se pôs a predicar:/ aqui ninguém morreu./ Essa gripezinha não vai me pegar,/ com minha história gloriosa/ não tem nada que possa me deter./ Vamos escolher seguir em frente./ A economia não pode parar.”

Seria fastidioso prosseguir o mesmo exercício com tantos outros dos supostos poemas recolhidos nestas páginas, e mesmo quando o trabalho sobre a linguagem tem outro alcance, como no “Cântico Pré-Apocalíptico” de  Jefferson Dias, estamos sempre a ser devolvidos ao “obsedante pano de fundo sociopolítico”, e os poemas ressentem-se disso, nunca sobrelevando as circunstâncias que os motivaram: “Há o medo:/ Nosso pai/ Treva gastrópode/ E/ A carniçaria no apogeu/ O clarão dos incêndios/ Os estouros dos obuses/ O desconsolo do gás asfixiante/ A selvageria dos modos mais civilizados de matar/ Crimes do século/ Tomamos parte em muitos e os achamos/ Belos/ Debaixo de nossos edredons/ De sete palmos de terra.”

Somos repetidamente remetidos para “a mortalidade desembestada decorrente da maneira negligente com que o Estado brasileiro se ocupa da pandemia do coronavírus”, mas seria preciso todo o empenho do leitor para resgatar um só poema que consiga superar o efeito daquilo que uma mera notícia de jornal, cingindo-se a um relato bastante seco dos factos, produziria em nós. No fim, o que quase nos surpreende é que a indiferença possa ser tão parecida com a angústia.

Reconhecemos o olhar cheio de cinzas deste tempo, mas para chegarem a poemas falta a pedra que reside entre um lado e o outro, para que esta recolha não se reduza ao mero resíduo testemunhal de um período absurdo e, em muitos aspectos, inenarrável. “Para se ser poeta”, diz-nos Pasolini, “é preciso ter muito tempo/ horas e horas de solidão são a única maneira/ de dar forma a alguma coisa, que é força, abandono,/ vício, liberdade, de dar estilo ao caos.” Em sentido diverso, a maioria dos textos aqui reunidos cedem à arenga, ficam ali, muitas vezes ao longo de várias páginas a repetir-se, a rogar pragas em tantas direcções e a estrebuchar, mas falta-lhes aquela impiedade magnífica de um verso perfeitamente cinzelado. Não há uma só frechada, um golpe que fique a ressoar e nos envergonhe ou gele.

Os organizadores desta antologia nem se perguntam o que é a poesia, e ao abdicarem dessa indagação, abandonam-se a preceitos convencionais, assumindo que o poema não é mais que um meio de pôr em evidência esses que sofrem a história, um instrumento à disposição de um certo balanço sobre efeitos do poder político. A verdade é que ao arrastar o exercício poético para a mediocridade do confronto ideológico, mesmo que apaixonado e doloroso, ao rebaixar o poema a um mero exercício de manifestação de repúdio ou até mesmo de virulenta oposição, não há grande diferença entre estes poemas e outros que são ditados por oportunismo ou mera cegueira intelectual. O uso de uma certa terminologia, que funciona como o reverso do panegírico do discurso de propaganda, assinala que o crítico foi contagiado pelo totalitarismo dos seus piores inimigos. E isto revela o tremendo e até desolador equívoco que cegou os organizadores desta antologia de denúncia política, e que os fez esquecer que a linguagem poética se esquiva a quem quer que tente usá-la seja com o fim de perpetuar o nome dos poderosos seja com o de manchá-lo, e isto porque o carácter político da poesia, como vinca o poeta e ensaísta alemão Hans Magnus Enzensberger, não pode ser revelado através de nenhuma dedução externa, mas deve ser imanente. “A crítica literária, convertida em sociologia da literatura, deixa de perceber o seu próprio objecto, do qual só pode apreender o que lhe é exterior e, pela eleição de um certo enfoque, renuncia, antes mesmo de formulá-lo, a emitir um juízo sobre a obra de que trata”, escreve Enzensberger no ensaio “Poesia e Política”.

Aqui, em lugar de actuarem enquanto meros críticos, os antologiadores privilegiam um compromisso com a feroz imputação de uma responsabilidade criminal, beirando o terrorismo de Estado, do actual governo liderado por Jair Bolsonaro, mas esquecem-se que a poesia exclui essa forma de sociologia directa, e que a ela não é possível outro acesso que não seja fundado na valorização da própria linguagem. Assim, quando os organizadores nos dizem que estamos hoje perante um momento singular e urgente no Brasil, e se percebe o seu desejo de participarem num esforço para que alguma coisa mude no plano político, esta urgência acaba por frustrar os propósitos de uma recolha que possa em si mesma tornar-se expressiva de uma angústia atroz. “Enquanto arrematamos estas linhas, os corpos ainda se empilham, e a população miserável, famélica, acotovela-se na fila de ossos bovinos, diante do caminhão de lixo”, lê-se no prefácio. Os antologiadores dizem-se empenhados numa tarefa de “forcejar contra o estado de coisas que se nos impôs”, e afirmam estar convictos “de que a história pode ser, como diz bell hooks, “interrompida, apropriada, e transformada através da prática artística e literária”. E propõem-se, assim, tecer uma teia “com as vozes que, malgrado a peste (ou talvez por causa dela) – que nos assola com diferentes caras ao menos desde 1500 –,” e isto no intuito de “cantar nosso desejo de gozo, permanência e luta em uma terra que, como insiste o nome, tem o chão em brasa”. É este enquadramento que nos devolve a um dos paradoxos do nosso tempo, que se prende com a forma como a literatura tem vindo a ser devorada por esta condição sociológica, tantas vezes próxima dos géneros jornalísticos, e isto ocorre, precisamente, numa época em que os jornais entraram numa fase de estertor, mas a tendência da “reportagem universal”, como uma espécie de gangrena, toma conta de tudo, numa guerra já sem saída e em que apenas o ruído triunfa, de tal modo que se tornou mais difícil do que nunca perceber onde ainda se eleva a potência silenciosa da literatura e do pensamento que dá forma e firmeza ao silêncio. De resto, se os organizadores se impuseram a tarefa de oferecer uma selecção que funcione como um “convite à escuta da dissonância que nos funda”, e se expressamente assumem que o descaminho do país resulta de uma falta de lugar, de um quadro de acirramento em que os artistas estão mal quistos, e chegam a ser perseguidos, e “o povo, de modo geral, afigura-se um empecilho, é deixado para morrer, à mercê da peste, posto que a classe dirigente barganhe a vida, forcejando por auferir vantagem da tardança da cura”, não deixa de ser curioso como, logo no início do prefácio (“Itinerário do Descaminho – ou de como antologiar poesia em um Brasil ainda em chamas”), reconhecem como o país tem sido pródigo em produzir centenas de novos livros de poemas ao ano, de tal modo que “há quem maldosamente diga que no Brasil se multiplicam os poetas mais que os leitores de poesia”. Se assim é, esta condição excrescente da poesia está em linha com essa condição de um ruído que, não só naquele país, mas um pouco por toda a parte, se confunde com a “selva de informação das redes sociais sem chegar a seus potenciais leitores”. Ora, esta sim é a questão urgente nos nossos dias para a crítica, e é, neste contexto, que um certo lirismo de denúncia e supostamente revolucionário, por mais que eleja valores socialmente válidos, tem vindo a aproximar-se de uma função decorativa, de tal modo que a poesia é cada vez mais um discurso relacionado com a tagarelice que define o restante espaço público, tornando-se uma forma artística indiferenciada. Nestas condições, como assinala Enzensberger, o conceito de poesia política torna-se de tal modo suspeito que é inutilizável. “Todos julgam saber o que realmente significa, mas, visto de mais perto, percebe-se que é uma etiqueta aplicada a textos que circulam com propósitos de agitação e representação.”

Acontece que, como frisa este autor, a respeito da relação poesia-política dispomos de poucas proposições simples, mas é preciso, contudo, sinalizar esta noção evidente: “poesia e política não são meros ‘domínios’, mas sim processos históricos, e se o primeiro evolui no âmbito da linguagem, o segundo dá-se no âmbito do poder”. Entendendo que os dois se relacionam estreitamente com o devir histórico, Enzensberger frisa que a crítica literária concebida como sociologia ignora que é a linguagem que providencia um significado social ao fenómeno da poesia, e não a sua implicação nas contendas políticas de um dado momento. Para se recentrar a discussão sobre qual será o papel da poesia enquanto dinâmica social, devemos, portanto, deixar de lado certas reacções que pretendem ser evidenciadas por um certo vigor ou firmeza de tipo ideológico, e, deixando de lado as opiniões, centrarmo-nos assim nas questões de linguagem. Nesse resgate da poesia aos usos vulgares da linguagem, Enzensberger sugere que amiúde nos damos conta de que muitos terratenentes leais à coroa revelam-se, de súbito, revolucionários, e, em sentido contrário, mais que um jacobino na política acaba exposto como um obscurantista no modo como trabalha os versos. “É de supor que o processo revolucionário da poesia decorra mais firmemente em lugares anónimos e tranquilos, e não nesses congressos onde tunantes e bardos proclamam a revolução universal com uma linguagem de criadores de coelhos”, escreve o ensaísta. Enzensberger entende que todo o conteúdo político que reside na poesia está precisamente na sua recusa em assumir um estrito conteúdo político, preferindo dirigir-se a todos, “inclusivamente quando não fala de ninguém, quando fala de uma árvore, de uma pedra ou até de coisas inexistentes”. E é por falar deste modo que o conteúdo da poesia se torna tão ingrato, e que, por vezes, é tão fácil esquecê-la. “O que antes se denominava inspiração, agora chama-se espírito crítico, adianta o autor alemão, “e o espírito crítico converte-se na fértil inquietude do processo poético. Aos olhos do poder político, a poesia é anárquica, porque fora da sua própria órbita não lhe é dado reconhecer nenhum outro ‘princípio’; é intolerável por insubmissa; subversiva pelo simples facto de existir. Basta que esteja presente para se impor em contradição face à propaganda oficial ou às declarações políticas, aos manifestos e às bandeirolas.”

Aqui, pelo contrário, a poesia é um subsistema no âmbito dos discursos de contestação política, tão mais ridículo por estar coberto de razão e se tornar desnecessariamente enfático, como essas reacções espontâneas que ocorrem nas redes sociais, esses urros que se inscrevem no registo da incredulidade, na sensação de perda face a uma realidade esmagadora. Matheus Guménin Barreto é um dos poucos que apontam na direcção certa ao questionar-se: “é lícito um poema onde ecoem passos/ de um único homem ou de sua sombra os passos?” Depois acaba por perder-se no equívoco geral. Mas ali vislumbrou-se uma promessa de apuro, de um recalibrar dos sentidos, de uma certa espessura na voz e na intimação dos elementos que são chamados ao poema. E talvez o único digno desse nome nesta antologia seja o de Raquel Gaio, que diz ter tomado em mãos “a feição do incontornável”, e prossegue: “Avanço por um solo estreito e aspiro nessa terra os corpos que não conheci. Escavo os rostos, a ave morta, a palavra imunda: só o oco sobrevive.”

Antes de retomarmos o poema, neste caso a nota que o explica lança alguma luz e colabora sem se lhe impor, sem forçar uma contrafacção política. A poeta e artista visual usa a imagem de um corpo “desolado pela doença e pelo tumor”, um corpo que no seu esforço de sobrevivência a algo que nasceu dentro de si e ameaça derrubá-lo, nos serve uma metáfora que, não sendo original, é plausível e torna-se expressivo dessa resistência à captura por “um governo que sequestra as subjectividades e a vitalidade e que instaura o horror”. Raquel Gaio diz-nos que o “texto foi escrito em maio de 2020, dois meses após o começo da pandemia do coronavírus no Brasil, e um ano depois do AVC do meu pai, criando em mim uma linguagem da doença”. É este o exemplo, este trabalho sobre a linguagem que nos mostra o esforço da poesia para, dentro da linguagem, reaver o seu domínio, fissurar a realidade, tornando-se ela o tumor ou o vírus que acaba por derrubá-la. “Algo em mim foi extinto”, escreve a poeta, “em meus ossos cresce uma nova vegetação e a água escura que antes habitava os pulmões agora se tornou uma nova língua. Sou uma mulher que possui pactos com a doença, caminho recolhendo vestígios de uma civilização antiga, e, em vigília, inauguro uma nova pobreza. Reparto a dor animal e trago este dano: a violência de uma respiração.”

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